Obama propõe que armas atômicas só possam ser usadas contra potências nucleares | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.04.2010
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Mundo

Obama propõe que armas atômicas só possam ser usadas contra potências nucleares

O presidente americano, Barack Obama, quer restringir ainda mais o uso de armas nucleares. Elas devem servir, no futuro, apenas como instrumento de intimidação.

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Obama quer armas atômicas só para intimidação

Será possível um mundo livre de armas nucleares? Barack Obama tem agora, 65 anos após os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki, o ambicioso objetivo de limitar ainda mais o uso de armas nucleares.

Nesta terça-feira (6/4/), o presidente americano apresentou em linhas gerais o seu novo programa nuclear. Segundo os planos de Obama, EUA se comprometem a não usar armas atômicas contra países que não forem, eles próprios, potências nucleares. Essa regra seria aplicada mesmo se os EUA fossem atacados com armas químicas ou biológicas, explica Obama. Nesse caso, as armas convencionais dos Estados Unidos seriam suficientes para responder às ameaças.

Irã e Coreia do Norte são exceções

Mas há exceções nos planos da Casa Branca. Países como o Irã ou a Coreia do Norte não estão sujeitos às novas regras. Dessa forma, Obama se reserva o direito de usar de armas nucleares contra todas as nações que representem uma ameaça internacional devido a seus programas atômicos.

Iran Atom Präsident Mahmud Ahmadinedschad

Presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, é tido como ameaça

A princípio, o objetivo da nova estratégia é que os EUA só recorram a armas nucleares em casos de urgência absoluta, ou seja, em defesa a um ataque nuclear contra os americanos. As armas devem servir como uma intimidação e não para serem usadas em qualquer guerra, ressaltou Obama.

Obama assina acordo em Praga

O próximo passo da campanha antinuclear de Obama consiste em um acordo com a Rússia. Na quinta-feira (8/4), ele viaja a Praga para assinar com a Rússia o novo Tratado Start para redução de armas nucleares.

Start é a sigla em inglês para "Tratado de Redução de Armas Estratégicas". O acordo acertado entre as potências adversárias Estados Unidos e Rússia prevê a redução gradual, em ambos os lados, das armas nucleares estratégicas da época da Guerra Fria.

O que parece simples tem uma história bastante complicada, incluindo décadas de discussões prévias sobre as ogivas e mísseis, direitos militares e influências territoriais.

Já no início dos anos 80, o então presidente americano Ronald Reagan teve a ideia de um acordo similar. Esse foi até mesmo assinado antes do colapso da União Soviética, em 1991, por seu sucessor, George Bush sênior. O acerto, denominado Start 1, entrou em vigor em 1994 e determina o desmantelamento de milhares de mísseis e ogivas nucleares na Rússia e nos EUA. O que poderia restar dos arsenais era no máximo 6 mil ogivas nucleares, em ambos os lados.

Tratado Start 2 não decola

Para reduzir esse número ainda mais, deveria seguir, na década de 90, o acordo Start 2, prevendo uma nova redução de 3 mil ogivas nucleares de cada lado. Entretanto, o acordo não comprometia vinculativamente nenhuma das partes a destruir as ogivas, nem resolvia o problema do armazenamento dos arsenais.

Os governantes dos EUA e da Rússia na época, George Bush sênior e Boris Iéltsin, assinaram esse tratado em 1993. O Senado americano demorou três anos para ratificá-lo. No entanto, o parlamento russo, a Duma, bloqueoou a aprovação em decorrência da política americana nos anos seguintes (expansão da Otan para o Leste Europeu, missão da Otan no Kosovo).

Atomwaffenfähige Rakete, Atomwaffe

Armas nucleares americanas ainda estacionadas na Alemanha

Uma questão que pesou negativamente foi o sistema de defesa antimísseis que os EUA pretendiam construir na Europa Oriental, especialmente na Polônia e na República Tcheca. A Rússia rejeitava os planos.

Quando a Duma finalmente ratificou o Start 2 , em 2000, o fez sob a condição de que Washington abrisse mão de um sistema de defesa antimíssil. Os EUA não abdicaram de suas intenções e, por isso, o Start 2 nunca entrou em vigor. Como alternativa, os então presidentes George W. Bush (júnior) e Vladimir Putin concordaram em uma destruição parcial das ogivas, mas sem um calendário vinculativo.

Obama anunciou, em setembro de 2009, que abriria mão, temporariamente, de um sistema de defesa antimíssil na Polônia e na República Tcheca, tendo, por isso, recebido muitos elogios da Rússia. No entanto, Obama continua a planejar algo semelhante na Bulgária e na Romênia, plano rejeitado rigorosamente pelos russos.

Start 3 pode abrir uma nova era

Como o Start 1 expira em abril de 2010, Barack Obama se empenhou em recolocar o acordo em pauta o mais rápido possível e trabalhar pela assinatura de um novo tratado vinculativo com a Rússia. Um ano atrás, em seu discurso em Praga, em 5 de abril de 2009, Obama falou sobre sua meta de ter um mundo livre de armas nucleares e anunciou um acordo Start 3 com a Rússia.

O presidente russo, Dimitri Medvedev, e Barack Obama se comprometeram a reduzir o número de ogivas e mísseis nos próximos dez anos. No final, cada um dos dois países deverá conservar um máximo de 1550 ogivas e 800 mísseis. Esse tratado deve ser solenemente assinado em Praga no dia de 8 abril.

Armas de curto alcance são próxima meta

Mas as negociações estão longe de estar concluídas. Nas conversas posteriores com a Rússia, não devem ser tratados apenas os mísseis de longo alcance, mas também o desmantelamento das armas nucleares de curto alcance.

Só então poderão vir a desaparecer também as armas nucleares existentes na Alemanha, relíquias da Guerra Fria. Calcula-se esse arsenal inclua 20 ogivas nucleares.

Como ponto alto ca campanha antinuclear de Barack Obama, na próxima semana os líderes de mais de 40 países se reúnem em Washington, a convite do presidente americano, para discutir novas estratégias. A cúpula internacional sobre desarmamento nuclear deverá debater como impedir que as armas nucleares caiam nas mãos de terroristas.

Autora: Anna Kuhn-Osius (md)
Revisão: Simone Lopes

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