Três meses após morte de Marielle, familiares exigem respostas | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 13.06.2018
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Brasil

Três meses após morte de Marielle, familiares exigem respostas

Em protesto no Ministério Público do Rio convocado pela Anistia Internacional, pais e companheira da vereadora pedem maior atuação da Justiça na resolução do assassinato. "Foi um crime político", opina procurador-geral.

Mônica Benício

Mônica Benício, companheira de Marielle, pressiona por esclarecimentos sobre a morte

A Anistia Internacional realizou nesta quarta-feira (13/06) uma manifestação em frente ao prédio do Ministério Público do Rio de Janeiro, exigindo da entidade um papel mais ativo nas investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes.

O crime cometido na cidade do Rio de Janeiro, que chocou o país e provocou reações indignadas em todo o mundo, completa três meses nesta quarta-feira, 14 de junho, ainda sem solução.

Mônica Benício, viúva de Marielle, e Antônio Francisco da Silva, pai da vereadora, participaram do protesto, reforçando a pressão por uma resolução do assassinato. Vestidos de amarelo, ativistas seguravam letras com as frases: "Três meses sem resposta. Quem matou Marielle Franco?".

Benício e familiares de Marielle, incluindo sua mãe, Marinete da Silva, acompanhados de representantes da Anistia Internacional, foram ainda recebidos pelo procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, no final da manhã.

Em redes sociais, a organização informou que, durante a reunião, entregou a Gussem um ofício exigindo que o Ministério Público supervisione a atuação da polícia nas investigações e assegure a participação de uma equipe de promotores no caso.

Em declaração à imprensa, o procurador-geral reafirmou seu compromisso com a elucidação dos crimes. "Estamos levantando todos os esforços em busca dos esclarecimentos necessários. É importante que cheguemos aos verdadeiros culpados", disse.

"É óbvio que uma investigação dessa magnitude, dessa complexidade, leva um período significativo, e não estamos abrindo mão de qualquer tipo de informação ou relacionamento", acrescentou.

Gussem declarou ainda que, para o Ministério Público, "não há dúvida alguma de que se tratou de um crime político". "Foi um crime para calar uma das maiores – se não a maior – representantes dos direitos humanos hoje em dia no nosso país", destacou.

Marielle Franco

Em manifestação no Rio, ativistas lembram o aniversário de 90 dias do crime que abalou o Brasil

A companheira de Marielle manifestou a mesma opinião em relação à motivação do assassinato. "Foi um crime político. A gente só pode concluir que tem uma pessoa muito poderosa por trás disso", declarou Benício.

"É fundamental que continuemos cobrando a Justiça. Principalmente entendendo que vivemos num país que tem memória tão curta, às vésperas da Copa do Mundo. Vamos continuar lutando e cobrando respostas", acrescentou a viúva.

Os pais da vereadora carioca também pressionam por respostas. "Que tenhamos uma notícia mais concreta. São três meses de dor, de muita luta. A família precisa, a sociedade precisa", afirmou a mãe, Marinete da Silva, a jornalistas.

"Exigimos que essa resposta seja dada. Foram 30 dias passados e não tivemos respostas, 60 dias passados, não tivemos resposta, agora estamos com 90 dias, que serão completados amanhã e ainda não temos a resposta. O mundo todo quer essa resposta. Quem mandou matar a minha filha? Quem que matou?", questionou o pai, Antônio Francisco da Silva.

Marielle, de 38 anos, e Anderson, de 39, foram assassinados em 14 de março no bairro do Estácio, região central do Rio, quando saíam de um evento no qual a vereadora palestrava. O carro foi alvejado por vários disparos, dos quais quatro atingiram a cabeça de Marielle.

As investigações sobre o crime – que levou multidões às ruas no mundo todo para manifestar solidariedade e cobrar explicações – seguem sob sigilo, embora uma série de informações tenham sido reveladas pela imprensa brasileira.

 Marielle Franco

Marielle era uma notável defensora dos direitos humanos no Rio

Para a Anistia Internacional, é importante que o sigilo seja preservado, mas o silêncio sobre o caso reforça a sensação de impunidade.

"É uma questão de priorizar recursos, priorizar tempo, priorizar atenção e decidir politicamente que esse caso não vai ficar sem solução. É isso que a gente espera das autoridades, que se comprometam publicamente", disse Renata Neder, coordenadora de pesquisa e políticas da organização.

A diretora executiva da Anistia, Jurema Werneck, também fez pressão. "Para garantir a competência e independência na apuração do caso, o Ministério Público deve exercer seu poder de investigação e cumprir o papel de controle externo das atividades policiais através de seus grupos especializados."

Werneck enfatizou ainda a importância de que o processo "seja realizado em tempo hábil, siga todos os padrões éticos e o devido rito legal".

Em sua página na internet, a Anistia Internacional abriu uma petição para cobrar às autoridades uma investigação urgente e imparcial do crime, um julgamento justo dos suspeitos, medidas para garantir assistência às famílias das vítimas e proteção imediata às testemunhas. Mais de 40 mil pessoas já assinaram.

EK/abr/ots

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