Rodrigo Maia: um aliado de Temer, mas não um cacique | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 02.02.2017
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Brasil

Rodrigo Maia: um aliado de Temer, mas não um cacique

Deputado era o preferido do Planalto para presidência da Câmara. Mas foi eleito costurando apoio de parte da oposição e já prometeu votar temas como previdência "com tranquilidade". Lava Jato está no seu encalço.

Brasilien - Rodrigo Maia (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil )

O deputado, agora primeiro na linha sucessória presidencial, se mantave na chefia da Câmara por seu discurso de conciliação

O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) conseguiu chegar à Presidência da Câmara dos Deputados após habilidosa costura com parlamentares e partidos de diversos espectros políticos, da base de apoio do presidente Michel Temer (PMDB) à oposição.

Aos 46 anos, Maia está no quinto mandato parlamentar. Conhece bem os meandros da política e do Congresso, tendo se espelhado, ao iniciar sua carreira, na atuação do pai, César Maia (DEM-RJ), ex-deputado federal Constituinte e hoje vereador no Rio. Na ditadura, César Maia, militante do Partido Comunista Brasileiro, exilou-se no Chile. Rodrigo Maia nasceu em Santiago.

O deputado, primeiro na linha sucessória da presidência da República, conseguiu se manter na chefia da Câmara por seu discurso de conciliação. Elegeu-se com 293 votos e apoio explícito de 13 partidos, no primeiro turno. Ele estava no comando da Câmara desde julho de 2016, escolhido para um mandato emergencial após a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Agora, ao tentar se manter no cargo, fez questão de agradecer a parlamentares da oposição e da base. Salientou a existência de diferentes pontos de vista e ideias entre os parlamentares, com os quais conseguiu governar nos últimos sete meses. Ele rejeitou o radicalismo nas relações pessoais que, afirmou, tinham levado a Câmara a um clima "nunca antes visto”.

Candidato preferido do Planalto, Maia deixou claro que vai se empenhar na votação das duas reformas consideradas pelo governo Temer essenciais para a retomada da economia, a previdenciária e a trabalhista. O momento, segundo Maia, exige um "parlamento reformista”. Porém, o presidente da Câmara não é nenhum produto do ninho do PMDB, nenhum cacique da esfera de Temer.

Maia já disse que temas delicados como a previdência serão debatidos no Congresso com "toda tranquilidade do mundo”. Buscou enfatizar que o fortalecimento da Câmara – ou melhor, a sua credibilidade perdida – é algo que interessa a qualquer político de bom senso, a despeito do ponto de vista ideológico, "de quem pensa mais à direita ou mais à esquerda”. Essas duas reformas devem consumir as atenções dos parlamentares durante todo o semestre.

Na Lava Jato, o "Botafogo"

Assim como a maioria dos políticos brasileiros na atualidade, Rodrigo Maia também tem a Operação Lava em seu encalço, ainda que ele não responda a nenhum inquérito e não seja réu em nenhuma ação penal até o momento.

A imprensa divulgou trechos da delação premiada feita por Cláudio Mello Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Odebrecht, em que Maia é identificado como "Botafogo”, o time carioca do qual é torcedor. O executivo da Odebrecht afirma ter pago 100 mil reais a Maia para quitar dívidas de campanha quando disputou a prefeitura do Rio de Janeiro. Ele nega.

Outro obstáculo que Maia ainda terá que vencer é sobre a legitimidade de sua candidatura. O regimento da Câmara prevê que um deputado não pode disputar a reeleição na mesma legislatura. Maia argumenta que a eleição do ano passado foi para um mandato-tampão e, portanto, não deve ser considerada.

Adversários do presidente da Câmara levaram o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um dia antes da eleição, o ministro Celso de Mello, do STF, indeferiu liminar que pedia a retirada da candidatura de Maia. Foi uma vitória parcial, pois o mérito ainda terá que ser julgado no plenário da corte.

Força da direita

O fortalecimento político de Rodrigo Maia é a ressurreição do DEM, o antigo PFL, partido cuja defesa de teses econômicas liberais o colocava na posição de antípoda do PT. Foi no boom do PT no Brasil que o DEM viveu um processo de profunda desidratação política.

Maia assumiu o comando do partido justamente quando seus antigos líderes tentavam "repaginar” a sigla, mudando o nome e o comando. Jovem, ligado ao antigo presidente do PFL Jorge Bornhausen, Rodrigo Maia era visto como um político capaz de "oxigenar” a direita naquele momento de hegemonia do PT.

Ironicamente, os partidos adversários do DEM ao longo de sua trajetória política acabaram aderindo à candidatura de Maia, como o PC do B. O PT ficou dividido. Oficialmente, apoiou outro candidato, André Figueiredo (PDT-CE), mas eram esperados votos da bancada para o deputado do DEM.

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