1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Preços altos assustam foliões

ir/ns20 de fevereiro de 2004

As festas de Carnaval na Renânia movimentam não só os foliões que cantam e dançam em bares e salões, como também muito dinheiro. A crise, porém, murchou a vontade de gastar este ano.

https://p.dw.com/p/4hEN
Carnaval é uma diversão cara na AlemanhaFoto: AP

O Carnaval na Renânia do Norte-Vestfália há muito se tornou um importante fator econômico. No entanto, com a conjuntura que não quer deslanchar, os alemães estão prestando mais atenção ao que gastam. O dinheiro já não sai da carteira tão facilmente para pagar fantasias, bebidas e as entradas dos bailes de carnaval.

Mas uma das maiores lojas de artigos de Carnaval em Colônia não tem do que reclamar. Há muita gente atrás de perucas, fantasias ou ao menos um nariz de palhaço e algum chapeuzinho.

Alegria é mais importante em época de crise

Seu gerente, O. Frank, diz que logo depois do Natal o movimento aumentou. Na Renânia, as festas em locais fechados, realizadas pelas diversas sociedades carnavalescas, começam a partir do 11 de novembro:

"O Carnaval é um negócio seguro, pois justamente quando a situação não está muito boa, as pessoas tendem a festejar ainda mais. Muitos talvez não tenham dinheiro para viajar nas férias, mas em compensação resolvem se divertir nos dias da folia." Os mais empolgados economizam em comida e restaurantes, mas não desistem do Carnaval.

Franz Wolf, presidente da Liga do Carnaval Alemão expõe quem lucra com a diversão alheia: "Isso já começa quando as mulheres vão ao cabeleireiro, antes de ir a uma festa, ou com a corrida de táxi para chegar ao local, já que sempre se toma umas e outras. E tem a fantasia, comprada ou feita em casa, as bebidas. A consultoria McKinsey calculou que todos os setores faturam um total de 4 bilhões de euros por ano com o Carnaval".

O caro prazer de ir a um baile...

Die Höhner in Köln
O grupo 'Die Höhner', de Colônia, não pode faltar em baile de Carnaval que se prezeFoto: dpa

No entanto, as associações carnavalescas estão preocupadas este ano, pois muita gente não está disposta a gastar 100 euros ou mais para se divertir num baile de Carnaval. As entradas mais baratas custam de 20 a 35 euros.

Quem for ao baile de gala do Kölner Husaren (Os Hussardos de Colônia), por exemplo, terá que desembolsar 70 euros pela entrada com direito a jantar. As bebidas é que são elas. Não se serve cerveja, que seria mais barato, só vinho, refrigerantes ou água. Enquanto uma garrafa d'água custa de 8 a 15 euros, a do pior vinho não fica por menos de 17 euros. E não é raro pagar 30 ou 40 euros por ela.

Franz Wolf culpa a gastronomia, que teria aproveitado a mudança do marco para o euro para aumentar os preços. A gastronomia e a hotelaria são mais dois ramos que lucram com o Carnaval e os milhares de turistas que afluem à região.

E o "leão" também leva a sua parte. De cada barrilzinho de cerveja que custa 18 euros (10 litros), o fisco fica com 2,50 euros de impostos. E de cada garrafa de aguardente (Schnaps) vendida por 5 euros, a Fazenda fica com 4,10 euros.

Associações em apuros

"Neste ano, mesmo em Colônia, muitas associações estão com dificuldade de encher seus salões, algumas venderam, no máximo, 80% dos ingressos." E isso é um problema, pois cada associação gasta uma fortuna por ano - cerca de 400 mil euros.

O que pesa no orçamento não são apenas os doces e balas atirados dos carros alegóricos no desfile de segunda-feira. Há toda uma logística por detrás de um desfile e de um baile.

Nas festas em local fechado, pesam o aluguel do salão, seguranças, pessoal e o seguro, sem falar nos artistas, cantores, humoristas e bandas de música responsáveis pelo programa. Na rua, é preciso levar desde bebidas para que o pessoal não passe sede, até alugar banheiros móveis para os lugares de concentração.

Como as prefeituras também estão à míngua e secou a generosidade dos mecenas, a salvação é a venda dos direitos de transmissão das festas à televisão. Há quem diga que a emissora de Colônia, WDR, pagou mais de um milhão de euros para que o público em casa também tenha com que se divertir.

Wolf não confirma nem desmente. Afinal, por mais que tudo seja folia, segredo profissional é segredo, mesmo no Carnaval.