Testes nucleares fortalecem posição de negociação da Coreia do Norte, afirma especialista | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 26.05.2009
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Mundo

Testes nucleares fortalecem posição de negociação da Coreia do Norte, afirma especialista

A condenação dos testes nucleares norte-coreanos pela comunidade internacional é unânime. Pyongyang está ameaçado de maior isolamento e pressão. Porém dificilmente retornará às negociações sobre desarmamento.

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Japão monitora atividades ilegais na Coreia do Norte

Apenas um dia após a comunidade internacional ter condenado com rigor as explosões nucleares subterrâneas na Coreia do Norte, o país disparou, nesta terça-feira (26/05), dois mísseis de curto alcance (130 quilômetros) na costa leste do Mar Amarelo. Pouco antes, o Conselho de Segurança Organização das Nações Unidas divulgara uma resolução condenando unanimemente os testes.

Perigo para Seul

Raketenstart in Nordkorea

Lançamento de mísseis noticiado na TV

Recentemente, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed el Baradei, enquadrara a Coreia do Norte na categoria das potências nucleares. Entretanto, especialistas calculam que o país ainda precisará de até oito anos para poder construir uma ogiva para os mísseis que está produzindo.

"No momento, as ogivas de teste da Coreia do Norte ainda devem ter o tamanho aproximado da bomba de Hiroshima" acredita um perito da AIEA. Nos últimos anos, o país produziu plutônio suficiente para construir oito armas atômicas.

Contudo, devido a seu tamanho, elas só poderiam ser transportadas por aviões de combate, os quais dificilmente passariam despercebidos pela defesa aérea dos países vizinhos. Mesmo assim, as bombas representam um perigo potencial, por exemplo, para a capital sul-coreana, com 20 milhões de habitantes.

Quase sem aviso prévio

A rapidez com que o presidente Barack Obama reagiu aos testes atômicos na Coreia do Norte demonstra quão a sério o governo estadunidense leva o assunto. Na madrugada de segunda-feira, Washington já divulgara uma declaração oficial a respeito.

Mais tarde, Obama condenou em pessoa o procedimento desrespeitoso. Ele disse considerar o programa nuclear norte-coreano um grande perigo para a paz e a segurança do mundo inteiro. Para ele, o teste é uma violação flagrante do direito internacional e contradiz declarações anteriores de Pyongyang.

Só aproximadamente uma hora antes da explosão, a Coreia do Norte comunicou aos governos em Washington e Pequim que planejava um teste atômico. O Japão não recebeu nenhum aviso.

Nos últimos dias, o Estado-Maior dos EUA já vinha suspeitando um possível teste. Essa nova explosão subterrânea não foi exatamente uma surpresa para Washington. Entretanto, é grande a apreensão sobre o tratamento a ser dado à Coreia do Norte no futuro.

Punições sem resultado

Segundo o presidente norte-americano, a Coreia do Norte não só está mais isolada, como ficará mais sujeita à pressão internacional. Isso teria ficado claro quando a China, a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão chegaram à mesma conclusão: através de uma ameaça com armas ilegais, Pyongyang não conquistará "nem mais segurança, nem mais respeito". Apesar de tudo, Obama declarou que redobrará seus esforços diplomáticos.

Literatur in Nordkorea -Kim Jong II

Kim Jong 2º

Ao que tudo indica, não teve efeito a mistura de sanções econômicas e ajuda humanitária com que a comunidade internacional vinha tentando – desde o primeiro teste, há três anos – demover os norte-coreanos de seu programa nuclear.

Segundo diversos especialistas norte-americanos, o único resultado das sanções é que grande parte dos 23 milhões de norte-coreanos encontram-se subnutridos e passam fome. No que concerne ao governante do país, Kim Jong 2º, nada disso parece tê-lo impressionado até agora.

Esperança na China

A comunidade internacional tem a esperança de que China possa dissuadir a Coreia do Norte de sua política nuclear. Os dois países estão ligados não só pela fronteira comum, mas por uma longa amizade, considerando-se nações-irmãs comunistas. A China é a principal parceira comercial e fornecedora de energia dos coreanos, além de ter investido muito no país.

Jin Canrong, da Universidade Popular de Pequim, afirma ser por interesse próprio que os chineses se mostram reservados tanto na crítica como nas ações punitivas contra os norte-coreanos. Ao lado das razões comerciais, a principal é a segurança: a China quer evitar que o país vizinho entre em colapso.

Afinal, esse país é sua proteção contra a Coreia do Sul, por sua vez aliada dos EUA. Sem esse anteparo, a China teria às suas portas as tropas norte-americanas, sendo forçada a reformular toda a sua política de segurança. Um colapso da Coreia do Norte também poderia resultar numa onda de refugiados procurando abrigo em território chinês.

Posição fortificada

Além disso, a Coreia se deixa influenciar bem menos por Pequim do que muitos pensam, observa Yan Xuetong, da Universidade Qinghua, na capital chinesa. No passado, Pequim não pôde evitar os testes atômicos, e no futuro "tampouco terá outros meios para evitar que a Coreia do Norte venha a possuir armas atômicas", alega.

Segundo o professor de Relações Internacionais, a questão não é "o que a China quer, mas sim o que pode, ou não, fazer". Com esse segundo teste atômico, os dirigentes norte-coreanos fortaleceram sua posição de negociação, crê Xuetong. A partir de agora eles não estarão mais dispostos a conversar sobre o futuro desarmamento da Coreia do Norte, diz o especialista.

Autor: AV/dw/dpa
Revisão: Simone Lopes

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