OMS anula nomeação de Mugabe como embaixador da Boa Vontade | Notícias internacionais e análises | DW | 22.10.2017
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Mundo

OMS anula nomeação de Mugabe como embaixador da Boa Vontade

Diante da pressão internacional, principalmente do Reino Unido e do Canadá, Organização Mundial da Saúde volta atrás em convite feito a presidente do Zimbábue. Anúncio havia consternado ativistas.

Simbabwe Robert Mugabe Feierlichkeiten zum 93. Geburtstag (picture alliance/AP/T. Mukwazhi)

Robert Mugabe ao lado de sua esposa, Grace, nas festividades de seu aniversário de 93 anos

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou neste domingo (22/10) que decidiu anular a nomeação do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, como embaixador da Boa Vontade do órgão.

"Ouvi cuidadosamente todos aqueles que expressaram preocupação e todos os diferentes pontos destacados", disse em comunicado o diretor-geral da OMS, o ministro da Saúde etíope, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

a escolha, anunciada na Conferência Mundial sobre Doenças Não Transmissíveis, realizada no Uruguai, gerou muitas críticas da comunidade internacional.

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Mugabe tinha sido nomeado embaixador da Boa Vontade para as doenças não transmissíveis na África. O objetivo era que ele influenciasse os políticos da região a dar prioridade a esse tipo de doença, disse Tedros ao anunciar a indicação.

No entanto, as críticas à decisão chegaram rapidamente, tanto de governos – como o do Reino Unido e do Canadá – que são doadores importantes para os programas do órgão, como de organizações não governamentais que atuam nas áreas de direitos humanos e saúde.

Reputação da OMS

Um porta-voz do governo britânico disse que a nomeação de Mugabe para ajudar a combater doenças não transmissíveis colocava em risco a reputação da OMS, acrescentando que seu governo registrou as suas preocupações junto ao diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Tedros Adhanom Ghebreyesus (Picture alliance/dpa/M. Kappeler)

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, teve de voltar atrás

Quatro dias depois da indicação, Tedros teve que voltar atrás. "Consultei o governo do Zimbábue e cheguei à conclusão de que essa decisão é do melhor interesse da OMS. Agradeço a todos que me fizeram ouvir suas vozes e compartilharam seus pensamentos. Confino no debate construtivo para ajudar e informar sobre o trabalho para o qual fui eleito", afirmou o diretor-geral da OMS.

Sem justificar porque havia escolhido Mugabe, presidente do Zimbábue há 37 anos, um país onde a liberdade política é restrita, Tedros disse que todos devem construir pontes para chegarmos à meta da cobertura universal da saúde no mundo.

Críticas do Zimbábue

Após a instituição ter decidido anular a indicação, o governo do Zimbábue pediu neste domingo ao diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) para defender a nomeação do presidente do país, Robert Mugabe, como embaixador da Boa Vontade do órgão. O ministro de Educação Superior, Jonathan Moyo, disse que a OMS perde o respeito se reverter a decisão.

O anúncio, feito no início da semana no Uruguai, provocou confusão e raiva entre ativistas, que apontam que o sistema de saúde do Zimbábue, como também muitos dos serviços públicos, entrou em colapso sob o regime autoritário de Mugabe.

O chefe de Estado também tem sido criticado por viajar para o exterior para tratamento médico, enquanto a economia antes próspera do Zimbábue se desmantela. Mugabe também sofre sanções da ONU devido a abusos contra os direitos humanos em seu governo. Com 93 anos, ele é atualmente o chefe de Estado mais velho do mundo e se encontra no poder desde a independência do país em 1980.

O país sofre atualmente uma grave crise econômica. Os preços dos produtos farmacêuticos subiram quase 70% devido a escassez crônica de dólares para importação.

CA/efe/dw

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