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Catolicismo

Hajo Goetz (gh)17 de abril de 2007

'Jesus de Nazaré', a nova obra de Bento 16, deve se transformar num sucesso de vendas nos meios eclesiásticos. Livro contraria interpretações científicas e versões literárias da figura de Jesus Cristo.

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Livro 'Jesus de Nazaré' é criticado por biblicistasFoto: AP

O papa Bento 16 vê com muito ceticismo a atual situação moral e espiritual da Alemanha e do Ocidente. "A República Federal da Alemanha partilha com todo o mundo ocidental a situação de uma cultura caracterizada pela secularização", escreveu no livro Jesus de Nazaré, que acaba de ser lançado na Alemanha, na Itália e na Polônia.

O objetivo declarado do papa é incentivar o surgimento de uma nova consciência religiosa. Ele começou a escrever o livro em 2003, quando ainda era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o concluiu como papa.

Seis décadas de pesquisa teológica

Este fato foi ressaltado pelo presidente da Conferência dos Bispos Alemães, cardeal Karl Lehmann, que apresentou a edição alemã. "De fato, o surpreendente é que o papa não só compila doutrinas e sermões sobre Jesus Cristo, mas também escreve e publica uma obra ampla e mais ou menos sistematizada em forma de livro", disse.

Numa de suas homilias, Bento 16 já havia mencionado a idéia central do livro. "Através de Jesus Cristo, sabemos quem é Deus e entramos em contato com ele. Num tempo de diversificados encontros religiosos, facilmente nos sentimos tentados a enfraquecer ou até a esconder essa profissão de fé central", disse.

Nas 448 páginas de Jesus de Nazaré, o autor faz uma introdução ao Novo Testamento. Com sua interpretação dos evangelhos, que contém alguns aspectos surpreendentes, Bento 16 tenta mostrar quem foi o Jesus de Nazaré histórico e quem ele é hoje para os cristãos. O livro é o resultado de aproximadamente seis décadas de pesquisa teológica, mas não é propriamente uma obra científica.

Kardinal Karl Lehmann im Hauptstadtstudio
Cardeal Karl Lehmann elogia a obra de Bento 16Foto: DW

Em linguagem refinada, Bento 16 tenta alcançar também os leigos. "O papa escreveu um livro muito ponderado, sutil e empolgante, que pretende – e com certeza conseguirá – convencer muitas pessoas a seguir o caminho de Jesus", afirmou Lehmann. "O cristianismo não é primordialmente um sistema ético-dogmático de regras morais e, sim, uma pessoa concreta que nos convida a segui-la", acrescentou.

Além do método histórico-crítico?

Críticos que já analisaram a obra acusam o autor Joseph Ratzinger de cometer erros científicos. Sua representação do Jesus dos evangelhos não corresponderia às conclusões das ciências bíblicas histórico-críticas.

Segundo Lehmann, esse aspecto deverá esquentar as discussões sobre o livro do papa. "Com certeza, o debate científico dos próximos meses se ocupará de avaliar até que ponto Bento 16 consegue respeitar o método histórico-crítico e seus resultados e, ao mesmo tempo, ir além dele", disse.

O livro é visto como tentativa de contrariar perspectivas políticas da figura de Jesus e rebater versões veiculadas por romances como O Código Da Vinci. Mas a obra pode ser discutida e contestada. "Qualquer pessoa é livre para me contradizer", escreveu o papa. Ele disse não ter recorrido à autoridade papal para sustentar seus argumentos, o que também é considerado uma surpresa.