Secretário da Cultura copia discurso de ministro de Hitler e gera polêmica | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 17.01.2020
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Brasil

Secretário da Cultura copia discurso de ministro de Hitler e gera polêmica

Roberto Alvim parafraseia trecho de discurso de Joseph Goebbels para divulgar novo Prêmio Nacional das Artes e é criticado nas redes sociais. Rodrigo Maia e Confederação Israelita pedem afastamento de secretário.

Roberto Alvim

"A arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional", disse Alvim, em fala semelhante à de Goebbels

O governo do presidente Jair Bolsonaro se viu nesta sexta-feira (17/01) envolvido em mais uma polêmica associada ao nazismo, depois de o secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, ter copiado um trecho de um discurso do líder nazista Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler.

Alvim postou um vídeo para divulgar o recém-criado Prêmio Nacional das Artes. Nele, parafraseia um trecho de um discurso de Goebbels, proferido em Berlim, em 8 de maio de 1933, perante diretores de teatros alemães.

"A arte alemã da próxima década será heroica, será ferrenhamente romântica, será desprovida de sentimentalismo e objetiva, será nacional com um grande pathos e será ao mesmo tempo imperativa e vinculante – ou não será", disse Goebbels no discurso, que é reproduzido em vários livros sobre o nazismo.

Adolf Hitler e Joseph Goebbels

Hitler e Goebbels em novembro de 1933

"A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada", afirma Alvim no vídeo.

Usuários de redes sociais criticaram o secretário e também fizeram comentários sobre a estética do vídeo, a aparência do secretário, seu tom de voz e a música de fundo, de Richard Wagner, o compositor favorito de Hitler.

No início do vídeo, o secretário aparece ao lado de uma cruz e de uma bandeira brasileira, tendo ao fundo a foto oficial do presidente Jair Bolsonaro.

O vídeo também criticado por políticos. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse que Alvim passou dos limites e pediu o seu afastamento. "É inaceitável. O governo brasileiro deveria afastá-lo urgentemente do cargo", disse Maia.

A Confederação Israelita do Brasil também pediu o afastamento de Alvim e disse ser inaceitável usar um discurso nazista. "Emular a visão de Goebbels é um sinal assustador", afirmou a instituição.

"Uma pessoa com esse pensamento não pode comandar a cultura do nosso país e deve ser afastada do cargo imediatamente", afirmou a confederação.

Após a polêmica, Alvim afirmou que a semelhança das falas foi apenas uma coincidência e acusou a esquerda de estar fazendo "uma falácia de associação remota" para desacreditar o novo prêmio. "Foi apenas uma frase do meu discurso na qual havia uma coincidência retórica. Eu não citei ninguém, alegou.

Apesar de ressaltar que a semelhança não passou de coincidência e que jamais citaria um ministro de Hitler, o secretário elogiou a retórica de Goebbles. "A frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo é o que queremos ver na Arte nacional", completa.

Ao ser questionado pelo jornal Folha de S.Paulo, o Planalto afirmou que não comentará o vídeo.

Goebbels era uma das pessoas mais próximas de Hitler e considerado por muitos historiadores como o número 2 do regime nazista. Ele foi o ministro da Propaganda do nazismo, tendo ficado famoso pela sua oratória e seu profundo antissemitismo.

Em 1º de maio de 1945, ele e a esposa, Magda, cometeram suicídio em Berlim, depois de matarem os seis filhos do casal por envenenamento.

AS/ots

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