Separação forçada de famílias na fronteira gera indignação nos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 18.06.2018
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Estados Unidos

Separação forçada de famílias na fronteira gera indignação nos EUA

Política migratória de tolerância zero implementada pelo governo Trump separa filhos de pais detidos na fronteira. Para críticos, objetivo é pressionar oposição a aprovar medidas anti-imigração mais rígidas.

Cerca de 2 mil crianças foram separadas de suas famílias

Cerca de 2 mil crianças foram separadas de suas famílias

A separação de centenas de crianças de seus pais na fronteira dos EUA com o México, como resultado de uma política migratória de tolerância zero do governo do presidente Donald Trump, vem gerando indignação nos EUA. Tanto democratas quanto republicanos criticaram a medida, que gerou protestos pelo país no fim de semana e foi condenada até mesmo pela primeira-dama, Melania Trump.

Cerca de 2 mil crianças foram separadas de suas famílias desde abril, quando o procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, anunciar a política de tolerância zero do governo federal. A medida prevê que todos os detidos ao tentarem cruzar ilegalmente a fronteira, incluindo requerentes de refúgio, sejam indiciados.

A política resulta na separação das crianças, que não são alvo de uma acusação criminal, dos adultos de suas famílias, e não há procedimentos claros para a reunificação entre os familiares. Os menores de idade são, geralmente, mantidos em instalações do governo ou colocadas sob adoção temporária.

O governo afirma que a estratégia é necessária para trazer segurança à fronteira, além de ser uma forma de intimidar os que planejam entrar ilegalmente no país. Líderes religiosos, ativistas, e profissionais da saúde alertam, no entanto, para os efeitos dos traumas de longa duração que a separação pode causar.

As imagens de crianças vivendo em edificações improvisadas e barracas de abrigo para migrantes geraram um grande mal-estar no país e deram maior ênfase ao debate político sobre a imigração.

Melania Trump, que não costuma fazer declarações públicas, se pronunciou sobre o caso através de sua assessoria. Sua diretora de comunicações, Stephanie Grisham, disse que a primeira-dama "detesta ver crianças separadas de suas famílias e espera que ambos os lados [republicanos e democratas] possam finalmente se juntar para alcançar uma reforma migratória bem-sucedida".

"Temos que ser um país que segue as leis, mas também um país governado com o coração", disse Melania, citada pela porta-voz.

Trump tentou jogar a culpa para o Partido Democrata, afirmando que o apoio da oposição a uma legislação mais ampla sobre a imigração poderia pôr fim às separações das famílias de migrantes na fronteira.

No Twitter, o presidente afirmou que "os democratas podem consertar as divisões familiares forçadas na fronteira se trabalharem com os republicanos numa nova legislação".

Os democratas, por sua vez, acusam o presidente de transformar as crianças em "reféns políticos" para forçar a aprovação de medidas anti-imigração mais rígidas, incluindo o financiamento da construção do controverso muro na fronteira com o México, uma das maiores promessas de campanha de Trump.

"Pare de mentir para os americanos. Essa política é sua", disparou o congressista democrata Hakeem Jeffries.

Neste domingo – data em que foi comemorado o Dia dos Pais nos Estados Unidos –, sete congressistas democratas se juntaram a centenas de manifestantes em frente a um centro de detenção de migrantes em Nova Jersey para protestar contra as separações de adultos e crianças da mesma família. "Isso não deve nos representar como nação", afirmou no protesto o congressista Jerrold Nadler.

Outro democrata, o texano Beto O'Rourke, liderou uma marcha até um dos locais onde foram erguidos os barracões para abrigar as crianças. Ele qualificou a situação no local como desumana e "anti-americana".

As críticas, no entanto, não partiram apenas dos democratas. "É traumático para as crianças, que são vítimas inocentes, e contraria os valores de nosso país", observou a senadora republicana Susan Collins.

Nesta terça-feira, o presidente deve se reunir com os congressistas do Partido Republicano para discutir a repercussão negativa da política.

RC/rtr/ap

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