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Polícia intervém em protesto após caso de violência policial em Kenosha, no Wisconsin
Polícia intervém em protesto após caso de violência policial em Kenosha, no WisconsinFoto: Reuters/USA TODAY
SociedadeEstados Unidos

Protestos eclodem em Wisconsin após violência policial

24 de agosto de 2020

Policiais atiram várias vezes pelas costas contra homem negro aparentemente desarmado. Ele está internado em estado grave. Democratas condenam ação enquanto republicanos os acusam de se precipitarem.

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Mais um caso de violência policial contra uma pessoa negra se torna estopim de violentos protestos nos Estados Unidos, com edifícios e veículos incendiados na cidade de Kenosha, no estado do Wisconsin, na noite deste domingo (24/08).

Vídeos que circulam em redes sociais mostram Jacob Blake, de 29 anos, seguido por policiais de armas em punho enquanto caminhava até uma SUV cinza. Após ele abrir a porta e tentar entrar no veículo, os policiais atiraram várias vezes no homem, que aparentemente estava desarmado, sob os olhares de seus três filhos sentados dentro do carro.

Blake, alvejado pelas costas, foi levado em estado grave para um hospital após o incidente. Mais tarde, sua família informou que seu quadro de saúde é estável, após ele ter passado por cirurgia.

No vídeo, filmado de um telefone celular do outro lado da rua, é possível ouvir o som de sete tiros. Não está claro se os policiais abriram fogo porque viram algo suspeito dentro do carro que justificasse o uso de força letal. O vídeo também não esclarece se foram todos os policiais envolvidos na ação que efetuaram os disparos. A polícia de Kenosha não utiliza câmeras corporais.

Logo após o incidente, que ocorreu às 05h00 da manhã no horário local, manifestantes atearam fogo a automóveis, quebraram vidraças e entraram em confronto com a polícia. O condado de Kenosha impôs toque recolher a partir das 20h00 desta segunda-feira para evitar novos distúrbios.

O governador do Wisconsin, Tony Evers, e o candidato à presidência do partido democrata, Joe Biden, condenaram publicamente a ação da polícia. "Apesar de não termos todos os detalhes ainda, o que já sabemos é que ele não é o primeiro homem ou pessoa negra a ser alvejada, agredida ou assassinada sem misericórdia pelas mãos de indivíduos da segurança pública em nosso estado ou em nosso país", criticou o também democrata Evers.

Biden pediu uma "investigação imediata, completa e transparente" e disse que os agressores "têm de ser punidos". "Esses tiros perfuram a alma de nossa nação", disse o candidato.

O incidente em Kenosha ocorre na esteira de vários casos recentes de violência policial contra pessoas negras, como os que resultaram nas mortes de George Floyd, em Minneapolis, Rayshard Brooks, em Atlanta e Breonna Taylor, em Louisville. Os incidentes geraram uma onda de protestos antirracistas em todo o país.

Membros do Partido Republicano e do sindicato dos policiais acusaram os democratas de se precipitarem em seu julgamento. As declarações refletem a profunda divisão política em Wisconsin, um estado disputado pelos dois partidos nas eleições presidenciais, considerado fundamental para as pretensões de ambos.

Os republicanos do Wisconsin criticaram os protestos em Kenosha, seguindo o modelo do discurso da defesa da lei e da ordem várias vezes utilizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em sua campanha à reeleição.

"Como sempre, o vídeo em circulação não captura toda a complexidade desse incidente de alta dinâmica", disse o presidente do sindicato dos policiais de Kenosha, Pete Deates, que classificou a reação do governador como "completamente irresponsável".

A polícia da cidade de 100 mil habitantes situada entre Chicago e Milwaukee afirma que o caso ocorreu enquanto os agentes respondiam a uma chamada sobre um conflito doméstico. Não foi divulgado inicialmente se os policiais envolvidos eram de cor branca e se Blake estaria ou não armado.

O advogado de Direitos Civis, Ben Crump, que representa a família de Blake, disse que ele estaria "simplesmente tentando fazer a coisa certa ao intervir em um incidente doméstico".

A líder do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) em Kenosha, Whitney Cabal, disse que seu grupo já vinha realizando protestos na cidade em razão de outros episódios de abusos por parte da polícia local nas últimas semanas.

"A cidade não vai parar de queimar até que eles [os manifestantes] saibam que aquele policial foi demitido", afirmou. "Não há motivos para sete tiros nas costas desse homem negro enquanto seus três filhos estavam no carro."

Os policiais envolvidos foram afastados temporariamente de suas funções, o que é de praxe em casos como esse. As investigações estão sob a tutela do Departamento de Justiça dos EUA. O governador informou que 125 soldados da Guarda Nacional serão enviados para Kenosha.

RC/rtr/ap