Protestos contra os EUA marcam funeral de Soleimani no Iraque | Notícias internacionais e análises | DW | 04.01.2020
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Mundo

Protestos contra os EUA marcam funeral de Soleimani no Iraque

General iraniano morto em ataque americano é homenageado em procissão em Bagdá, em meio a sentimentos de revolta contra Washington e seus aliados. Tensões aumentam na região após Teerã e Hisbolá prometerem retaliações.

Multidão acompanha funeral do general iraniano Qassim Soleimani em Bagdá

Multidão acompanha funeral do general iraniano Qassim Soleimani em Bagdá

Milhares de pessoas compareceram ao funeral do general iraniano Qassim Soleimani neste sábado (04/01) em Bagdá, que contou com a presença de autoridades do governo do Iraque e de vários membros de milícias pró-Irã no país.

Soleimani foi morto em um ataque americano com um drone que atingiu o veículo em que estava nas imediações do aeroporto de Bagdá. A morte do comandante, considerado por muitos como a segunda pessoa mais poderosa do Irã, gerou uma onda de choque e elevou as tensões no Oriente Médio.

O ataque americano também matou outros membros de milícias iraquianas, entre estes Abu Mehdi al-Muhandis, líder do grupo Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi]. Os corpos de Soleimani e das demais vítimas do ataque americano foram transportados em veículos militares em uma procissão liderada por milicianos, que levavam bandeiras e símbolos de grupos armados apoiados pelo Irã.

Soleimani, de 62 anos, era líder da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, unidade de elite responsável pelo serviço de inteligência e por conduzir operações militares secretas no exterior.

A Força Quds apoia, por exemplo, grupos que atuam à margem do Estado em muitos países do Oriente Médio, como o Hisbolá libanês, o Hamas e a Jihad Islâmica Palestina na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, os Houthis no Iêmen e milícias xiitas no Iraque, Síria e Afeganistão.

O comandante era tido como o arquiteto da política externa de Teerã para a região. Ele atuou na coordenação das operações iranianas na guerra contra os extremistas do "Estado Islâmico" (EI) e também era acusado de planejar ataques a tropas americanas e aliadas desde a primeira invasão do Iraque, em 2003.

O primeiro-ministro iraquiano, Adil Abdul-Mahdi, também esteve presente no funeral, onde a multidão entoava frases como "morte à América" e gritos de protesto contra Israel. A procissão contou com forte aparato de segurança reforçado pela presença de dois helicópteros militares. 

Milhares de pessoas participam de procissão em homenagem ao general iraniano Qassim Soleimani em Bagdá

Milhares de pessoas participam de procissão em homenagem ao general iraniano Qassim Soleimani em Bagdá

O funeral teve início na mesquita de Imam Kadhim, um dos locais mais reverenciados pelos muçulmanos xiitas, e se encaminhou para a chamada Zona Verde, que abriga diversas embaixadas e representações de países estrangeiros – inclusive dos Estados Unidos – onde foi realizada uma cerimônia oficial.

A procissão seguiria para a cidade sagrada xiita de Kerbala e se encerraria em Najaf, onde os corpos dos iraquianos mortos no ataque serão enterrados.

O corpo de Soleimani será transportado para a província iraniana do Khuzistão, na fronteira com o Iraque e, no domingo, para a cidade sagrada de Mashhad, no nordeste do país, antes de passar por Teerã e chegar a Kerman, cidade natal do comandante. Segundo relatos da imprensa iraniana, ele deverá ser enterrado na terça-feira.

O ataque de sexta-feira, autorizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resultou num inevitável acirramento das tensões entre Teerã, Washington e seus aliados, como Israel e Arábia Saudita.

Trump justificou a decisão dizendo que a intenção do ataque seria parar uma guerra e não para começar uma. "Não buscamos uma mudança no regime [do Irã]. No entanto, as agressões do regime iraniano na região, incluindo o uso de combatentes para desestabilizar seus vizinhos, devem acabar e devem acabar agora", acrescentou.

Sem apresentar qualquer tipo de prova, o presidente afirmou que Soleimani estava planejando "ataques iminentes" contra militares e diplomatas americanos.

Os EUA anunciaram que vão enviar mais 3 mil militares para o Oriente Médio. O Pentágono também colocou em alerta uma brigada na Itália que poderá se deslocar para o Líbano para proteger a embaixada americana no país.

Apesar de Trump anunciar o fim do "reino de terror" com a morte de Soleimani, o envio de reforço militar para região reflete a preocupação com possíveis consequências.

Irã promete vingança

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ameaçou os EUA com "duras retaliações" pela morte de Soleimani. O Hisbolá prometeu que a resposta do que chamou de "eixo de resistência" na região – formado por um grupo de países que incluem o Líbano e o Iêmen – será decisiva, e disse que "os americanos serão punidos onde quer que estejam ao alcance de Teerã".

O Iraque, aliado tanto de Teerã quanto de Washington, condenou o ataque contra Soleimani em seu território, que considerou um atentado à sua soberania. O governo iraquiano está sob forte pressão para expulsar o contingente de 5,2 mil soldados americanos estacionados no país com o objetivo de impedir um ressurgimento do EI.

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ao lado de retrato de Soleimani, ameaçou os EUA com duras retaliações

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ao lado de retrato de Soleimani, ameaçou os EUA com "duras retaliações"

Diversos países em todo o mundo, incluindo Alemanha, França e outros aliados dos EUA, alertaram que a morte de Soleimani poderá gerar uma escalada perigosa das tensões na região e pediram que todas as partes envolvidas ajam com moderação.

As hostilidades entre Teerã e Washington aumentaram na semana passada após atos de violência contra a embaixada americana em Bagdá, durante uma manifestação de grupos xiitas pró-Irã. O protesto ocorreu em razão de um ataque americano ao grupo armado Kataib, ligado ao Hisbolá, que matou 25 milicianos.

O ataque que gerou os protestos havia sido uma resposta á morte de um empreiteiro americano no norte do Iraque, atribuída por Washington à milícia iraquiana. O Kataib foi fundado por Muhandis, o líder miliciano foi morto no ataque contra Soleimani.

A embaixada americana em Bagdá ordenou a todos os cidadãos dos EUA no Iraque que deixassem imediatamente o país. Dezenas de funcionários americanos de empresas petrolíferas estrangeiras já havia deixado a cidade de Basra na sexta-feira.

RC/rtr/afp/dpa/ap

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