Opinião: Donald Trump não é um acidente | Notícias internacionais e análises | DW | 27.11.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Opinião

Opinião: Donald Trump não é um acidente

O atual presidente americano é com frequência chamado de populista. Mas, na verdade, ele é a reação ao populista que ocupou a Casa Branca antes dele, opina o articulista Alexander Görlach.

Kombobild Barack Obama - Donald Trump

Barack Obama - Donald Trump

Dentro de menos de um ano serão realizadas eleições presidenciais nos Estados Unidos. E a pergunta que já sendo discutida: como serão os Estados Unidos quando o populista Donald Trump não estiver mais no poder. Este é um problema geral no contexto dos populistas: eles geralmente não realizam nada de substancial. Em consequência, uma vez que desaparecem no ar, a frustração com o sistema político e a democracia tende a ser maior do que antes.

No entanto, levando em consideração a situação americana, essa perspectiva é incorreta. Donald Trump não é o populista que muitos consideram que seja. Pelo contrário: Barack Obama era o populista que não realizava – e Donald Trump nada mais é que a reação a ele.

A afirmação pode soar chocante para muitos – assim como soa para o autor deste texto: também há "bons" populistas. São aqueles que não tentam capitalizar em cima da marginalização, mas invocam o espírito de comunidade. O que eles têm em comum com os "maus populistas" é que simplificam a realidade de tal forma que nenhuma política objetiva seja mais possível.

"Yes, we can" (sim, nós podemos) era o mantra da campanha para eleição de 2008, o pio e bem-intencionado desejo de transformar os EUA de forma positiva após os anos de chumbo dos Bush. Mas o que exatamente deveria ser alcançado nunca ficou claro. Era para o país se renovar, mas como?

Depois veio a crise financeira e a oportunidade de erguer algo novo sobre as ruínas do escândalo da Lehman Brothers. Mas Obama não fez nada mais que usar a caixa de ferramentas de um político escolado: salvou os bancos, mas não as centenas de milhares de proprietários que ficaram sem casa. Nenhum dos banqueiros que causaram o caos acabou preso por isso. O livro e o filme A grande aposta contam essa história em detalhe.

Muitos americanos acharam isso profundamente injusto. Se você, como muitos deles, teve que se mudar para um pequeno porão com seus sogros ou irmãos, para não acabar na rua, então a ideia da nação como uma família que garante a justiça parece atraente. Esta é a mensagem de Donald Trump: "América em primeiro lugar" significa em primeiro lugar "justiça para nós, americanos". Uma agenda cosmopolita só funciona quando há justiça na arena doméstica.

Barack Obama apenas bateu o último prego do caixão de uma política paralisada, ao ficar ele mesmo preso em paradigmas da velha política. Os EUA já foram o país com o maior nível de mobilidade. As pessoas se mudavam do Alasca para a Flórida por um novo emprego. Hoje, isso acabou. A crise de 2008 intensificou o que já vinha ardendo lentamente no país, há algum tempo: o aumento da desigualdade. Hoje, os EUA são o país menos móvel do mundo livre. A terra das oportunidades é uma memória distante.

É importante para o futuro da democracia nos EUA classificar corretamente o passado recente: Donald Trump não é um acidente operacional, mas sim alguém que seus eleitores consideram ser precisamente o tipo de pessoa que pode trazer a justiça de volta ao país. No momento, os números provam que ele está certo: o emprego está crescendo, a economia vai de vento em popa. Também nas relações internacionais, especialmente com a China, seus apoiadores acham que ele está trazendo a justiça de volta.

Os liberais cosmopolitas, entre eles o autor deste texto, vão ter que engolir isso.

Alexander Görlach é membro sênior do Carnegie Council for Ethics in International Affairs e pesquisador sênior do Cambridge Institute on Religion and International Studies. Ele também ocupou vários cargos acadêmicos e consultivos na Universidade de Harvard. Tem doutorado em religião comparativa e linguística e é colunista convidado de várias publicações, incluindo o New York Times, o jornal suíço Neue Zürcher Zeitung e a revista de negócios Wirtschaftswoche.

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube | App | Instagram | Newsletter

Leia mais