Protestos acompanham visita de Erdogan à Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 29.09.2018
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Mundo

Protestos acompanham visita de Erdogan à Alemanha

Centenas de pessoas se reúnem em manifestações contra o presidente turco em Colônia, onde ele inaugura uma mesquita. Protestos também são registrados em Berlim, na turnê de três dias do político no país.

Manifestante em passeata empunha cartaz com caricatura de Erdogan lembrando o ditador Adolf Hitler

"Parem com o terror estatal na Turquia", diz cartaz de manifestante

Centenas se reuniram neste sábado (29/09) em Colônia para protestar contra a visita do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que tem agendada a inauguração de uma mesquita na cidade alemã, situada no oeste da Alemanha.

Duas grandes manifestações foram anunciadas contra a visita de Erdogan, acusado por críticos de autoritarismo e por prender milhares de oposicionistas. Mesmo antes da chegada do presidente turco, cerca de 1.500 pessoas se reuniram no bairro de Deutz, levando faixas e cartazes com inscrições como: "Parem a ditadura de Erdogan".

Por razões de segurança, foi proibido um evento para cerca de 25 mil pessoas, planejado para acontecer em frente ao templo muçulmano.

Milhares também se manifestaram contra Erdogan, na noite de sexta-feira em Berlim.

Tensões

O presidente turco realiza desde quinta-feira uma visita de três dias, destinada a reduzir as tensões entre os dois países. Antes de embarcar para Colônia, Erdogan tomou café da manhã com a chanceler federal alemã, Angela Merkel. O encontro em Berlim foi o segundo entre os dois líderes desde a chegada de Erdogan. Na reunião, de cerca de duas horas e meia, os dois políticos  "aprofundaram as conversas sobre o relacionamento bilateral, a situação de interna da Turquia e os interesses comuns na luta contra o terrorismo”, segundo destacou um porta-voz do governo alemão.

Um tema importante do encontro foi também as "possibilidades para continuar o fortalecimento dos laços econômicos”. Assuntos como a situação na Síria e a cooperação no campo da política de migração e para refugiados também estiveram na pauta.

Erdogan e sua mulher, Emine, desembarcam de avião ao chegarem a Colônia

Erdogan e sua mulher, Emine, desembarcam de avião ao chegarem a Colônia

A Alemanha e a Turquia entraram em confronto sobre vários assuntos nos últimos anos, incluindo a prisão de jornalistas alemães pela Turquia.

Erdogan chegou a chamar os principais partidos da Alemanha de "inimigos da Turquia" e acusou as autoridades alemãs de agirem como nazistas, levando Merkel a condenar seus comentários.

"Profundas diferenças"

Durante encontro em Berlim na sexta-feira, Merkel e Erdogan expressaram posições conflitantes em relação a temas como direitos humanos e liberdade de imprensa.

Erdogan exigiu que a Alemanha extradite o jornalista turco Can Dündar, que vive há dois anos no país, e confirmou um pedido de extradição feito dias antes. O líder turco classificou Dündar de "agente que revelou segredos de Estado" e disse que, por isso, foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão pela Justiça turca.

O presidente turco também pediu a extradição de apoiadores do clérigo Fetullah Gülen que vivem na Alemanha. O movimento é responsabilizado por Erdogan pelo golpe de Estado fracassado de 2016.

A líder alemã, por sua vez, exigiu uma solução rápida para os casos dos cidadãos alemães que estão detidos na Turquia, muitos deles sob acusação de pertencerem a organizações terroristas. Ela disse estar satisfeita por alguns casos terem sido solucionados e que vai continuar se empenhando pela libertação dos demais.

Segundo o Ministério alemão do Exterior, há cinco alemães detidos por motivações políticas na Turquia, sob vagas acusações de pertenceram a organizações terroristas.

Merkel disse haver profundas diferenças entre os dois governos, mas destacou que também há interesses comuns, incluindo a parceria no âmbito da Otan, questões migratórias e o combate ao terrorismo. Ela disse que uma reunião de cúpula sobre a Síria está sendo preparada e deve incluir, além de ela e Erdogan, os presidentes da França e da Rússia.

MD/afp/dpa/efe

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