Obama finaliza em Istambul visita de oito dias à Europa | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 07.04.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Obama finaliza em Istambul visita de oito dias à Europa

No final da visita à Europa, Obama ganha na Turquia aplausos no Parlamento por afirmar que EUA não estão em guerra com o Islã. Escritora turco-alemã considera trágico esquecer que Turquia é república secular.

default

Barack Obama termina sua visita pela Turquia

Com um encontro com religiosos e uma visita à Mesquita Azul, em Istambul, o presidente norte-americano Barack Obama finaliza, nesta terça-feira (07/04), sua visita de oito dias ao continente europeu e à Turquia.

Na segunda-feira em Ancara, capital turca, Obama havia discursado no Parlamento, distribuindo elogios e cumprimentos aos anfitriões e iniciando assim uma nova era nas relações entre a Turquia e os Estados Unidos. O presidente norte-americano mostrou-se também bastante diplomático em relação à problemática que envolve o governo turco, armênios e curdos.

Obama havia prometido à comunidade da diáspora armênia nos Estados Unidos denominar de "genocídio" o massacre a armênios por turcos durante a Primeira Guerra Mundial. Na coletiva de imprensa realizada na segunda-feira em Ancara, Obama salientou que não havia mudado de opinião, mas evitou usar a palavra tão temida pelos turcos.

Apoio norte-americano a ingresso na UE

Obama Go Home auf Türkisch

Protestos contra Obama em Istambul

No seu discurso no Parlamento em Ancara, Obama mencionou todos os temas importantes nas relações bilaterais, sublinhando as contribuições prestadas pelos turcos até agora: o apoio às tropas que combatem o terrorismo no Afeganistão, a mediação entre Israel e Síria com vista à devolução das Colinas de Golã, como também os esforços em prol de novas negociações com o Irã. Segundo Obama, a Turquia é o único país da região que tem relações boas e cordiais com os demais vizinhos.

Além disso, Obama reiterou em Ancara seu apoio ao ingresso da Turquia como membro efetivo da União Europeia. "Quero dizer claramente: os EUA apoiam energicamente o pedido de ingresso da Turquia na União Europeia", declarou o presidente norte-americano.

Linha de união

Essa declaração trouxe a Obama aplausos espontâneos, como também a alusão de que a organização clandestina curda Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) pertenceria à lista de organizações terroristas.

No Parlamento turco, Obama salientou mais uma vez sua política diante do mundo islâmico. "Os Estados Unidos não estão e nunca estarão em guerra com o Islã", afirmou.

O melhor colírio para os olhos dos turcos veio no final de seu discurso. Obama elogiou a grandeza política e histórica do país e sua localização entre dois continentes, afirmando que o Estreito de Bósforo não é uma linha de divisão, mas de união. "Esta não é uma linha que separa o Ocidente do Oriente, mas onde eles se encontram", explicou.

Compreensão em relação a uma Turquia islâmica

A socióloga alemã de ascendência turca Necla Kelek criticou que cada vez mais a Turquia é vista no Ocidente como um país muçulmano. "A Turquia é uma república secular", afirmou a escritora nesta terça-feira em entrevista à emissora Deutschlandradio. Kelek considera trágico o fato de que isso não seja mais mencionado.

Segundo a escritora, o partido do governo AKP está levando o país em direção de uma nação islâmica. Isso se notaria pelo grande número de mesquitas que estão sendo construídas em vez de escolas, explicou.

Kelek comentou a visita do presidente norte-americano, observando que, para os turcos, a Europa e os EUA são vistos como "países ateus" e que Obama, durante sua visita, se apresentou como uma pessoa religiosa, tentando assim ganhar a aprovação do AKP e da população. Segundo a socióloga, o presidente norte-americano ganhou aplausos no Parlamento turco porque demostrou compreensão em relação a uma Turquia islâmica.

Diplomacia a longo prazo

O jornal britânico The Independent comentou nesta terça-feira que o apoio claro de Obama ao ingresso da Turquia como membro efetivo da União Europeia não agradou aos governos em Berlim e em Paris. Segundo o jornal, Merkel e Sarkozy teriam rejeitado a ideia de que o país com 80 milhões de habitantes, em sua maioria muçulmanos, possa se tornar rapidamente um membro da União Europeia.

"Obama pode ter sido pouco diplomático ao apoiar incondicionalmente o pedido turco de ingresso na UE, mas não devemos nos enganar: fechar a porta na cara dos turcos não é de interesse dos europeus", comentou o jornal britânico.

CA/dpa/epd/ap/dw

Revisão: Soraia Vilela

Leia mais