Obama busca proximidade da China sem querer intimidar aliados | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.11.2009
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Mundo

Obama busca proximidade da China sem querer intimidar aliados

Em ascensão econômica, China ganha cada vez mais peso no cenário geopolítico internacional. Em sua viagem ao país, desafio do presidente dos EUA, Barack Obama é aproximar-se de Pequim sem intimidar os aliados na região.

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Obama vai à China, após ter recebido presidente chinês em Nova York em setembro

"A América está de volta". Essa declaração de Hillary Clinton, secretária de Estado norte-americana, durante a assinatura de um acordo de cooperação entre os EUA e a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) pode ser entendida como o anúncio de uma nova política norte-americana para a região.

Paralelo ao encontro de cúpula da Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico), dia 15 de novembro, em Cingapura, o presidente Barack Obama deverá se reunir pela primeira vez com representantes dos governos de países da Asean.

Principalmente o Sudeste Asiático entra cada vez mais no foco de atenção da política norte-americana, observa o especialista Robert Sutter, da Universidade de Georgetown, em Washington: "O governo Obama mantém agora uma postura mais flexível, que possibilita uma interação livre com todos os líderes dos países-membros da Asean. Isso é muito útil no processo de aproximação do governo norte-americano com toda a região", diz Sutter.

Essa postura flexível fica clara no exemplo de Mianmar (ex-Birmânia). Washington conduz em relação ao país uma mudança de curso cautelosa. Diplomatas norte-americanos passaram recentemente a buscar o diálogo com a junta militar no país.

Mudança de curso

Sob o governo do ex-presidente George W. Bush, esse passo teria sido impensável, já que todo o empenho dos EUA na região havia sido reduzido durante seu governo. E enquanto os EUA se distanciavam do Sudeste Asiático, a China se expandia na região.

O governo chinês construiu estradas na Tailândia, concedeu créditos à Indonésia e comprou matéria-prima de Mianmar. Chineses vivendo do Vietnã até Cingapura tratavam de manter os "bons laços" entre a China e os países da Asean.

Symbolbild zwischen China und USA Flash-Galerie

EUA e China: busca de parceria mais intensa

Xuewu Gu, cientista político da Universidade de Bonn, vê na ascensão da China o principal desafio para os EUA na Ásia. Segundo ele, a presença chinesa "vai fazer com que a influência norte-americana diminua de forma dramática na região. A questão é saber como enfrentar a China, um país que tenta continuamente, há dois ou três anos, se atrelar ao Sudeste Asiático", analisa Gu.

Independência do Ocidente

O leste da Ásia vai se tornando cada vez mais independente do Ocidente. A cooperação multilateral na região também aumenta. A Asean coopera não apenas com a China, mas também com o Japão, Índia, Coreia do Sul e Austrália.

No 15° encontro de cúpula do órgão, do qual o Japão também participou, o premiê japonês Yukio Hatoyama, chegou até mesmo a sugerir a fundação de uma "Comunidade do Sudeste Asiático" com uma moeda comum. Esta, por sua vez, deveria, segundo ele, assumir um papel de liderança global no futuro.

Nadine Godehardt, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais, sediado em Hamburgo, acha, contudo, que tal perspectiva não é realista. "Uma grande norma é manter a soberania e a integridade nacionais. Essa é uma das regras decisivas. Ou seja, os Estados não querem abdicar de suas soberanias e também não querem que outros países se intrometam em suas questões de política interna", analisa Godehardt.

Mesmo assim, as intenções de Hatoyama já demonstram quão sérios são os esforços por uma cooperação multilateral entre os países do Leste Asiático. Para manter sua influência, aponta Godehardt, os EUA terão que se empenhar muito pela cooperação entre os países da região.

Jogo duplo

Se por um lado os EUA disputam com a China a influência na Ásia, por outro os dois Estados mantêm estreitas ligações entre si. Os EUA são um parceiro importante para a compra de produtos chineses. Ao mesmo tempo, a China é o principal credor dos EUA. No auge da crise econômica, Pequim se manteve um parceiro confiável dos EUA.

Na opinião de Gu, Washington se vê, no momento, frente a um dilema: "Por um lado, os EUA precisam intensificar suas relações com Pequim através de diversas medidas, especialmente por meio de negociações nos setores militar e de Defesa. Isso provoca uma desconfiança do lado japonês", analisa Gu.

Em sua viagem, Obama deverá enfrentar uma situação complicada: intensificar ainda mais as relações com a China, ao mesmo tempo em que disputa com o país a influência no Sudeste Asiático.

Autor: Christoph Ricking (sv)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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