Trump explicita frustração com bloqueio de Ormuz em tuíte
5 de abril de 2026
Em uma publicação com palavrões e ofensas, o presidente dos EUA, Donald Trump, explicitou neste domingo (05/04) frustração com a continuidade do bloqueio do estreito de Ormuz e também reiterou suas ameaças de destruir a infraestrutura civil do Irã caso o regime não libere a passagem marítima.
"Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo de uma vez, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a porra do Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão num verdadeiro inferno - Vocês vão ver! Louvado seja Alá", escreveu Trump na rede Truth Social.
No sábado, Trump já havia dito que o Irão tinha 48 horas para reabrir completamente o estreito de Ormuz, sob pena de as Forças Armadas americanas fazerem recair um "inferno" sobre os iranianos. Pelo prazo, os ataques podem ter início na próxima semana. Segundo relatos da imprensa americana, Israel, país aliado dos EUA no conflito, estaria aguardando sinal verde da Casa Branca para começar sua própria campanha de bombardeios contra usinas de energia iranianas.
Anteriormente, Trump havia estendido ultimatos semelhantes.
Ormuz bloqueado
O estreito de Ormuz é considerado uma via vital do mercado global de energia, por onde trafegam 20% do petróleo produzido no mundo. A via foi bloqueada pelos iranianos pouco depois do início da guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel. Desde então, os iranianos têm permitido somente a passagem de alguns navios de "países amigos" e, segundo relatos, em troca de pagamento.
A queda do tráfego marítimo em Ormuz tem pressionado os preços de petróleo e gás mundo afora, além de ameaçar cadeias de fertilizantes e de outros produtos. Na Ásia, onde vários países dependem mais da energia que passa por Ormuz, algumas nações tem adotado medidas para diminuir o consumo de combustíveis, como tarifa zero no transporte público e até feriados extras.
Especialistas militares têm afirmado nas últimas semanas que os EUA parecem ter subestimado que o Irã tinha capacidade retaliatória para fechar Ormuz.
Inicialmente, os EUA propagandearam como objetivos da guerra uma degradação da capacidade militar e nuclear do Irã e até uma desejada "mudança de regime" no país. No entanto, nos últimos dias, os EUA têm sido crescente forçados a focar em Ormuz, com o objetivo de liberar a via - ou seja, para que ele volte ao mesmo status de antes da guerra.
Trump não parece ter situação sob controle
"A mensagem de Trump — 'Abram a porra do estreito' — provavelmente busca intimidar os iranianos, mas também revela frustração e desespero. Não é o tipo de linguagem de quem tem a situação sob controle", escreveu na rede X o cientista político Oliver Stuenkel.
Já o analista Dennis Citrinowicz, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional, baseado em Israel, também afirmou no X que a publicação de Trump reflete "frustração". "[Trump] parece incapaz de conciliar a discrepância entre as conquistas objetivas no terreno e sua limitada capacidade de impor sua vontade no que diz respeito ao Estreito de Ormuz. "E o problema só está piorando. É evidente que os iranianos não vão recuar. (...) Mas se Trump intensificar o conflito, o Irã responderá, e os danos à economia global poderão ser sem precedentes, muito além do aumento dos preços do petróleo."
Impactos
Um ataque às usinas a gás do Irã ameaçaria diretamente o fornecimento de energia de milhões de habitantes do país. Um colapso elétrico pode ter consequências graves, como interrupção de sistemas de resfriamento e aquecimento, interrupção do abastecimento de água devido ao desligamento das bombas. Também seriam afetados o sistema bancário e a indústria.
Nos últimos dias, o Irã tem afirmado que se os EUA e Israel lançarem tais ataques, o regime pretende retaliar atacando usinas de dessalinização na região do Golfo. Já ocorreram danos a instalações desse tipo no Bahrein e no Kuwait, provocados por ataques ou por destroços de mísseis – possivelmente um aviso indireto enviado pelo Irã.
Uma campanha sistemática contra essas estruturas representaria uma escalada ainda mais grave, colocando em risco o abastecimento de água de milhões de pessoas. Poucas regiões do mundo dependem tanto da dessalinização quanto os países do Golfo.
Além disso, a destruição de infraestrutura civil como usinas de energia pode ser ilegal segundo o direito internacional humanitário e pode constituir um crime de guerra, segundo especialistas.
jps (ots)