Especialistas freiam expectativas europeias da visita de Obama | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 30.03.2009
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Mundo

Especialistas freiam expectativas europeias da visita de Obama

Especialistas advertem que expectativas europeias da visita de Obama ao continente são elevadas demais. Pacotes de estímulo à economia e nova estratégia americana no Afeganistão poderão gerar conflitos.

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Visita à Europa será sua primeira grande viagem internacional

Em sua viagem pela Europa, que tem início em Londres nesta terça-feira (31/03) e se estende até o próximo 7 de abril, o presidente norte-americano, Barack Obama, visitará Reino Unido, França, Alemanha, República Tcheca e Turquia. Na capital britânica, Obama se encontrará na quarta-feira com os colegas de pasta Dimitri Medvedev (Rússia) e Hu Jintao (China) e participará da cúpula do G20 no dia seguinte.

Antes de seguir para a República Tcheca e para a Turquia no início da próxima semana, o presidente norte-americano participará da cúpula da Otan em Estrasburgo/Kehl e em Baden-Baden na sexta-feira e no sábado (03 e 04/04).

Com exceção da curta visita que fez ao Canadá, esta será sua primeira grande viagem internacional. O entusiasmo da população e de políticos europeus é grande, mas especialistas advertem que as expectativas podem estar altas demais.

Pacotes conjunturais maiores?

Symbolbild EU Konjunkturpaket

Obama: mais ajuda estatal para conter a crise?

Craig Kennedy, presidente do Fundo Marshall Alemão em Washington, disse que nunca vira tanto entusiasmo dos europeus em torno de uma visita de um presidente norte-americano. No entanto, ele prevê conflitos em diversos pontos.

O primeiro deles diz respeito à política econômica do governo americano. Segundo Kennedy, questiona-se a existência de tantos programas de estímulo à economia sem que haja mecanismos de regulação e controle. A dimensão dos pacotes conjunturais norte-americanos e do déficit que eles provocam no orçamento é vista com preocupação.

Além disso, a Casa Branca desmente que o governo Obama exija dos europeus investimentos estatais mais elevados para combater a crise. Mas o historiador americano Nile Gardiner, diretor do Centro Margaret Thatcher para a Liberdade da Fundação Heritage, alerta que, embora nunca tenha declarado abertamente perante as câmeras, Obama espera dos europeus incentivos bem maiores, como também maior participação no Afeganistão.

Mais tropas para o Afeganistão

Na opinião de Craig Kennedy, a nova política norte-americana para o Afeganistão seria outro provável ponto de atrito entre os parceiros. Em princípio, os europeus saúdam a mudança iniciada por Obama, mas também sabem que agora se espera uma maior cooperação de sua parte.

A Casa Branca salienta que não há exigências concretas e o embaixador alemão em Washington, Klaus Scharioth, afirmou que não houve pedidos oficiais por mais tropas para o Afeganistão. Mas cada um dos membros da Otan estaria avaliando que ajuda adicional poderia prestar.

Mudanças climáticas

Afghanistan Feisabad Bundeswehr Archivbild

Ajuda ao Afeganistão poderá ser ponto de atrito

Como um terceiro possível ponto de discórdia, o presidente do Fundo Marshall Alemão mencionou a política de proteção ambiental. Segundo Kennedy, existiriam dúvidas quanto à real disposição do governo norte-americano em levar a cabo medidas concretas de combate à mudança climática.

"As pessoas olham para o déficit orçamentário, para a má situação econômica e se perguntam se a política de proteção climática realmente possui prioridade máxima", questionou.

Nesse ponto, o embaixador alemão em Washington se mostra otimista. Com vista à próxima cúpula mundial do clima em Copenhague, é necessário que os EUA "assumam um papel forte", tema que será discutido na cúpula EUA-União Europeia no próximo domingo (05/04) em Praga, explicou Scharioth.

Restaurar imagem no mundo

Para o embaixador alemão, o encontro de Obama com as lideranças europeias deverá mostrar simbolicamente que europeus e norte-americanos procuram soluções comuns.

Dennis McDonough, vice-assessor de comunicação do presidente norte-americano, salientou o valor simbólico da visita de Obama a fim de reforçar velhas alianças e estabelecer novas. Segundo ele, "restaurar a imagem dos EUA no mundo e principalmente na Europa é parte fundamental das intenções do presidente".

Quanto ao planos de construção de um escudo antimísseis na Europa, suspensos por Obama, a visita em Praga terá ainda mais um valor simbólico na opinião de Charles Kupchan, especialista em assuntos europeus do Conselho de Relações Exteriores em Washington.

"O governo Bush pressionou a Polônia e a República Tcheca, que tentaram vender tais planos com todos os meios possíveis a uma população cética. A viagem de Obama a Praga deverá ajudar a melhorar a imagem desses governos, que agora se encontram em uma situação infeliz", explicou Kupchan.

Autor: Christina Bergmann / Carlos Albuquerque

Revisão: Rodrigo Rimon

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