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Opinião: Baltimore e a impotência das autoridades dos EUA

Miodrac Soric (md)
29 de abril de 2015

Polícia e políticos assistiram passivos a confrontos e destruição. Para o correspondente da DW em Washington, Miodrag Soric, caos na cidade americana é fruto da incapacidade do governo de lidar com problemas sociais.

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Em Baltimore, lojas pegam fogo, carros são incendiados, manifestantes atiram pedras nos policiais. Não, não há desculpa para tal violência. Nem mesmo a morte do jovem negro Freddie Gray, há quase uma semana. O rapaz, de 25 anos, morreu após ser preso, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Os policiais responsáveis foram suspensos. Eles podem ser processados. Mas isso pode demorar.

Revoltada, a população de Baltimore não quis esperar tanto tempo. Logo após o funeral de Gray, centenas manifestantes se reuniram, provocando tumulto. A polícia afirma que tentou acalmar a situação. Na verdade, assistiu por muito tempo, impotente, enquanto vândalos de pilhavam e incendiavam.

Somente depois de horas o governador de Maryland, Larry Hogan, decretou estado de emergência e convocou a Guarda Nacional. Tarde demais, na opinião de muitos americanos, que testemunharam a destruição através da mídia. Helicópteros com câmeras de TV circularam, como falcões, pelos bairros afetados.

Agora está claro: muitos criminosos mascarados vão sair impunes. Especialmente aqueles que chegaram à cidade, vindos de outras partes dos Estados Unidos, com a intenção única de promover o tumulto. Caso seja possível prendê-los, eles têm que sentir a força da lei. Eles não podem é ser maltratados na prisão, como Eric Garner, em Nova York. E, provavelmente, também Freddie Gray, em Baltimore.

No mais tardar, desde o último sábado a polícia já sabia que poderia haver distúrbios em Baltimore. Durante o dia, milhares de manifestantes se reuniram para protestar contra a violência policial excessiva – inicialmente, de forma pacífica. Mas à noite houve confrontos entre manifestantes e a polícia. Então, passou a estar claro: há arruaceiros na cidade, que precisam ser isolados.

Mas isso, aparentemente, não aconteceu. A desconfiança reina entre a polícia e os moradores de Baltimore. A situação é semelhante à de Ferguson, onde um adolescente negro desarmado foi morto a tiros no ano passado. Em ambas as cidades, os problemas sociais foram ignorados por décadas. O desemprego é alto entre os jovens. As escolas públicas são ruins. A política local não sabe o que fazer.

Obama pode mudar isso? A Casa Branca não fica sequer a uma hora de carro das casas e carros incendiados em Baltimore. Aqueles que conversam com os desordeiros, rapidamente percebem: eles não esperam nada do primeiro presidente negro na Casa Branca. Eles se sentem esquecidos também por ele.