Opinião: Alemanha terá que reavaliar presença no Afeganistão | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 28.03.2008
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Mundo

Opinião: Alemanha terá que reavaliar presença no Afeganistão

O recente atentado do Talibã contra soldados alemães em Kunduz, no norte do Afeganistão, poderia forçar a Alemanha a tomar uma decisão, comenta Peter Philipp.

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O décimo atentado contra soldados da Forças Armadas alemãs no Afeganistão no último ano e meio certamente prolongará e acirrará a discussão sobre o sentido da presença militar alemã no país. E, claro, sobre como é possível resisitir à pressão dos parceiros da Otan para que a Alemanha, no futuro, intervenha ainda mais decididamente e passe a participar também nos combates nas províncias do sul.

Peter Philipp

Peter Philipp

Há dez dias, um estudo britânico concluiu que a situação no Afeganistão é ainda mais explosiva e perigosa do que a no Iraque. Na Alemanha, isso pode parecer uma surpresa para muitos, pois a tranqüilizante informação oficial era de que a principal tarefa das tropas internacionais – entre elas, a Bundeswehr – era reconstruir o país, instaurar ali uma democracia e, por fim, defender a própria democracia.

Mas o fato de que essa missão teria um preço foi menosprezado com freqüência. Alegava-se que os soldados atuavam no norte do país, em grande parte mais calmo, onde se concentrariam em projetos de reconstrução.

Porém, dez atentados em 18 meses tornaram essa imagem ficção. Por mais que o Exército alemão de fato se encontre numa situação muito mais confortável que a de seus aliados no sul, que já tiveram que perder muito sangue.

Berlim pôde "escolher entre cólera e peste": participar dos combates e cumprir todas as obrigações perante os aliados, com todas as conseqüências que isso traria, ou continuar se escondendo por trás da explicação devota de que, mesmo na constelação atual, está prestando uma valiosa contribuição – apesar de cada vez mais aumentar entre a população a recusa à missão e a exigência pelo retorno dos soldados.

No entanto, as autoridades em Berlim negam uma decisão tão radical, por mais conscientes que estejam da fragilidade da situação. Pois naturalmente se sabe, também na Alemanha, que os problemas de segurança no Afeganistão não podem ser resolvidos através de moderação e da insistência em determinados princípios.

Por mais macabro que isso possa soar: com seus atentados a bomba, o Talibã poderia até estar ajudando os políticos a tomarem uma decisão. Pode até ser que fosse essa sua intenção, pois a notícia da indecisão dos alemães já deve ter se espalhado entre extremistas islâmicos, que se empenham em retomar o controle sobre o Afeganistão e acreditam que os indecisos desistiriam mais rapidamente e retirariam suas tropas.

Uma suposição nada improvável, que todavia poderia ter conseqüências fatais. A Alemanha terá agora que se ocupar muito mais intensamente de sua presença no Afeganistão e, com o passar do tempo, fica cada vez mais claro que só há duas opções: participação completa ou nenhuma participação. A suposta alternativa foi vítima de um atentado do Talibã. (rr)

Peter Philipp é chefe da equipe de correspondentes da Deutsche Welle e especialista em Oriente Médio.

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