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Não se vacinar é o oposto do conceito de solidariedade

Jennifer Wagner
25 de dezembro de 2021

Pessoas que não se vacinam mesmo tendo a possibilidade de se imunizar ameaçam a vida de outras pessoas - por exemplo, de pacientes com câncer que não podem mais ser tratados adequadamente, escreve Jennifer Wagner.

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Deutschland Corona-Patienten auf Intensivstation in der Universitätsmedizin Rostock
Foto: Jens Büttner/dpa/picture alliance

Por sorte, fui diagnosticada com câncer no inverno passado. Por sorte, minhas sessões de terapia não tiveram de ser adiadas. Por sorte, eu tive câncer de mama quando as taxas de infecção por coronavírus não eram tão altas como hoje. Fico com o coração partido quando leio que operações têm de ser adiadas por causa da pandemia. Isso é injusto. E cruel.

Ninguém sabe por que algumas pessoas têm câncer e outras não. Há fatores que ajudam a desenvolver a doença, mas ninguém pode afirmar com certeza absoluta por que alguém tem câncer. Como minha médica bem costumava dizer: se apenas mulheres com estilos de vida pouco saudáveis tivessem câncer de mama, apenas pacientes com excesso de peso, que não praticam esportes ou alcoólatras iriam até o seu consultório. Mas não é o caso.

Por um lado, parece bastante claro por que as pessoas estão adoecendo gravemente com covid-19, na Europa, nas últimas semanas: a maioria delas não foi vacinada. Ou então porque têm um risco maior de contrair as formas mais graves da doença devido à idade ou outras enfermidades, além de já ter passado muito tempo desde a última dose da vacina.

Isso significa que pessoas que poderiam se proteger contra a doença não estão agindo assim. E muitas acabam em UTIs. Como a forma da doença é extremamente aguda e ameaçadora, outros pacientes acabam ficando em segundo plano. Esses pacientes também têm doenças fatais, ainda que não tão agudas. Isso é bastante injusto e o oposto do conceito de solidariedade.

Jennifer Wagner DW Bonn - provisorisches Bild
Jennifer Wagner superou um câncer de mamaFoto: DW/F. Görner

Após receber o diagnóstico de câncer de mama, senti pela primeira vez como era ter um medo real de uma infecção por coronavírus. Por um lado, naquela época, ainda não havia vacinação. Por outro, a quimioterapia sufocou meu jovem e saudável sistema imunológico. Foi um tempo terrível e deprimente. Minha grande sorte foi que, há um ano, eu fui atendida por enfermeiras e enfermeiros que ainda não estavam completamente exaustos. O fato de que cada vez mais pessoas tenham abandonado essa profissão, nos últimos meses, também é mais um capítulo dramático da crise do coronavírus.

Quantos morrem devido à covid-19?

Não tenho certeza se quero saber quantas pessoas estão gravemente doentes com câncer ou com enfermidades potencialmente fatais porque não fizeram exames preventivos a tempo, por medo de uma infecção por covid-19. Ou quantos ainda precisam morrer porque, no momento, não podem mais ser tratados imediatamente.

Também não quero ficar chateada com o fato de algumas pessoas não serem vacinadas contra o coronavírus - cada uma delas pode ter suas razões para isso. Mas também sei que apenas uma pequena porcentagem delas não pode ser vacinada por questões de saúde.

No entanto, invocar teorias da conspiração, espalhar notícias falsas ou simplesmente demonstrar "raiva do governo", e não se vacinar por rebeldia, preguiça ou ignorância, tudo isso me deixa perplexa. A que isso vai levar? A viver sempre nessa pandemia, sem as experiências e os encontros que tornam a vida especial?

Isso também pode afetar pessoas próximas

Se as fotos dos hospitais, dos pacientes sendo ventilados ou os gritos de ajuda dos médicos e enfermeiros não são argumentos suficientes para a vacinação, talvez você deva imaginar como seria se seu próprio filho recebesse um diagnóstico sério. E, assim, não poder ser tratado imediatamente porque as UTIs estão superlotadas. Não é, portanto, uma questão apenas de si mesmo, mas também de afetar seus entes queridos.

Infelizmente, a atual onda de infecções não pode mais ser quebrada com as vacinas. Mas podemos usar a vacinação para tornar as inevitáveis próximas ondas menos terríveis. E assim esperemos que os pacientes com câncer, infarto ou derrame também tenham a sorte de ser tratados adequadamente.

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Jennifer Wagner é jornalista da DW. 

O texto reflete a opinião pessoal da autora, não necessariamente da DW.