″Sei muito bem qual lugar que a história me reserva″, diz Lula | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.04.2019
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Brasil

"Sei muito bem qual lugar que a história me reserva", diz Lula

Em primeira entrevista desde que foi preso há um ano, ex-presidente reitera inocência, além de criticar Sergio Moro e atual governo. "Folha de S.Paulo" e "El País" conversaram com petista na carceragem PF em Curitiba.

Antes de ser preso, em 7 de abril de 2018, Lula participou de comício

Antes de ser preso, em 7 de abril de 2018, Lula participou de comício

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu sua inocência, criticou Sérgio Moro e o atual governo e demonstrou preocupação com o futuro do Brasil em sua primeira entrevista desde que foi preso em abril do ano passado. O petista foi entrevistado nesta sexta-feira (26/04) pelos jornais Folha de S.Paulo e El País.

"Sei muito bem qual lugar que a história me reserva. E sei também quem estará na lixeira", declarou Lula aos jornais durante a entrevista que foi realizada na carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena.

O petista reiterou ser inocente e fez críticas ao ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, que o foi responsável por sua primeira condenação, e ao procurador da Deltan Dallagnol da Operação Lava Jato. Em julho de 2017, Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão no caso do tríplex no Guarujá.

Na sentença, o ex-juiz entendeu que Lula foi beneficiário de propina paga pela empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras. Esses valores, que somam mais de 3,7 milhões de reais, não foram pagos em espécie, mas por meio da compra e reforma de um apartamento no Guarujá, segundo o atual ministro.

"O Moro tem certeza que sou inocente. O Dallagnol tem certeza que é mentiroso", afirmou e acrescentou que acredita que será inocentando no Supremo Tribunal Federal (STF). "Só quero que as pessoas julguem em função das provas", disse.

O ex-presidente contou que decidiu permanecer no Brasil após a condenação por ter certeza de sua inocência e disse que acatou a ordem de prisão com tranquilidade. "Fico preso cem anos, mas não troco minha dignidade pela minha liberdade. Quero provar a farsa montada".

Lula destacou que tem "obsessão" por "desmascarar Moro", mas ressaltou que não tem ódio ou guarda mágoas. Ao ser questionado sobre a possibilidade de não sair mais da prisão, respondeu que dorme com a consciência tranquila, algo, que segundo ele, o ex-juiz não conseguiria. O petista afirmou ainda que Moro não sobreviverá na política.

O ex-presidente também comentou o episódio no qual Moro, durante uma audiência na Câmara dos Deputados, erra duas vezes ao falar a palavra cônjuge. "Sempre riram de mim porque eu falava 'menas'. Agora, o Moro falar 'conje' é uma vergonha", opinou.

Críticas ao governo

Durante a entrevista que durou mais de duas horas, Lula fez algumas críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro, alegando que o país está sendo governado por "um bando de maluco".

"Vamos fazer uma autocrítica geral nesse país. O que não pode é esse país estar governado por esse bando de maluco que governa o país. O país não merece isso e sobretudo o povo não merece isso", ressaltou.

O ex-presidente disse ainda que o país alcançou atualmente o nível mais baixo de política externa e brincou que seu ex-chanceler Celso Amorim tem uma dívida por ter deixado Ernesto Araújo seguir carreira no Itamaraty.

"Tenho orgulho e sonhei grande porque passei a ser um presidente muito respeitado. Sonhava em criar um bloco na América do Sul para termos força nas negociações com União Europeia, Estados Unidos e China. Individualmente somos muito fracos. O Brasil foi muito importante no G20 e tudo isso se desmanchou", destacou.

Lula também disse estar mais preocupado com a situação do país do que com o momento que enfrenta. "Eu posso brigar, mas o povo nem sempre pode". 

Sobre Bolsonaro, o petista disse que o ex-militar precisa construir um partido sólido para se perdurar. Afirmou que acompanha as trocas de farpas entre os filhos do presidente e seu vice, o general Hamilton Mourão, a quem chegou a agradecer ao falar sobre a morte de seu neto.

Mourão defendeu publicamente a ida de Lula ao velório do menino de 7 anos que faleceu no início de março. Ao falar do neto, o ex-presidente se emocionou. "Eu às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Porque eu já vivi 73 anos, eu poderia morrer e deixar meu neto viver."

O pedido de entrevista a Lula foi feito pela Folha de S.Paulo e pelo El País há oito meses e só foi autorizado depois de uma batalha jurídica. Na semana passada, o presidente do Supremo Tribunal Federal (SFT), Dias Toffoli, liberou o pedido, revogando uma suspensão determinada em setembro do ano passado pelo ministro Luiz Fux. 

A condenação

Lula está preso desde 7 de abril de 2018 em Curitiba. Ele foi condenado em segunda instância, em janeiro do ano passado, a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo que envolve um triplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações.

Nesta terça-feira, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, manter a condenação do ex-presidente, mas reduziu um quarto da pena, abrindo a possibilidade de que o petista venha a progredir para o regime semiaberto (quando o preso pode deixar a prisão durante o dia) já a partir de setembro deste ano, após cumprir um ano e meio de prisão. 

No início de fevereiro, ele foi novamente condenado novamente, em primeira instância, por corrupção e lavagem de dinheiro, desta vez no processo referente a reformas realizadas num sítio em Atibaia, no interior de São Paulo.

Ao todo, Lula enfrenta oito ações penais – contando os dois casos em que já foi condenado e que aguardam recurso – e mais duas denúncias criminais. A denúncia mais recente foi apresentada em dezembro, e envolve acusação de que o ex-presidente recebeu 1 milhão de reais para intermediar negócios entre o governo da Guiné Equatorial e uma construtora brasileira.

Em março deste ano, foi a vez de Lula ser indiciado pela PF por suspeita de tráfico de influência e lavagem de dinheiro no âmbito da investigação que apura repasses milionários da empreiteira Odebrecht para a empresa de um de seus filhos.

CN/afp/ots

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