Opinião: Violência política não é surpresa no mundo de Trump | Notícias internacionais e análises | DW | 25.10.2018
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Opinião

Opinião: Violência política não é surpresa no mundo de Trump

O clima político americano, profundamente tóxico e cada vez mais partidário, forneceu terreno fértil para que qualquer pessoa possa mesmo considerar a possibilidade de enviar uma bomba alguém.

Foto de Donald Trump na Casa Branca

Apoiadores veem comportamento e retórica inflamatória de Donald Trump como apelo à violência, opina Michael Knigge

Vamos começar com uma ressalva importante. A investigação sobre os dispositivos potencialmente explosivos – enviados, entre outros, às residências do ex-presidente Barack Obama e da ex-secretária de Estado Hillary Clinton; à redação da emissora CNN e ao ex-diretor da CIA John Brennan – ainda está em andamento.

Portanto, não é prudente insistir na questão sobre a possível natureza e antecedentes do que parecem ser tentativas de ataques terroristas, que vieram na sequência de um dispositivo explosivo que foi enviado ao bilionário liberal George Soros na última segunda-feira (22/11).

Mas é possível e necessário dizer que o clima político americano, profundamente tóxico e cada vez mais partidário, forneceu ao menos um terreno fértil para que qualquer pessoa possa mesmo considerar tais ataques politicamente motivados.

Também é possível e necessário dizer que Trump é a principal força motriz por trás da deterioração sem precedentes do clima político no país.

Ele concorreu e venceu a corrida presidencial com uma campanha baseada em ataques amedrontadores e centrados na pessoa, não no conteúdo, contra adversários políticos e a mídia, que ele rotulou repetidamente como inimiga do povo.

Trump possui um longo histórico de uso de uma linguagem arrogante e de ameaças vagas contra qualquer um que expresse críticas às suas políticas ou declarações.

Apenas alguns exemplos no caso de Hillary Clinton: ele permitiu que multidões barulhentas bradassem "prende-a", propôs que "pessoas da Segunda Emenda" [portadores de armas, milícias] possam fazer algo para contê-la, sugeriu que o serviço de inteligência dela não porta mais armas e "vamos ver o que acontece com ela".

Não é nenhum salto lógico que alguns apoiadores linha dura de Trump possam ver suas declarações como tolerância, se não um apelo direto por violência com motivação política.

Após a morte de um manifestante que protestava contra uma marcha de direita em Charlottesville, no estado da Virgínia, Trump – que apenas um dia atrás, casualmente e sem chamar a atenção da mídia, descreveu-se como um "nacionalista" numa manifestação no Texas – hesitou inicialmente em condenar claramente o perpetrador extremista de direita.

Em seus comícios de campanha, ele insinuou repetidamente a violência contra a mídia e os adversários. E menos de dois meses atrás, numa reunião a portas fechadas com os evangélicos, Trump advertiu o grupo da "violência" de esquerda, caso os democratas vençam a eleição legislativa de novembro.

A retórica inflamatória de Trump se baseia numa atitude vitoriosa que não aceita críticas e não aceita concessões. Se num cidadão comum essa é uma disposição problemática, é uma disposição perigosa no presidente da nação mais poderosa do mundo.

Tudo isso, é claro, não é novidade. Mas, até certo ponto, temos normalizado o comportamento de Trump desde quando ele iniciou sua campanha presidencial amplamente ridicularizada num discurso denunciando os mexicanos como "estupradores", em meados de 2015.

Ninguém mais está rindo de Donald Trump.

Porque nos breves três anos desde a sua chegada à cena política, ele conseguiu sozinho transformar o Partido Republicano em sua própria máquina de luta política. E, em consequência, fomentou e ampliou as profundas divisões já existentes no país, numa extensão dificilmente considerada possível.

Não deveria surpreender ninguém o fato de que alguns de seus partidários – ou qualquer outra pessoa – possam interpretar a retórica e o comportamento do presidente como um apelo para exercer a violência contra seus opositores políticos.

Michael Knigge é correspondente da DW em Washington.

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