Trump reconhece soberania de Israel sobre Colinas de Golã | Notícias internacionais e análises | DW | 25.03.2019
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Oriente Médio

Trump reconhece soberania de Israel sobre Colinas de Golã

Ao lado de Netanyahu, presidente dos EUA contradiz décadas de política externa e reconhece a soberania de Israel sobre o território, ocupado em 1967 e anexado em 1981. Síria vê ataque a sua integridade territorial.

Netanyahu ao lado de Trump em Washington

Netanyahu disse que Trump é o melhor amigo que Israel já teve

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu formalmente nesta segunda-feira (25/03) a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã, um território disputado com a Síria e que Israel anexou em 1981.

O governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, respondeu de imediato e afirmou que a decisão é um ataque à soberania e à integridade territorial da Síria.

O decreto de reconhecimento foi assinado no início de um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington. Trump justificou a medida com as "ações agressivas" do Irã e de grupos "terroristas" contra Israel.

Netanyahu disse que se trata de um dia histórico e que Trump é o melhor amigo que Israel já teve.

Em Israel, o reconhecimento pode significar um forte impulso para a campanha eleitoral de Netanyahu, que tenta a reeleição numa eleição antecipada, em 9 de abril, e que está sendo duramente disputada. "Jamais renunciaremos a elas", afirmou Netanyahu, ao lado de Trump.

A decisão de Trump contradiz décadas de política diplomática dos Estados Unidos e também a posição internacional, expressa em resoluções do Conselho de Segurança, apoiadas também pelos Estados Unidos.

O anúncio não foi mal recebido somente no mundo árabe, no Irã e também na Turquia, que já haviam alertado Trump para não dar esse passo depois de o presidente americano tuitar a respeito, na semana passada, mas também foi criticado pela ONU e pela Rússia.

As Nações Unidas destacaram que o anúncio dos EUA não muda em nada o status internacional da região. "Para nós, o status das Colinas de Golã ocupadas está consagrado nas resoluções do Conselho de Segurança. A posição não mudou", disse Stéphane Dujarric, o porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, seguiu a argumentação da ONU em relação ao status da região e condenou a decisão de Trump. A Turquia acusou o governo americano de desrespeitar leis internacionais. "Essa decisão nunca legitimará a ocupação israelense. Pelo contrário, aumentará as tensões na região ao dificultar os esforços para alcançar a paz no Oriente Médio", afirmou o ministro turco do Exterior, Mevlut Cavusoglu.

O Líbano também destacou que o reconhecimento prejudica os esforços de paz e afirmou que a tentativa de Israel de expandir seu território por meio da "força e agressão" apenas isola o país. "As Colinas de Golã são terras árabes da Síria, nenhuma decisão e nenhum país pode mudar a história transferindo a propriedade de terra de um país para o outro", ressaltou o ministério libanês do Exterior.

A Rússia condenou a decisão americana e disse temer uma nova onda de tensões no Oriente Médio. Pouco antes do anúncio de Trump, o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, alertou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para os riscos desse reconhecimento. "A intenção dos Estados Unidos de reconhecer a soberania de Israel sobre as Colinas de Golã é uma violação grosseria do direito internacional, dificultando a resolução da crise síria e agravando a situação em todo o Oriente Médio", afirmou Lavrov.

Israel conquistou as Colinas de Golã em 1967, durante a guerra árabe-israelense. Netanyahu acusa o Irã de tentar estabelecer uma rede terrorista nessa região para lançar ataques contra seu país a partir de lá e utiliza esse argumento para tentar obter reconhecimento internacional sobre o território.

As Colinas de Golã foram formalmente anexadas por Israel em 1981. A comunidade internacional considera a região um território ocupado, e a Síria exige sua devolução como precondição para um futuro acordo de paz.

AS/ap/efe/rtr

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