Ser ou subsistir: novo documento do Vaticano irrita protestantes | Notícias internacionais e análises | DW | 11.07.2007
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Mundo

Ser ou subsistir: novo documento do Vaticano irrita protestantes

Documento publicado pelo papa, reafirmando a Igreja Católica como a única Igreja de Jesus Cristo, provoca reações de católicos, repulsa de protestantes e elogios de ortodoxos russos.

Papel do Vaticano reafirma Igreja Católica como 'a' Igreja de Jesus Cristo

Papel do Vaticano reafirma Igreja Católica como 'a' Igreja de Jesus Cristo

No princípio era o verbo. Para tirar dúvidas sobre a questão se Jesus Cristo "subsiste na" ou "é" a Igreja Católica, o Vaticano divulgou, na terça-feira (10/07), o documento Respostas a perguntas sobre alguns aspectos relativos à teoria da Igreja.

Poucos dias após a assinatura do documento papal que reabilita a missa em latim, o Vaticano reafirma seu curso conservador e retira o status de "Igreja" de todas as outras Igrejas que não sejam a Igreja Católica.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana da Alemanha (EKD) e diversas organizações avaliam o documento como um contragolpe ao ecumenismo. No entanto, o presidente da Conferência dos Bispos da Alemanha, cardeal Karl Lehmann, defendeu a posição do Vaticano, explicando que o papel daria "espaço para que outras Igrejas fossem consideradas não só moralmente, mas também de forma teológica".

Visão diferenciada

Kardinal Karl Lehmann im Hauptstadtstudio

Cardeal Karl Lehmann

Em declaração, o cardeal Lehmann explica que o documento vem a tirar dúvidas lançadas, desde o Concílio Vaticano 2°, quando a afirmação de que "Jesus Cristo é ('est') a Igreja Católica" foi trocada pela formulação "Jesus Cristo subsiste ('subsistit') na Igreja Católica".

Segundo o cardeal, esta decisão do Concílio levava em conta a existência de elementos eclesiais também em outras comunidades de fé. A afirmação de que Jesus Cristo também "subsistiria" em outras comunidades sempre foi rejeitada pelo Vaticano.

Lehmann explica que, após o Concílio Vaticano 2°, esta visão diferenciada foi freqüentemente esclarecida. Como, por exemplo, nas declarações da Congregação para a Doutrina da Fé Dominus Jesus (2000) ou nas notificações sobre o livro do teólogo Leonardo Boff Igreja: carisma e poder – Ensaios de Eclesiologia Militante.

Protetora contra os perigos

Como sucessora da Sacra Congregação da Inquisição Universal, a Congregação para a Doutrina da Fé tem por objetivo defender a doutrina católica, protegendo-a de eventuais perigos. Até sua eleição como papa Bento 16, a Congregação foi presidida pelo cardeal Joseph Ratzinger.

Para o presidente da EKD o bispo berlinense Wolfgang Huber, o novo documento do Vaticano é "uma versão não modificada das declarações ofensivas de Dominus Jesus", que reafirmou a unicidade e prevalência da Igreja Católica.

A declaração da Congregação para a Doutrina da Fé de que a Igreja da Reforma – ou seja, que os protestantes não seriam "Igreja" no sentido próprio da palavra – provocou sérias críticas por parte tanto de protestantes como de organizações ecumênicas.

"Nós somos Igreja"

Bischöfin mit Nonnen in Deutschland

Bispa Kässmann: 'silenciador para ecumênicos'

O movimento católico de reforma "Nós somos Igreja" comenta que o documento é um "novo tapa na cara dos ecumênicos". Segundo o porta-voz Christian Weisner, isto seria uma afronta para todos os protestantes. "Devido a sua pretensão – teologicamente mais do que questionável – de única representante, a Igreja Católica deve se perguntar sobre a importância dos ecumênicos e da disposição de diálogo", afirmou o porta-voz.

A bispa luterana de Hannover, Margot Kässmann, caracterizou o novo papel do Vaticano como um "silenciador para ecumênicos". Um documento como este, nos dias de hoje, seria "fatal para o ecumenismo", afirmou a bispa para a TV NDR, acrescentando que "Nós somos, segundo nossa compreensão, Igreja, com certeza".

A secretária-geral da Jornada Evangélica Alemã, Ellen Ueberschär, explicou que o documento do Vaticano "não animou" as expectativas da 2ª Jornada Ecumênica, a ser realizada em Munique, em 2010. Segundo Ueberschär, os ecumênicos nas paróquias estariam muito mais adiantados do que as publicações do Vaticano querem fazem acreditar".

"Um diálogo teológico honesto"

O Vaticano salientou que o texto não traz novas posições, mas que, simplesmente, reavivaria a já conhecida atitude de Roma. Elogios ao novo documento da Congregação para a Doutrina da Fé vieram da Igreja Ortodoxa Russa, que enalteceu o texto do Vaticano por seu posicionamento claro.

O documento mostraria "quão perto e, respectivamente, quão longe nós estamos uns dos outros", afirmam os ortodoxos. O texto seria uma condição prévia para "um diálogo teológico honesto". Assim como o Vaticano, o patriarcado moscovita também se baseia na "sucessão apostólica", que agora o documento romano reafirma como sendo privilégio da Igreja Católica. (ca)

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