Polícia do Rio identifica suspeito de ataque ao Porta dos Fundos | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 31.12.2019

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Brasil

Polícia do Rio identifica suspeito de ataque ao Porta dos Fundos

Empresário ligado a grupo extremista já tinha passagem pela polícia por agredir secretario do Rio em 2013. Segundo delegado, ele tem perfil violento. Policiais apreenderam 119 mil reais e munições na casa do suspeito.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou nesta terça-feira (31/12) um dos suspeitos do ataque contra a sede da produtora do grupo humorístico brasileiro Porta dos Fundos. O crime aconteceu na semana passada, no Rio de Janeiro. 

Um mandado de prisão foi expedido contra o suspeito, que foi identificado como Eduardo Fauzi Richard Cerquise, de 41 anos, mas ele não foi encontrado pelos policiais e agora é considerado foragido.

As autoridades declararam que efetuaram buscas em dois endereços residenciais e dois comerciais ligados ao suspeito.

 

Screenshot Netflix Satire The First Temptation of Christ

O grupo de humor vinha sendo alvo de críticas de religiosos

"Nós monitorizamos os veículos usados durante o ataque. O autor identificado saiu de um dos veículos durante a fuga e pegou um táxi. Foi expedido um mandado de prisão temporária de 30 dias contra ele, que, no decorrer das investigações, pode ser renovado", detalhou a Polícia Civil noTwitter.

No decorrer das buscas, os agentes apreenderam 119 mil reais, munições, uma arma falsa, computadores e uma camisa de uma "entidade filosófica e política".

"Nenhuma linha de investigação está descartada. Estamos apurando se é um ato isolado ou se há ligação com alguma entidade. As peças periciais estão sendo produzidas. As investigações continuam com intuito de localizar e identificar os outros autores do crime", declarou a polícia.

De acordo com as autoridades, o homem identificado era o único dos cinco suspeitos que não usava capuz no momento do ataque, em 24 de dezembro. 

Para identificá-lo, a polícia utilizou imagens de mais de 50 câmeras de segurança do bairro.

 "O Eduardo [suspeito identificado] tem um perfil violento, antagónico. Ele tem livros ligados à religião cristã e ao islamismo. Ele é empresário, de classe média alta", disse o delegado da Polícia Marco Aurélio de Paula Ribeiro, segundo o G1.

Segundo a polícia, Fauzi possui dezenas de anotações criminais. Ele responde por crimes de ameaça, lesão corporal, e delitos enquadrados pela lei Maria da Penha.

Em 2013, Fauzi já havia aparecido no noticiário após agredir o então o então secretário de Ordem Pública do Rio. Ele foi preso por dar um soco no secretário Alex Costa após uma operação de fechamento de estacionamento irregular no Centro. Fauzi é presidente de uma entidade chamada "Associação de Guardadores de Veículos", que foi fundada por ele mesmo. À época, ele se irritou com a ação da Prefeitura

Na quarta-feira, integrantes de um grupo que se autointitula "Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Família Integralista Brasileira”  divulgaram um vídeo em que reivindicaram o atentado. O vídeo mostra três homens com rostos cobertos por toucas à frente de uma bandeira com o símbolo do integralismo. Um deles, sentado atrás de uma mesa onde está estendida um antiga bandeira do Império brasileiro, lê uma espécie de manifesto. A leitura foi acompanhada de imagens de homens lançando coquetéis molotov contra a fachada da produtora dos Porta dos Fundos.

Há várias menções a Fauzi em sites de grupos que dizem seguir o seguir o integralismo – um antigo movimento extremista brasileiro dos anos 1930 inspirado no fascismo italiano. Em 2018, uma nota no site "Notícias do Sigma - A ação do Integralismo no Brasil e no Mundo” apontou Eduardo Fauzi como presidente nacional da "Frente Integralista Brasileira”. Em outros comunicados, ele aparece como presidente do núcleo fluminense do grupo.

Após seu nome ser divulgado pela Polícia em conexão com o atentado ao Porta dos Fundos, um site que diz representar a "Frente Integralista Brasileira” anunciou a expulsão de Fauzi do grupo.

Segundo registros da Justiça Eleitoral, Cerquize também é filiado ao PSL, partido que elegeu o presidente Jair Bolsonaro em 2018.

Ele responde por crimes de ameaça, lesão corporal, e delitos enquadrados pela lei Maria da Penha.

Ataque

Na madrugada da véspera de Natal,  dois coquetéis molotov foram atirados contra a da sede da produtora do grupo de humor, no Rio de Janeiro. O Porta dos Fundos informou que o fogo foi contido graças à ação rápida de um segurança do edifício, que conseguiu controlar o incêndio. Ninguém ficou ferido.

Após o ataque, o humorista Fábio Porchat, um dos integrantes do grupo, disse, em sua conta no Twitter, que o ataque não vai intimidar os comediantes. "Não vão nos calar. Nunca! É preciso estar atento e forte”.

Já a assessoria do grupo informou que o "Porta dos Fundos condena qualquer ato de ódio e violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades, para o secretário de Segurança, e espera que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados e punidos”.

O grupo de humor vinha sendo alvo de críticas de religiosos nas últimas semanas após a produção do Especial de Natal do Porta dos Fundos, exibido pelo serviço de streaming Netflix. No especial, que foi levado ao ar no dia 3 de dezembro, os humoristas satirizam Jesus e Maria. O fundador do cristianismo é retratado como um homossexual. Maria, como adúltera e usuária de drogas. O fato de Jesus ter sido retratado como gay despertou a ira de vários grupos religiosos.

Após a divulgação do especial, surgiram petições para retirar o programa do ar. Vários líderes religiosos entraram com ações pedindo a suspensão. Um pedido chegou a ser endossado por uma promotora do Rio de Janeiro, mas acabou sendo negado por um juiz.

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