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O teste positivo de Bolsonaro na imprensa europeia

8 de julho de 2020

Ao noticiar que presidente contraiu o vírus, veículos destacam postura negacionista de Bolsonaro em relação à gravidade da pandemia, sua "não luta" para conter o avanço da doença e o desrespeito às medidas de proteção.

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O presidente Jair Bolsonaro em meio a apoiadores
Aglomerações provocadas por Bolsonaro, muitas vezes sem máscara, foram destacadas pela mídia europeiaFoto: picture-alliance/dpa/A. Borges

Frankfurter Allgemeine Zeitung (Alemanha) – Bolsonaro está com covid-19

O presidente confirmou sua infecção nesta terça-feira – e disse que estava bem. Ele não tem apenas desconsiderado a obrigação de usar máscara, mas também lutado vigorosamente contra ela.

Nas últimas semanas, Bolsonaro apareceu diversas vezes em público sem máscara. Uma decisão da Justiça que deveria obrigar o presidente a usar máscara foi revogada recentemente, uma vez que uma exigência geral já se aplica no Distrito Federal – também para o presidente. No entanto, Bolsonaro desconsiderou essa regra várias vezes.

Ele também sabotou constantemente as medidas de isolamento social impostas pelos governadores. Na sexta-feira, Bolsonaro sancionou com vários vetos uma lei aprovada pelo Congresso que regula a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços públicos.

Bolsonaro vem minimizando a pandemia desde que ela eclodiu, e causou indignação com várias declarações provocativas nos últimos meses. Entre outras coisas, disse que o vírus era uma "gripezinha" e não poderia prejudicá-lo. Enquanto isso, repetidamente apareceu em aglomerações. Dada a despreocupação do presidente em relação à pandemia, os primeiros relatos de sua infecção pelo coronavírus provocaram uma onda de comentários maliciosos nas redes sociais. As declarações de muitos opositores de Bolsonaro chegam ao ponto de desejar muito sucesso ao coronavírus na luta contra o presidente – e não o contrário.

Der Spiegel (Alemanha) – Bolsonaro infectado por coronavírus

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, tem sido criticado por sua gestão da pandemia de coronavírus há meses. Embora seu país tenha há tempos se tornado um epicentro, a acusação é de que ele subestima o vírus. De fato, não muito tempo atrás ele comparou a covid-19 a uma "gripezinha". Agora Bolsonaro foi infectado pelo vírus.

O Brasil é atualmente um dos epicentros da pandemia de coronavírus ao lado dos Estados Unidos. Até o momento, 1,6 milhão de pessoas foram infectadas no maior país da América Latina, e 65 mil pessoas morreram em decorrência da doença pulmonar covid-19. Os especialistas assumem que os números reais sejam significativamente maiores, uma vez que poucos testes são realizados no Brasil.

Assim como o presidente dos EUA, Donald Trump, Bolsonaro tem promovido repetidamente a hidroxicloroquina na luta contra a pandemia. No entanto, o uso desse medicamento contra o coronavírus é controverso.

O governo brasileiro minimizou a pandemia desde o início. O presidente Bolsonaro resistiu a medidas de proteção. O líder de direita teme o impacto econômico de um lockdown. Repetidas vezes ele apareceu em público sem máscara, provocou aglomerações em massa e tirou selfies com apoiadores.

The Guardian (Reino Unido) – Presidente brasileiro Jair Bolsonaro testa positivo para coronavírus

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, anunciou ao vivo na televisão que testou positivo para o coronavírus. "Acabou de dar positivo", disse um Bolsonaro de máscara a um pequeno grupo de repórteres do lado de fora de sua residência oficial. "Não precisa entrar em pânico", acrescentou o presidente. "A vida continua."

Bolsonaro, de 65 anos, tem banalizado repetidamente a pandemia e desrespeitado o distanciamento social, mesmo quando o Brasil se tornou o segundo país mais atingido depois dos Estados Unidos, com mais de 65 mil mortos e 1,6 milhão de caso confirmados.

Em março, quando a covid-19 fez suas primeiras vítimas no Brasil, o populista de extrema direita usou um discurso à nação para se gabar que, se fosse infectado, rapidamente se livraria da doença graças a seu "histórico de atleta".

Desde então, Bolsonaro continuou participando de eventos sociais e comícios políticos, muitas vezes usando máscaras incorretamente ou sem nem mesmo usá-las.

A resposta de Bolsonaro ao coronavírus tem provocado indignação nacional e internacional, com muitos culpando-o diretamente pelo alto número de mortos. Atualmente, o Brasil está sem um ministro da Saúde, depois de dois deles terem sido forçados a deixar o cargo em menos de um mês, após entrarem em atrito com Bolsonaro por causa da pandemia.

Corriere Della Sera (Itália) – Bolsonaro positivo para coronavírus: "Mas não tenho mais febre"

Já no domingo, o grande negacionista do hemisfério sul tinha 38 graus de febre, dor nos músculos e baixa oxigenação no sangue. Para qualquer outra pessoa (excluindo Donald Trump, seu colega negacionista do hemisfério norte), os sintomas de covid-19 pareceriam alarmantes. Para Jair Messias Bolsonaro, presidente do Brasil, não.

Coerente consigo mesmo desde o início da pandemia, o líder brasileiro tem resistido em aceitar radiografias do pulmão e exames. Mas recusar agora poderia ter aberto uma crise diplomática, já que ele encontrou (e praticamente abraçou) o embaixador americano em Brasília durante um encontro.

São vários os flashes de sua epopeia negacionista descarada. Jair andando de jet ski enquanto faltam covas nos cemitérios. Jair com uma criança no colo e apertando mãos enquanto os hospitais pedem distanciamento social. Jair dizendo que "mais cedo ou mais tarde todo mundo vai morrer" enquanto o Brasil supera em número de vítimas o Reino Unido, do negacionista arrependido Boris Johnson. Jair assegurando que "os brasileiros são fortes contra o vírus porque estão acostumados a pular em esgoto" enquanto os números colocam o Brasil em segundo lugar entre os países mais afetados do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Com mais de 200 milhões de habitantes e 300 mil profissionais de saúde pública, o gigante sul-americano poderia ter enfrentado a epidemia de maneira diferente. Alguns estados conseguiram contê-la, mas o fizeram lutando contra os poderes do presidente, que vetou a obrigatoriedade de máscaras, abriu academias e salões de beleza, e pediu que seguidores invadissem hospitais para "filmar o grande blefe das UTIs desertas".

Para ficar mais livre em sua "não luta" contra o coronavírus, Bolsonaro substituiu as vinte posições técnicas mais importantes do Ministério da Saúde por militares.

El País (Espanha) – Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, dá positivo em teste de coronavírus

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, testou positivo para o coronavírus, segundo ele próprio anunciou na televisão nesta terça-feira. [...] No entanto, insistiu em exagerar a atenção dada à epidemia no Brasil, que, com 1,6 milhão de casos positivos e quase 65.500 mortes, é o segundo país mais afetado do mundo. "Houve um superdimensionamento. O isolamento foi realizado horizontalmente, ou seja, todos ficaram em casa. Foram medidas exageradas, na minha opinião", afirmou.

O positivo de Bolsonaro pode ter efeitos imprevisíveis em seu entorno. No sábado, 4 de julho, Bolsonaro estava na casa do embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Todd Chapman, acompanhado por ministros e militares para comemorar o dia da independência dos EUA.

Desde o início da crise no Brasil, o presidente mantém uma atitude negacionista em relação à doença. Desde o primeiro dia ele defendeu a ideia de que a pandemia foi promovida pela esquerda de seu país para paralisar a economia e antecipar sua saída do governo. A estratégia brasileira contra o vírus, com os estados promovendo o confinamento e o presidente chamando às ruas, até causou alarme nos países vizinhos.

Em maio, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, disse que o Brasil era "uma grande ameaça" à segurança sanitária de seu país. Paraguai e Brasil compartilham 700 quilômetros de fronteira. O presidente argentino, Alberto Fernández, com quem Bolsonaro mantém uma inimizade aberta, também alertou que o Brasil é um perigo para a América do Sul. Argentina (80.000 casos), Paraguai (2.400 casos) e Uruguai (960 casos) são três dos países da América do Sul menos afetados pela pandemia.

Diário de Notícias (Portugal) – Bolsonaro tornou-se um dos 1.643.539 infectados com covid-19 no Brasil

O anúncio foi feito pelo próprio presidente, depois de revelar ter sentido sintomas no domingo e na segunda-feira. Ele afirma que já está tomando hidroxicloroquina.

No final da conversa com os repórteres, Bolsonaro tirou a máscara, deu dois passos atrás e mandou mensagem à população, ato considerado perigoso por especialistas. Alguns sugeriram que um anúncio deste tipo fosse feito por videoconferência e não ao vivo.

O presidente do Brasil cancelou todas as atividades exteriores da agenda. Mas afirma que vai continuar a trabalhar de casa, na busca de um ministro da Educação – o governo não tem ninguém no cargo desde o início de junho depois de dois convites recentes terem acabado por não se concretizar.

Uma das hashtags mais partilhadas da rede social Twitter no Brasil, entretanto, foi "força covid", divulgada sobretudo, claro, por opositores do presidente. O ex-vereador Carlos Bolsonaro e outros bolsonaristas responderam que "há muitos Adélios Bispo à solta", numa alusão ao homem que esfaqueou Bolsonaro em campanha eleitoral.

Ao longo dos últimos meses, Bolsonaro foi criticado por ter participado em manifestações e outro tipo de aglomerações sem máscara e dando abraços e beijos a apoiantes. Em março, chamou a doença de "histeria", primeiro, de "gripezinha", depois, e disse ainda que, tendo "histórico de atleta", não temia contaminação, conforme a imprensa recordou nas últimas horas.

EK/ots

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