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Mulher aplica vacina em braço de homem no Reino Unido
Reino Unido é o primeiro país ocidental a iniciar vacinação em massa contra covid-19Foto: Andrew Milligan/REUTERS
SaúdeGlobal

Países pobres perdem corrida por vacina contra covid-19

9 de dezembro de 2020

ONGs alertam que nações ricas têm comprado mais doses de imunizantes do que necessitam e, com isso, 90% da população nos mais pobres não deve ter acesso à vacina em 2021.

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Nov

Nove em cada dez moradores de países pobres podem não ter acesso a uma vacina contra a covid-19 no próximo ano porque as nações mais ricas acumularam mais doses do que realmente necessitam, alertaram nesta quarta-feira (09/12) diversas ONGs de direitos humanos, como a Oxfam e a Anistia Internacional. O grupo pediu ainda que governos e farmacêuticas produzam imunizantes em quantidade suficiente para todos.

Em nota divulgada em Londres, as organizações alertam que, a menos que sejam tomadas medidas para corrigir o problema, em "quase 70 países pobres", apenas um em cada dez cidadãos poderá ser vacinado contra o novo coronavírus em 2021. Em comparação, as nações mais ricas compraram doses suficientes para imunizar suas populações várias vezes por pessoa.

A nota indica que os países ricos – que representam apenas 14% da população mundial – compraram até 53% do estoque total das vacinas mais promissoras. Entre eles estão Estados Unidos, Japão, Suíça, Israel, e os Estados-membros da União Europeia. O Canadá encabeça a lista de nações que possuem vacinas suficientes para proteger cada cidadão "cinco vezes".

"Comprando a grande maioria das vacinas do mundo, os países riscos violam suas obrigações com os direitos humanos", comentou o diretor de Economia e Justiça Social da Anistia Internacional, Steve Cockburn.

A aliança denominada Vacinas para a População, formada por organizações como Oxfam, Anistia Internacional, Frontline Aids, Global Justice Now, analisou os acordos feitos entre os países e as oito principais candidatas à vacina.

As ONGs verificaram que 67 países de renda baixa e média correm o risco de ficar para trás em relação aos países ricos. Cinco desses países – Quênia, Mianmar, Nigéria, Paquistão e Ucrânia – registraram quase 1,5 milhão de casos de Covid-19 entre eles.

A gestora de políticas de saúde da Oxfam, Anna Marriott, disse que "ninguém deve ficar de fora de uma vacina que salva vidas devido ao país em que vive ou da quantidade de dinheiro que tem". "Mas, a menos que algo mude dramaticamente, bilhões de pessoas em todo o mundo não receberão um imunizante seguro e eficaz contra a covid-19 nos próximos anos", ressaltou.

Compartilhamento de tecnologia

A aliança defende que as farmacêuticas que desenvolvem vacinas contra a covid-19 compartilhem, por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS), sua tecnologia e propriedade intelectual para que mais doses possam ser fabricadas.

"Essa não deve ser uma batalha entre países para garantir doses suficientes. Durante esses tempos sem precedentes de uma pandemia global, vidas e meios de subsistência devem vir antes do lucro de farmacêuticas", afirmou Mohga Kamal-Yanni, consultora da aliança.

A vacina da Pfizer e BioNtech já começou a ser administrada no Reino Unido e os reguladores de outros países, como os Estados Unidos, devem dar sua aprovação nos próximos dias. Enquanto isso, os imunizantes que estão sendo desenvolvidas pela Moderna e pela Universidade de Oxford e AstraZeneca aguardam autorização. Já a Sputnik, da Rússia, anunciou resultados positivos do teste e quatro outras candidatas estão na fase três dos testes.

Até agora, todas as doses produzidas pela Moderna e 96% das da Pfizer e BioNtech foram compradas por países ricos. Já a parceira entre a Oxford e AstraZeneca se comprometeu a fornecer 64% de suas doses a cidadãos de países em desenvolvimento. No entanto, eles só poderão atingir 18% da população mundial até 2021, segundo a nota.

CN/efe/rtr