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Somente unida, UE pode superar crise do coronavírus

24 de abril de 2020

Após líderes da UE decidirem criar fundo de recuperação da economia, permanecem discordâncias sobre o mecanismo. A solidariedade no bloco passará por difíceis testes para vencer a crise pós-pandemia, opina Bernd Riegert.

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Homem aperta o rosto na Bolsa de Frankfurt
"Países da UE cairão juntos no buraco da recessão e terão que sair dele juntos", escreve Bernd RiegertFoto: picture-alliance/dpa/A. Dedert

A última edição da série de vídeos europeia Corona Summit dá margem para alguma esperança. Diante da enorme crise, os 27 chefes de Estado e de governo parecem concordar em não mais travar publicamente sua disputa por somas de dinheiro sem precedentes. A união deve fortalecer. Uma atitude de solidariedade deve tranquilizar os cidadãos da Uni'ao Europeia (UE), que estão perdendo empregos, que temem por seu sustento e podem em breve não ter mais dinheiro para o essencial. "Vejam, seus governos estão tomando providências, querem um programa de desenvolvimento de um trilhão de euros!" – essa deve ser a boa nova.

E ela é necessária, considerando o coma em que os combatentes da pandemia colocaram a economia e a sociedade. O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, enfatizou a forte determinação dos 27 de seguir adiante após sua quarta cúpula por videoconferência em torno do coronavírus. Portanto, a União Europeia não deve ser abalada. Ameaças irritadas e os questionamentos do governo italiano sobre para que presta a UE se ela não ajuda foram por ora silenciadas.

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, se mostrou surpreendentemente entusiasmado após as breves consultas realizadas com seus colegas. Existe agora um fundo de emergência que deve ser financiado com garantias europeias comuns. Isso seria impensável três semanas atrás, festejou Conte. Se ele não estiver enganado quanto a isso. Para muitos chefes de governo, garantias comuns, títulos ou dívidas ainda continuam sendo impensáveis.

Os líderes também discordam da questão de como o dinheiro deve ser distribuído: como uma concessão direta ao tesouro estatal ou como um empréstimo que teria que ser pago em algum momento. A Alemanha defende empréstimos; a França e a Itália preferem que sejam subsídios. A Espanha veio com a ideia de criar dívidas na UE que eternamente não serão pagas. A fantasia foi alimentada sobretudo pelo anúncio da chanceler federal Angela Merkel de que os alemães serão solidários e se dispõem a pagar significativamente mais no orçamento comum da UE. Ela sabiamente não mencionou números.

Então o clima estava mais relaxado. O objetivo ficou mais claro, mas os detalhes não foram decididos, embora todos lembrem que há urgência. Agora, a Comissão Europeia deve realizar um milagre político dentro de algumas semanas e elaborar um orçamento da UE que sirva de base para o grande fundo de reconstrução. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já insinuou que os países da UE terão de pagar duas vezes mais para este orçamento comum do que antes: em vez de 150 bilhões, 300 bilhões de euros para dois ou três anos. Esta reserva de capital, ela deseja aumentar para 1 trilhão através de créditos. Não está claro se esse valor será repassado aos Estados afetados pelo coronavírus como empréstimo ou subvenção. Von der Leyen tem uma "mistura" em mente, em outras palavras: ela também não sabe.

A única coisa que está clara é que os países mais fortes da UE terão que puxar consigo os mais fracos. Os pesos mudarão de lugar. O dinheiro não fluirá mais para o leste, como até agora, mas para o sul. A solidariedade na UE terá de suportar mais alguns testes difíceis. A conta do coronavírus deverá ser assumida pelos contribuintes nos países do norte da UE. Os alemães têm uma parcela de pelo menos 25%. Eles terão que mostrar solidariedade e, portanto, merecem o agradecimento dos Estados do sul. Só dá para superar isso juntos. Sozinho, nenhum dos países da UE teria uma chance. A economia está entrelaçada demais no mercado interno. Juntos, os países da UE agora cairão no buraco profundo da recessão, e terão que se arrastar juntos para fora dele.

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Bernd Riegert
Bernd Riegert Correspondente em Bruxelas, com foco em questões sociais, história e política na União Europeia.
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