Sem provas, Salles insinua que Greenpeace é culpado por manchas de óleo | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 24.10.2019
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Brasil

Sem provas, Salles insinua que Greenpeace é culpado por manchas de óleo

Criticado pela gestão da crise no litoral do Nordeste, ministro do Meio Ambiente volta a atacar ONG, que anuncia que pretende entrar na Justiça contra Salles. Insinuação foi alvo de reprimenda do presidente da Câmara.

Brasiliens Umweltminister Ricardo Salles (Agência Brasil)

Ao insinuar culpa do Greenpeace, Salles segue caminho similar ao de Bolsonaro, que tentou responsabilizar, também sem provas, ONGs por queimadas na Amazônia

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, voltou nesta quinta-feira (25/10) a atacar o Greenpeace, uma das principais ONGs ambientais do mundo. Sem apresentar qualquer prova, ele insinuou, em mensagem no Twitter, que a organização pode estar por trás das manchas de óleo que atingem o litoral do Nordeste desde o início de setembro.

"Tem umas coincidências na vida né... Parece que o navio do #greenpixe estava justamente navegando em águas internacionais, em frente ao litoral brasileiro bem na época do derramamento de óleo venezuelano…(sic)" escreveu Salles.

Junto ao texto, o ministro ainda publicou uma foto do navio Esperanza, que pertence à ONG, dando a entender que a foto é atual. Porém, a imagem é de 2016 e foi tirada no Oceano Índico.

Essa é a segunda vez em três dias que o ministro usa as redes sociais para fazer insinuações – sem provas – contra o Greenpeace. Na terça-feira, ele já havia publicado a versão editada de um vídeo originalmente publicado pelo Greenpeace Brasil, insinuando que o grupo não estava atuando nos esforços de combate ao óleo.

O vídeo publicado por Salles, porém, era mais curto que o original e suprimia um trecho em que um porta-voz falava claramente que voluntários do Greenpeace estavam atuando na limpeza das praias.

Na quarta-feira, Salles também chamou os membros da ONG de "ecoterroristas" após o grupo organizar um protestoem frente ao Palácio do Planalto.

O Greenpeace, assim como outras ONGs e governos estaduais do Nordeste, vem criticando o governo Bolsonaro pela demora e falta de ações efetivas para conter o desastre ambiental no Nordeste.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Salles só acionou o Plano Nacional de Contingência do governo federal, uma diretriz criada em 2013 para lidar com situações de emergência como a do vazamento de óleo, 41 dias depois de terem surgido as primeiras manchas de petróleo no litoral nordestino.

Já o G1 apontou que o departamento responsável por definir estratégias para emergências ambientais no Ministério do Meio Ambiente ficou sem chefe por seis meses neste ano. O cargo de direção do Departamento de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos só foi ocupado 35 dias depois do início da crise no litoral nordestino.

Ao insinuar que o Greenpeace teria alguma relação com as manchas de óleo, Salles adotou uma tática similar à do presidente Jair Bolsonaro, que em agosto insinuou - também sem provas - que ONGs estariam por trás das queimadas que castigavam a Amazônia. À época, Bolsonaro também estava sendo alvo de críticas pela falta de ação para conter o desmatamento e o fogo.

Em nota, o Greenpeace afirmou que pretende tomar "medidas legais cabíveis" contra o ministro. "As autoridades têm que assumir responsabilidade e responder pelo Estado de direito pelos seus atos", disse a ONG.

O Greenpeace ainda apontou que o navio Esperanza "faz parte de uma campanha internacional chamada ‘Proteja os Oceanos', que saiu do Ártico e vai até a Antártida ao longo de um ano, denunciando as ameaças aos mares. A ONG ainda afirmou que a embarcação passou pela Guiana Francesa, entre agosto e setembro, onde realizou uma expedição de documentação e pesquisa do sistema de recifes da Amazônia.

Segundo o Greenpeace, a embarcação não tem capacidade para armazenar e transportar uma carga de centenas de toneladas de petróleo. Segundo a Marinha, na última segunda-feira já haviam sido retiradas no litoral nordestino 900 toneladas de óleo cru. 

"Enquanto o óleo continua atingindo as praias do Nordeste, o ministro Ricardo Salles nos ataca fazendo insinuações sobre o desastre ecológico. Trata-se, mais uma vez, de criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação. É bom lembrar que isso vem de alguém conhecido por mentir que estudava em Yale e ser condenado na Justiça por fraude ambiental", disse.

A insinuação de Salles ainda rendeu uma reprimenda do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Em uma mensagem no Twitter, Maia escreveu ao ministro: "Estamos esperando uma posição oficial do Ministério do Meio Ambiente". Pouco depois, Salles respondeu, baixando um pouco o tom da sua insinuação, desta vez afirmando, novamente sem provas, que o navio do Greenpeace "não (sic) se prontificou a ajudar" na passagem pelo litoral do Nordeste quando apareceram as primeiras manchas.

Maia agradeceu pela resposta, mas disse que o tuíte do ministro fez "uma ilação desnecessária".

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