Polícia de Hong Kong prende diretores de jornal pró-democracia | Notícias internacionais e análises | DW | 17.06.2021

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China

Polícia de Hong Kong prende diretores de jornal pró-democracia

Autoridades ocuparam redação do Apple Daily, alegando que jornalistas violaram lei de segurança nacional. Em Macau, comentaristas abandonam programa de TV após censura a falas sobre o Massacre da Paz Celestial.

Hongkong | Festnahme von Apple Daily Mitarbeiter durch Sicherheitsgesetz

Policiais deixam a redação do Apple Daily com materiais apreendidos

Centenas de policiais de Hong Kong vasculharam computadores e cadernos de repórteres do tabloide pró-democracia Apple Daily nesta quinta-feira (17/06), no primeiro caso em que as autoridades citam artigos de mídia como possíveis violações de uma nova lei de segurança nacional.

Durante a madrugada, a polícia o editor-chefe  do jornal e mais quatro diretores. Mais tarde, agentes foram vistos sentados diante de computadores na redação depois de entrarem com um mandado para confiscar materiais jornalísticos, inclusive dos telefones e laptops de repórteres.

A operação é a ofensiva mais recente contra o magnata de mídia Jimmy Lai, proprietário do tabloide e crítico duro do regime de Pequim. Seus bens já se encontravam congelados por causa da lei de segurança. Lai foi preso em fevereiro e em abril foi condenado a 12 meses de detenção.

Em comentários que causaram mais alarme sobre o estado da liberdade de imprensa de Hong Kong, o secretário da Segurança do território, John Lee, descreveu a redação como uma "cena de crime" e disse que a operação visou aqueles que usam o noticiário como uma "ferramenta para ameaçar" a segurança nacional.

Ele não detalhou as dezenas de artigos que a polícia disse estar visando, mas disse que os cinco foram presos por causa de uma conspiração para fazer "uso de trabalho jornalístico" para incitar forças estrangeiras a imporem sanções a Hong Kong e à China. "Jornalistas normais são diferentes destas pessoas. Não se mancomunem com eles", disse ele aos repórteres.

Depois da nova ofensiva contra o jornal, o governo britânico acusou Pequim de atacar "as vozes dissidentes" e apelou ao respeito pela liberdade de imprensa.

"As rusgas e detenções no Apple Daily, em Hong Kong, mostram que Pequim utiliza a lei da Segurança Nacional para atacar as vozes dissidentes e não para garantir a segurança pública", disse o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab.

Numa mensagem difundida através da rede social Twitter, Raab afirmou ainda que Pequim deveria "proteger" e "respeitar" a liberdade de imprensa, cumprindo os compromissos acordados no momento da transferência da ex-colônia britânica à China, em 1997.

O jornal pró democracia Apple Daily informou após a ação que a liberdade de imprensa no território "está suspensa por um fio". "O Apple Daily sofre a repressão por parte do regime", acusou o jornal num texto dirigido aos leitores e difundido através do aplicativo do jornal.

Paralelamente, em Macau, dois comentaristas de um programa de debate em língua portuguesa do canal TDM deixaram seus cargos em protesto contra a "censura" a comentários sobre a proibição por parte das autoridades locais de uma vigília para marcar o aniversário do Massacre da Paz Celestial, em 8 de junho.

O programa, transmitido em 30 de maio, foi ao ar sem os comentários de um jurista, que considerou que a proibição da vigília violava constituição do território, uma ex-colônia Portuguesa que foi entregue à China em 1999.

Na quarta-feira, a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM) também manifestou "preocupação" com o caso.

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que analisam a liberdade de imprensa em 180 países, também considerou o caso "inaceitável".  "A eliminação de comentários num debate televisivo na TDM, que levou dois comentadores a abandonar o programa, é totalmente inaceitável", disse o diretor da RSF para o Leste Asiático, Cédric Alviani.

O responsável para a região considerou que o caso "ecoa ataques semelhantes perpetrados em Hong Kong nos últimos anos".

jps (lusa, reuters)

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