Os 5 principais temas das eleições nos EUA | Cobertura especial sobre as eleições nos Estados Unidos | DW | 27.10.2020

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Eleição nos EUA

Os 5 principais temas das eleições nos EUA

O voto em Donald Trump ou Joe Biden dependerá de suas propostas sobre como lidar com a pandemia, o aborto, a economia, a saúde e as tensões raciais.

Propostas de Trump e Biden sobre temas essenciais devem determinar o voto dos eleitores

Propostas de Trump e Biden sobre temas essenciais devem determinar o voto dos eleitores

Coronavírus

No início do ano, ninguém nos Estados Unidos tinha ouvido falar em coronavirus. Quase 11 meses depois, o tema domina o debate político em Washington. "Será provavelmente o maior tema das eleições de 2020", previu Laura Merrifield Wilson, professora-assistente de Ciências Políticas da Universidade de Indianapolis. 

Nos EUA, mais de 225 mil pessoas morreram e a contagem de casos supera 8,7 milhões. O desemprego é maior do que em qualquer outra época desde a Grande Depressão, iniciada em 1929. 

O próprio presidente Donald Trump foi infectado pela doença, o que, mesmo assim, apenas o impediu de realizar grandes eventos de campanha por menos de duas semanas. O uso da máscara de proteção, uma medida simples que os especialistas em saúde recomendam para diminuir a disseminação do vírus, se tornou em um dos temas políticos mais quentes no país. 

Se o presidente fez ou não um bom trabalho ao administrar o país através da pandemia, isso vai depender de quem for responder essa pergunta.

"Essa eleição, de várias maneiras, se tornou nos últimos oito ou nove meses um referendo sobre a questão: se o governo atual elaborou uma resposta, criou uma estratégia para o coronavírus e se executou o plano", afirmou à DW o médico Ashwin Vasa, professor-assistente do centro médico da Universidade de Columbia, em Nova York.

Os conservadores dizem que sem as ações de Trump, a situação teria sido bem mais grave. Em contrapartida, os liberais afirmam que as vidas de milhares de pessoas poderiam ter sido poupadas se o governo tivesse agido mais cedo para impor restrições mais rígidas em todos os estados, e se tivesse dado ouvidos aos especialistas em saúde pública.

Sistema de saúde

Outro ponto crítico é o sistema de saúde, algo que se tornou claro nas audiências no Senado para a confirmação da indicação da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte. Ela foi a escolhida de Trump após a vaga deixada pela morte da magistrada Ruth Bader Ginsburg. 

Logo após as eleições, a mais alta instancia jurídica dos EUA julgará se o sistema de saúde proposto pelo ex-presidente Barack Obama – o chamado Obamacare – deve ou não ser revogado, algo que Trump vem tentando fazer desde que assumiu a Casa Branca.

No Senado, Barrett, que no passado adotou uma postura crítica em relação ao plano, evitou afirmar se será contra ou a favor da revogação.

A satisfação da população com planos de saúde que possuem – ou não possuem – sob o Obamacare, e se querem ou não manter o sistema proposto pelo governo democrata, deverão ter forte influência no resultado das eleições.

A crise gerada pelo coronavírus também fez com que a questão se tornasse crucial para os eleitores.

"Estamos em meio a uma pandemia, onde a falta de cobertura de saúde gera dificuldades para o acesso aos cuidados médicos, além de gastos e contas médicas massivas uma vez que essas pessoas se recuperem da covid-19, sem mencionar os efeitos de longo prazo da doença, sobre o qual ainda estamos aprendendo bastante", observou Vasan.  

Economia

"A economia é de fundamental importância para os eleitores americanos, especialmente, se não estiver indo bem", observou Wilson.

E, de fato, não está. Antes do surgimento da pandemia, Trump possuiu um registro de três anos de uma economia robusta e saudável para usar como referência.

Mas, com a imposição de lockdowns e o avanço dramático da doença a partir de março, vários pequenos negócios em todo o país tiveram de fechar e mais de 23 milhões de americanos perderam seus empregos. Isso gerou uma taxa de desemprego de 14,7%, comparados aos 3,5% registrados dois meses antes, segundo o Escritório de Estatísticas do Trabalho.

Trata-se de más notícias para Trump, que em seus três primeiros anos de mandato repetidamente exaltava a força econômica dos EUA. Com tantos americanos tendo de lutar para se manter ou para poder permanecer em suas casas, o presidente tenta convencer os eleitores de que ele é a melhor opção para recolocar a economia nos trilhos, em meio a uma crise inesperada e que deve ainda afetar a economia sob qualquer governo.

A posição do democrata Joe Biden é menos complicada. Ele culpa Trump pela má gestão da economia na pandemia e promete que com sua estratégia Build Back Better ("Reconstruir Melhor"), as classes médias e trabalhadoras americanas se sairão bem melhores do que com mais quatro anos de Trump.

Uma situação como a atual "é normalmente mais difícil para o incumbente, porque ele é a pessoa que está no poder, que adotou as políticas e que é o responsável por elas", observa Wilson.

Tensões raciais

A morte de George Floyd pela polícia em Minneapolis em maio levou ao fortalecimento do movimento Black Lives Matter ("Vidas Negras Importam") em todo o país. As tensões raciais se tornaram parte da história americana desde que os primeiros escravos chegaram ao litoral da Nova Inglaterra. Entretanto, a agitação dos últimos meses, segundo Wilson, "foi certamente um momento histórico".

Americanos negros e brancos protestam não apenas contra a violência policial direcionada a grupos específicos, mas contra o que veem como racismo sistêmico nos EUA, motivo pelo qual exigem uma ampla reforma na polícia. Alguns exigem ainda cortes no financiamento das forças policiais.

Os críticos do movimento, na maioria, conservadores, denunciam a violência que algumas cidades sofreram durante as manifestações, assim como faz o próprio Trump, que considera as palavras Vidas Negras Importam como um símbolo de ódio e prometeu restaurar a lei e a ordem nas ruas.

Ao mesmo tempo em que isso enfurece os apoiadores do movimento, é algo que funciona para a base de Trump, diz Wilson.

"Sua mensagem é tentar mobilizar seus próprios eleitores, os que votam no Partido Republicano, e talvez alguns dos independentes que tendem para a direita", afirma a cientista política. "Os temas, as promessas e as políticas – tudo o que Trump faz nesse sentido" seria voltado para sua base conservadora. 

Os liberais criticam essas atitudes de Trump, que joga mais lenha na fogueira das tensões ao invés de o que eles acreditam que um presidente deveria fazer, que seria unir o país.  

Aborto

"O aborto é um tema crítico na campanha presidencial de 2020", observou Wilson. É a questão mais importante para uma parte da base de Trump: os evangélicos brancos. 

Apesar de este grupo corresponder a apenas 15% da população americana, eles vão às urnas em grande número e representaram mais de um quarto de todos os eleitores em 2016, segundo as pesquisas de boca de urna no ano em que Trump foi eleito. 

Muitos destes cristãos protestantes conservadores defendem valores diametricamente opostos aos vários casamentos e divórcios de Donald Trump, por exemplo.

Mas, como afirmava uma postagem no Instagram do grupo antiaborto Estudantes pela vida: "Odeia Trump? Odiamos ainda mais o aborto". Ele é considerado a escolha definitiva desses grupos conservadores. Trump, inclusive, foi o primeiro presidente a participar do evento antiaborto Marcha pela Vida. 

Para os americanos do outro lado do espectro, esta é mais uma razão para não votar nele. O aborto "é também um tema importante para os eleitores liberais", afirma Wilson. "Há um amplo movimento favorável ao aborto dentro do Partido Democrata."

Esses eleitores veem Coney Barrett, a indicação de Trump para a Suprema Corte, como um perigo para a decisão da Justiça conhecida como Roe v. Wade, que nos últimos 47 anos garantiu às mulheres o acesso a abortos legais e seguros.  

Para os democratas, o voto em Biden também é o voto a favor de juízes favoráveis ao aborto que poderão ser nomeados para a Suprema Corte durante sua presidência.


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