Turquia liberta alemã acusada de propaganda terrorista | Notícias internacionais e análises | DW | 18.12.2017
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Mundo

Turquia liberta alemã acusada de propaganda terrorista

Com liberdade condicional, Justiça proíbe, porém, que jornalista Mesale Tolu saia do país. Ela é acusada de fazer parte de organização terrorista e está entre os vários jornalistas alemães presos na Turquia.

Mesale Tolu

Nascida na cidade alemã de Ulm, Mesale Tolu vivia em Istambul desde 2014

Um tribunal turco ordenou a liberdade condicional da jornalista e tradutora alemã Mesale Tolu, presa desde o final de abril "por pertencer a uma organização terrorista", de acordo com comunicado nesta segunda-feira (18/12) de seus advogados.

O tribunal "ordenou a liberdade condicional da jornalista Mesale Tolu" e de outros cinco acusados, escreveu no Twitter o escritório de advogados que os representa.

Leia também: Alemanha pode repensar relações com Turquia, diz Merkel

Heike Hänsel, deputada alemã do partido A Esquerda que assistiu à audiência, escreveu em sua conta no Twitter que a liberdade condicional de Tolu foi decretada em conjunto com uma proibição de sair do país e condicionada à apresentação uma vez por semana numa delegacia policial.

Tolu foi presa em abril por supostamente produzir "propaganda terrorista", quando trabalhava para a agência de notícias com viés de esquerda Etkin Haber Ajansi (ETHA). Ela também foi acusada de ser "membro de uma organização terrorista" – o Partido Comunista Marxista-Leninista (MLKP), uma legenda proibida na Turquia.

Na primeira audiência, em outubro, Tolu rejeitou todas as acusações apresentadas. Se condenada, ela pode receber uma pena de até 20 anos de prisão. Segundo relatos da imprensa local, outros cinco detidos no caso foram libertados ao lado da jornalista alemã.

Tolu, de 33 anos, tem ascendência turca e nasceu na cidade de Ulm, no sul da Alemanha, segundo a imprensa do país. Ela se tornou cidadã alemã apenas em 2007, abrindo mão de sua cidadania turca.

A tradutora vivia em Istambul desde 2014 com o marido, Suat Corlu, e o filho de dois anos. Corlu, jornalista de nacionalidade turca, também foi detido e enfrenta acusações semelhantes envolvendo ligação com terrorismo. O filho do casal esteve nestes meses sob cuidados de familiares.

Berlim exige libertação de todos presos políticos 

Após o anúncio da libertação condicional de Tolu, a porta-voz do Ministério das Relações exteriores da Alemanha, Maria Adebahr, celebrou o grande avanço. O governo alemão, no entanto, pediu por sua libertação incondicional.

O porta-voz da chancelaria federal, Steffen Seibert, disse que a libertação condicional não representa "de forma alguma o fim do caso Mesale Tolu".

O parlamentar alemão de origem turca Cem Özdemir, do Partido Verde, saudou a decisão, mas advertiu que o veredicto do tribunal turco significará pouca mudança no país. Em vez disso, Özdemir convocou Ancara a soltar "todos os presos políticos e cidadãos alemães".

Tolu é uma dos vários jornalistas alemães que foram presos na Turquia acusados de terem produzido "propaganda terrorista", incluindo Deniz Yücel, do diário Die Welt.

A detenção de Tolu contribuiu para abalar as relações entre a Turquia e a Alemanha, que denunciou arduamente a detenção de vários de seus cidadãos na sequência da perseguição lançada pelo governo turco depois da tentativa frustrada de golpe militar, em 15 de julho de 2016. Berlim condenou firmemente a conduta de Ancara – mais de 55 mil pessoas foram detidas e mais de 140 mil demitidas ou suspensas.

Por seu lado, Ancara acusa a Alemanha de ser indulgente com os terroristas, abrigando separatistas curdos e alegados golpistas.

De acordo com o site P24, especializado em liberdade de imprensa, cerca de 170 jornalistas foram presos na Turquia, que ocupa o 155.º lugar (de 180) na lista de liberdade de imprensa da organização não governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF).

PV/lusa/dpa/rtr

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