RB Leipzig é campeão de inverno para desespero dos tradicionalistas | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 25.12.2019
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Coluna Halbzeit

RB Leipzig é campeão de inverno para desespero dos tradicionalistas

Pela primeira vez em dez anos, o campeão de inverno da Bundesliga não se chama Borussia Dortmund nem Bayern Munique. Mas segmentos da torcida não veem com bons olhos esse time que pertence a uma empresa transnacional.

Fußball Bundesliga | Borussia Dortmund vs RB Leipzig (imago images/J. Huebner)

Timo Werner, jogador do RB Leipzig e vice-artilheiro da Bundesliga com 18 gols

Pela primeira vez em dez anos, o campeão de inverno da Bundesliga não se chama Borussia Dortmund nem Bayern Munique. A última vez que um pequeno desbancou esses dois grandes ao final do primeiro turno foi o Hoffenheim em 2008.

Não que esse título simbólico valha grande coisa, mas apaixonados por estatísticas gostam de lembrar que, em 66% dos casos, a equipe que termina a primeira metade do campeonato na liderança, acaba por levantar a cobiçada salva de prata ao final da competição.

De todo modo, o que esse clube de retorta chamado RB Leipzig alcançou desde a sua fundação há apenas dez anos pode ser considerado histórico. É digno de nota. E é bom que se diga, não foi apenas uma questão de dinheiro.

Trata-se também de muita competência no "scouting” que resultou numa equipe altamente competitiva. É um time consistente formado por um coletivo de jogadores que prezam o espetáculo e o futebol atraente. Jogam bonito sem necessidade de terem grandes astros do futebol mundial em suas fileiras.

A intensidade do futebol ofensivo praticado pelos comandados do jovem técnico Julian Nagelsmann é inquestionável. Nas últimas oito partidas do primeiro turno, o Leipzig marcou 31 gols, uma média de quase quatro gols por jogo.

Alguns teóricos do futebol afirmam sem pestanejar que o time que marcar mais gols no decorrer do torneio acaba por conquistar o título de campeão. Nesse quesito o Leipzig está bombando na atual temporada. Já anotou 48 gols em 17 confrontos. O ataque dos Red Bulls é um colírio para os olhos do torcedor. Ostenta o setor ofensivo mais eficiente e a terceira defesa menos vazada do campeonato.

Nagelsmann, de apenas 32 anos, logo depois da vitória sobre o Augsburg por 3 a 1 sábado último, foi cuidadoso na sua análise e não se deixou levar por prematura euforia: "Ainda não exploramos todo nosso potencial. Sabemos que não estamos prontos. Precisamos dar mais alguns passos rumo ao nosso desenvolvimento. Merecemos estar onde estamos, mas não podemos esquecer que não ganhamos nem do Bayern e nem do Dortmund. Vamos ter que vencer esses dois, caso contrário dificilmente chegaremos ao título”.

Sábias palavras de um jovem técnico com os pés no chão.

Mesmo com todo o sucesso, ou talvez até por causa dele, segmentos significativos da torcida não veem com bons olhos o desenvolvimento deste projeto inovador patrocinado por uma empresa transnacional de energéticos.  Os tradicionalistas não se esquecem da origem do clube que, mais ou menos por acaso, fincou suas estacas em Leipzig como poderia ter fincado em qualquer outra cidade da Alemanha.

Na opinião de muitos, o RB Leipzig carece de legitimidade por não ter sido fundado a partir dos anseios de grupos representativos da sociedade local, seja de uma cidade ou apenas de um bairro. Esquecem, entretanto, que essa visão romântica do futebol já faz parte do passado e pouco tem a ver com a extrema comercialização do futebol profissional, não apenas na Alemanha, mas no mundo inteiro. 

Clubes como Wolfsburg, Hoffenheim e Leverkusen, por exemplo, não sobreviveriam sem o apoio financeiro massivo de empresas como Volkswagen, SAP e Bayer, respectivamente. O próprio Borussia Dortmund é o braço esportivo de uma empresa que negocia suas ações na Bolsa de Valores e o Bayern Munique, tão cônscio de suas tradições bávaras, tem como um dos principais patrocinadores a Quatar Airlines, uma empresa estatal do Catar.  O Schalke, por sua vez, é patrocinado pela gigante russa Gazprom, maior exportadora de gás natural do mundo. 

Soa no mínimo estranho que, não apenas os torcedores, mas também os dirigentes dos clubes tradicionais citados acima, se manifestem em oposição ao modelo clube/empresa implementado pelo RB Leipzig. 

Fato é que o esse jovem clube está no bom caminho de quebrar a hegemonia dos assim considerados grandes do futebol alemão e talvez possa, já na atual temporada, conquistar a salva de prata pela primeira vez em sua curta história.

Timo Werner, vice-artilheiro da Liga com 18 gols, logo depois da conquista do título simbólico de campeão de inverno, deixou um recado para os tradicionalistas: "Muitos clubes não têm noção do que somos capazes. Podemos fazer muito mais e faremos”.

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Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast "Bundesliga no Ar". A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

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