″Sissi″: um clássico do cinema completa 65 anos | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 24.12.2020

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Cultura

"Sissi": um clássico do cinema completa 65 anos

Estrelada pela atriz alemã Romy Schneider, trilogia de filmes sobre a história da jovem imperatriz austríaca é uma tradição natalina na Alemanha até os dias de hoje.

Os atores Romy Schneider e Karl-Heinz Böhm em cena de Sissi

Com Romy Schneider no papel principal, trilogia se encarrega de levar o espírito natalino para o público alemão até hoje

A época do Natal chegou na Alemanha, e isso significa que é hora de assistir à trilogia Sissi, que conta a história de uma jovem imperatriz vienense com um sorriso radiante e olhos azuis brilhantes. Lançados na década de 1950 e estrelados por Romy Schneider no papel principal, os filmes dirigidos pelo austríaco Ernst Marischka se encarregam de levar o espírito natalino para o público alemão até hoje.

Na época de seu lançamento, numa Alemanha dividida do pós-guerra, os alegres filmes sobre Sissi representavam um bálsamo para a alma de uma nação fragmentada. Hoje, eles continuam sendo clássicos de um típico feriado agradável.

Completamente irrelevante para os fãs da atualidade é o quanto o diretor distorceu a realidade histórica. Na vida real, a história de amor entre Elisabeth e Franz Josef, governantes da dinastia dos Habsburgo, não renderia "nem mesmo um curta-metragem", conforme escreveu o jornal Wiesbadener Tagblatt em 1957, quando a Áustria orgulhosamente apresentou o terceiro filme de Sissi no Festival de Cannes. No entanto, a crítica estava enganada.

Romy Schneider e Karlheinz Böhm em cena de Sissi

Na Áustria e na Alemanha, "Sissi" virou tradição

Um sucesso de bilheteria

Um dia após a estreia bem-sucedida em Viena, na Áustria, em 1955, o primeiro filme, Sissi, foi lançado nos cinemas alemães. A história da charmosa adolescente bávara que entra para a realeza austríaca ganhou a continuação com dois outros filmes de sucesso detalhando a vida da jovem imperatriz: Sissi, a imperatriz, em 1956, e Sissi e seu destino, em 1957.

Os longas, que acabariam lançando a atriz alemã Romy Schneider ao estrelato, foram uma verdadeira sensação nas bilheterias. Embora os números exatos não estejam disponíveis, estima-se que eles atraíram 25 milhões de espectadores aos cinemas.

O enredo detalha os primeiros anos da imperatriz Elisabeth, da dinastia dos Habsburgo, e é baseado no romance homônimo da autora Marie Blank-Eismann, publicado na Alemanha em 1952 em duas partes. O livro também já havia ganhado vida em 1933 na forma de uma história ilustrada na revista Blütenregen.

Recepção pela crítica

A crítica acusou o diretor de carregar muito no kitsch, mas alguns discordam. Embora seja verdade que os filmes não oferecem uma representação totalmente fiel da monarquia austro-húngara, a trama central está correta, incluindo a rápida alienação da jovem Elisabeth da corte vienense, seu entusiasmo pela Hungria, suas escapadas ao exterior e sua antipatia pela vida na realeza. "Não quero me tornar imperatriz! Quero viver livremente, sem restrições!", diz Sissi no filme.

Acima de tudo, a trilogia de Ernst Marischka trouxe elementos clássicos de Hollywood para o cinema europeu, fazendo uso de belas imagens para contar histórias comoventes, e deixando assim a sua marca na história da sétima arte.

Recorte de um famoso retrato de Elisabeth, Imperatriz da Áustria e Rainha da Hungria, mais conhecida como Sissi, feito em pintura a óleo por Franz Xaver Winterhalter

A Netflix também prepara um longa sobre a imperatriz

Com o tempo, porém, a atriz alemã Romy Schneider passou a desgostar do papel que a tornou famosa, pois ele acabaria ofuscando sua carreira posterior. "Eu amava o papel naquela época", disse Schneider mais tarde numa entrevista. "Eu era a princesa, e não apenas na frente das câmeras. Eu era sempre uma princesa. Até que um dia, eu simplesmente não queria mais ser uma princesa", revelou.

Karlheinz Böhm, o ator que interpretou seu marido monarca, também chegou a reclamar que a produção levou o público para um "mundo de porquinhos de marzipã cor-de-rosa", uma alusão ao tradicional doce de amêndoas alemão dado no Ano Novo para desejar boa sorte. Böhm, pelo menos, conseguiu se libertar da imagem de bom moço ao interpretar um assassino psicopata no filme A tortura do medo, de 1960.

Ainda hoje, o fascínio em torno de Sissi continua vivo. A Netflix planeja inclusive uma adaptação da vida da imperatriz austríaca, com a atriz alemã Devrim Lingnau no papel principal. Enquanto isso, durante as celebrações de Natal, as casas de muitas famílias na Alemanha e na Áustria continuarão vidradas na telinha para preencher o intervalo entre um assado natalino e o café da tarde com cenas do romance imperial.

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