1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Julgamento de dois soldados russos em tribunal na Ucrânia
"Sou completamente culpado dos crimes dos quais sou acusado", disse um dos soldados no tribunalFoto: Bernat Armangue/AP Photo/picture alliance
Leis e JustiçaUcrânia

Soldados russos se declaram culpados de crimes de guerra

26 de maio de 2022

Ucrânia dá início a segundo julgamento por crimes de guerra desde o início da invasão russa. Em tribunal, dois militares capturados admitem que bombardearam cidade no leste ucraniano a partir da Rússia.

https://www.dw.com/pt-br/soldados-russos-se-declaram-culpados-de-crimes-de-guerra/a-61941845

Dois soldados russos capturados se declararam culpados nesta quinta-feira (26/05) de bombardear uma cidade no leste da Ucrânia, no segundo julgamento por crimes de guerra desde o início da ofensiva de Moscou contra o país vizinho.

Durante a audiência no tribunal distrital de Kotelevska, no centro da Ucrânia, promotores públicos pediram que os soldados Alexander Bobikin e Alexander Ivanov sejam condenados a 12 anos de prisão por violarem as leis da guerra.

Já um advogado de defesa pediu clemência, afirmando que os dois soldados estavam apenas seguindo ordens de superiores e se arrependeram.

Posicionados em uma câmara de vidro reforçada no tribunal, Bobikin e Ivanov reconheceram fazer parte de uma unidade de artilharia que disparou contra alvos na região de Kharkiv, na Ucrânia, a partir da região de Belgorod, na Rússia. O bombardeio destruiu uma instituição de ensino na cidade de Derhachi, nos arredores de Kharkiv, segundo os procuradores.

Os militares, descritos como um motorista de artilharia e um artilheiro, foram capturados após cruzarem a fronteira russa-ucraniana e continuarem o bombardeio, afirmou o gabinete do procurador-geral.

"Sou completamente culpado dos crimes dos quais eu sou acusado. Nós abrimos fogo contra a Ucrânia a partir da Rússia", declarou Bobikin ao tribunal durante o julgamento transmitido ao vivo.

Em um apelo para não ser condenado à pena máxima de prisão, Ivanov disse: "Eu me arrependo e peço a redução da pena."

A audiência desta quinta-feira durou menos de uma hora. O veredicto está previsto para 31 de maio.

Soldado russo condenado

Este é o segundo julgamento por crimes de guerra desde o início do conflito na Ucrânia. Na segunda-feira, um tribunal ucraniano condenou um soldado russo à prisão perpétua por matar um civil desarmado.

Durante o julgamento em Kiev, o sargento Vadim Shishimarin, de 21 anos, se declarou culpado pela morte de um homem de 62 anos em 28 de fevereiro, apenas quatro dias após o início da invasão russa. O militar também pediu perdão à viúva da vítima e disse que disparou sob ordens de dois oficiais superiores.

De acordo com a acusação, Shishimarin comandava uma pequena unidade dentro de uma divisão de tanques. Após sua caravana de tanques ter sido atacada, ele e outros soldados roubaram um carro, e, de dentro do veículo, Shishimarin atirou contra a vítima, que teria testemunhado o roubo do automóvel.

Crimes de guerra

Os julgamentos têm um enorme significado simbólico para a Ucrânia, que acusou a Rússia de atrocidades e brutalidade contra civis durante a invasão e disse ter identificado mais de 10 mil possíveis crimes de guerra. A Rússia, por sua vez, nega ter mirado civis ou se envolvido em crimes de guerra.

A procuradora-geral da Ucrânia disse na semana passada que seu gabinete prepara casos contra 41 soldados russos por crimes de guerra, que incluem bombardear infraestrutura civil, matar civis, estupros e saques. Não está claro quantos dos suspeitos estão sob poder dos ucranianos e quantos seriam julgados à revelia.

Na semana passada, o Tribunal Penal Internacional (TPI) anunciou o envio de uma equipe de 42 especialistas à Ucrânia para investigar possíveis crimes cometidos pelas tropas russas desde o início da invasão ao país, em 24 de fevereiro.

Dias antes, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução para iniciar uma investigação sobre possíveis crimes de guerra cometidos pela Rússia na Ucrânia.

ek (Reuters, AFP)