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Premiê britânico, Boris Johnson
Foto: Reuters/UK Parliament/J. Taylor
PolíticaReino Unido

UE ameaçou bloqueio de alimentos, afirma Boris Johnson

12 de setembro de 2020

Em artigo ao jornal "Daily Telegraph", premiê britânico apela a "soberania" para justificar sua proposta de mudar os termos do pacto do Brexit. Parlamentares europeus acenam com veto a futuros acordos comerciais.

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No contexto das disputas em torno do Brexit, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, acusou a União Europeia de ameaçar com a instauração de uma fronteira comercial no Mar da Irlanda que "cortaria nosso país", e com um bloqueio de gêneros alimentícios entre a Irlanda do Norte e o restante do território britânico.

O artigo publicado pelo jornal The Daily Telegraph se intitula "Vamos fazer a UE tirar suas ameaças da mesa de negociações e aprovar essa proposta", referindo-se ao Projeto de Lei para o Mercado Interno apresentada por Londres, que desencadeou irritação em Bruxelas.

"Estamos agora escutando que, a menos que concordemos com os termos da UE, a UE usará uma interpretação extrema do Protocolo da Irlanda do Norte para impor uma fronteira comercial total ao longo do Mar da Irlanda", afirmou o premiê conservador.

Um bloqueio poderia ocorrer, a menos que seu governo concorde com os termos propostos pelo bloco europeu. A UE estaria apresentando um risco para o Reino Unido e para a paz na Irlanda do Norte, onde a violência sectária tem sido basicamente contida, desde o Acordo da Sexta-Feira Santa, em 1968, escreveu Johnson.

O político britânico alegou desejar um acordo comercial semelhante ao existente entre o Canadá e o bloco dos 27 países europeus, pois, "se a UE está disposta a oferecer esses termos para o Canadá, então faz sentido oferecer o mesmo para nós". "Temos que proteger o Reino Unido de um desastre, e é por isso que desenvolvemos uma rede de segurança legal – o Projeto de Lei do Mercado Interno do Reino Unido – para esclarecer o posicionamento e eliminar as inconsistências", acrescentou.

Na quarta-feira (09/09), Londres divulgou a proposta de uma lei redifinindo partes de seu pacto de saída da União Europeia, o Brexit. Em reação, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que qualquer desvio do atual acordo seria "infringir o direito internacional".

Segundo comissário da Economia da UE, Paolo Gentiloni, o bloco está preparado, caso as negociações com o Reino Unido deem errado. Líderes parlamentares europeus já ameaçaram vetar futuros acordos comerciais entre Londres e Bruxelas, a menos que Johnson retire a legislação.

No artigo ao Daily Telegraph, Johnson descreveu a disputa como uma questão de "soberania": "Como nunca me cansei de dizer, saímos da UE, mas não saímos da Europa. Mas eles também sabem – ou pelo menos sabem agora – que deixar a UE significa que o Reino Unido leva a sério sua soberania reencontrada."

Ambas as partes têm reunião marcada em Bruxelas na próxima semana, tendo como meta alcançar um consenso total até meados de outubro.

AV/rtr,ap,dpa,dw