Petição exige fechamento do site pornô Pornhub | Notícias internacionais e análises | DW | 12.03.2020
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Internet

Petição exige fechamento do site pornô Pornhub

Maior site pornográfico do mundo é acusado de oferecer vídeos de estupros e abusos sexuais, bem como de não verificar idade e consentimento das pessoas filmadas. Petição para fechamento já tem 450 mil assinaturas.

Logo da plataforma Pornhub

Organização encontrou 118 casos de gravações de abuso sexual infantil no Pornhub nos últimos três anos

O site pornô Pornhub, o maior provedor de conteúdo pornográfico do mundo, está sendo acusado de cumplicidade no tráfico de pessoas e de disponibilizar vídeos de estupros e abusos sexuais, incluindo de menores de idade.

Uma petição foi lançada em 10 de fevereiro para fechar o site e processar criminalmente os seus responsáveis por auxílio ao tráfico de pessoas. A petição já recolheu mais de 450 mil assinaturas.

A iniciativa da petição é da ativista Laila Mickelwait, do grupo cristão americano Exodus Cry. Ela disse que tomou a decisão depois de vários casos de abuso sexual no Pornhub terem sido denunciados.

Mickelwait afirma que o Pornhub não controla a publicação de vídeos no site, falhando em verificar a idade e o consentimento das pessoas que neles aparecem, o que torna mais fácil para traficantes de pessoas distribuírem vídeos de abusos sexuais filmados por eles mesmos, incluindo de vítimas menores de idade.

A petição tem como alvo não apenas o Pornhub, mas também a empresa que detém o site, a MindGeek (antes conhecida como Manwin). Apenas em 2019, o Pornhub teve mais de 42 bilhões de visitas, o equivalente a 115 milhões por dia. Ele gera milhões de dólares em publicidade e assinaturas. Em todo o ano, mais de 6 milhões de vídeos foram publicados.

O Pornhub não comentou por que idade e consentimento não são verificados pelo site, mas disse estar comprometido a erradicar e combater conteúdo sexual não consensual e com menores de idade. A MindGeek chamou de irresponsabilidade "a divulgação de informações falsas que contêm declarações inexatas" e afirmou que "mentiras estão sendo apresentadas como fatos".

Porém, há anos que o site pornô é acusado de ser desleixado no controle dos vídeos que oferece. A Internet Watch Foundation, uma organização dedicada a acabar com imagens de abuso sexual de crianças na internet, encontrou 118 casos de gravações de abuso sexual infantil no Pornhub nos últimos três anos.

Mickelwait apresenta exemplos chocantes, como o de uma garota de 15 anos que estava desaparecida havia um ano e que foi encontrada depois de a mãe dela ter sido informada de que a filha aparecia em dezenas de vídeos publicados no site, nos quais era estuprada. O homem que a estuprava nos vídeos foi identificado com o auxílio de imagens de uma câmera de segurança, afirma a ativista.

Para ela, casos como esse mostram que traficantes de pessoas e estupradores não são processados criminalmente e continuam agindo devido à falta de controle no Pornhub. O Exodus Cry afirma que "o Pornhub não tem um sistema confiável em funcionamento para verificar se as pessoas que aparecem nos vídeos que hospeda não são crianças vítimas de tráfico sendo estupradas para encher os bolsos de seus executivos".

A BBC divulgou recentemente a história de uma mulher que encontrou no site vários vídeos em que ela mesma aparecia. Ela havia gravado os vídeos com um antigo parceiro, mas jamais havia dado sua concordância para que fossem publicados. Um dos vídeos estava na página inicial do Pornhub, com mais de 600 mil visualizações. Os vídeos só foram removidos depois de ela solicitar a remoção.

"Amador" foi uma das palavras mais digitadas na busca do Pornhub em 2019, o que, em muitos casos, é apenas um eufemismo para "vingança" – a palavra identifica vídeos vazados por ex-namorados ou ex-parceiros para se vingar da antiga parceira sexual. Outro termo muito procurado é "adolescente", que há seis anos aparece no ranking. Os ativistas afirmam que meninas que aparecem em muitos vídeos aparentam ter menos de 13 anos.

A petição lançada pela Exodus Cry é apoiada por 75 outras organizações de proteção à criança e de combate ao tráfico de pessoas. Entre elas está a britânica #NotYourPorn, que foi criada depois de uma mulher descobrir que sua conta no iCloud havia sido hackeada e vídeos em que ela e o ex-parceiro apareciam haviam sido publicados no Pornhub. O site levou semanas para excluir o material depois de notificado. E novos vídeos dela continuaram sendo publicados.

Caso semelhante envolveu a empresa Girlsdoporn, que foi levada a tribunal pela acusação de fazer vídeos pornográficos de forma desonesta e abusiva. O julgamento do caso começou em agosto passado, mas os vídeos ainda estavam no Pornhub meses depois. Os donos da empresa estão em prisão preventiva e enfrentam acusações de tráfico sexual.

Mickelwait sabe que fechar um site pode fazer com que outro ocupe o seu lugar. Mesmo assim, ela se mostra confiante de que a campanha terá um resultado positivo. "Espero que essa campanha, que tem como alvo o maior dos sites, crie um precedente e faça com que regulamentações importantes sejam adotadas por todos os sites que recebem e lucram com material pornográfico extremo, para verificação da idade e do consentimento de qualquer pessoa que apareça nesses vídeos", diz.

Porém, mesmo se o Pornhub implementasse mudanças agora, Mickelwait afirma que "é muito pouco e muito tarde, pois isso já acontece há anos e só agora é que está ganhando a atenção do público. O Pornhub, como empresa, deve ser responsabilizado".

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