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Symbolbild Pressespiegel
Foto: Jan Woitas/dpa/picture alliance

O segundo ano de Bolsonaro na imprensa alemã

31 de dezembro de 2020

Nos últimos 12 meses, veículos do país europeu destacaram gestão desastrosa da pandemia, escândalos envolvendo a família Bolsonaro, destruição do meio ambiente e o derretimento sem fim da imagem do Brasil no exterior.

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Süddeutsche Zeitung: "Direita, volver!" (16/01) – sobre as escolas militarizadas promovidas pelo governo

Bolsonaro está no poder há pouco mais de um ano. Nesse período, o governo não apenas relaxou a legislação de armas e incitou ao ódio contra homossexuais e minorias, mas também interferiu fortemente no sistema de ensino. O governo considera que escolas públicas são um antro de comunistas e marxistas. Recursos para educação são reduzidos, e planos de ensino são alterados. Ao mesmo tempo é incentivado um modelo de escola que, informalmente, é chamada de "escola militarizada".

Der Spiegel: "A ameaça em pessoa à segurança pública (18/03) – sobre Bolsonaro minimizar o coronavírus

Jair Bolsonaro ignorou as advertências de seu próprio ministro. No dia em que os casos confirmados de coronavírus no Brasil subiam para 200, ele desceu a rampa do Planalto com uma camisa da seleção brasileira e cumprimentou uma multidão de seguidores. Bolsonaro apertou mãos, abraçou pessoas, pegou os smartphones de dezenas de apoiadores e tirou selfies. Sequer uma máscara ele usava. Não é a primeira vez que Bolsonaro rejeita o conhecimento científico. Ele nega as mudanças climáticas. Quando a Floresta Amazônica estava em chamas no ano passado, ele negou que isso se devesse ao aumento do desmatamento da floresta.

Süddeutsche Zeitung: "Abraços em meio a hipnose coletiva" (13/04) – sobre incentivos de Bolsonaro contra o distanciamento social

A regra do distanciamento social caiu diante dos poderes econômicos. Mas uma outra força, ainda mais vigorosa, leva as pessoas de volta às ruas, uma espécie de hipnose coletiva: quando o Brasil já tinha 941 mortes em decorrência de infecção pelo novo coronavírus, o presidente Bolsonaro visitou uma padaria, comprou um refresco e voltou a abraçar muitas pessoas, tocando-as para selfies e vídeos, sem luvas, sem máscara. E, assim, os brasileiros não deixam suas casas apenas para manter seus trabalhos. Vão a bares na esquina para beber alguma coisa, saem para comprar ovos de Páscoa, para passear e rever os amigos. Fazem tudo isso sem máscaras e postam cada momento nas redes sociais. É amargo ser testemunha desse comportamento suicida.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "A gripezinha" (21/04) – sobre a participação de Bolsonaro em atos antidemocráticos

Em frente ao quartel-general do Exército em Brasília, Jair Bolsonaro, numa caçamba de pick-up, acena para seus seguidores que se reuniram no local. "Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil", afirmou o presidente. Enquanto em muitas partes do mundo, a luta contra a pandemia está unindo a população, Bolsonaro consegue que o Brasil discuta o risco de um golpe.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Por quanto tempo Bolsonaro ainda vai conseguir se segurar?" (28/04) – sobre escândalos do governo

Os brasileiros estão pagando um preço elevado por seu presidente inconstante. Mas, enquanto os evangélicos e os militares ficarem quietos, Bolsonaro não tem o que temer. Em nenhum outro país da América do Sul a população paga um preço tão caro pela incapacidade do governo de reagir de forma apropriada à pandemia de covid-19 do que no Brasil. Mas a perda de imagem causada pela saída de dois importantes ministros e pela substituição do chefe da Polícia Federal por uma pessoa de confiança ainda não é tão ameaçadora a ponto de Bolsonaro ter de temer pelo seu cargo. Os evangélicos e os militares, os reais pilares do poder de Bolsonaro, continuam quietos. Até quando?

Tagesschau.de: "Crise após renúncia do 'superministro'" (24/04) – sobre a saída de Sergio Moro do governo

Ele era considerado um dos dois "superministros" do governo Bolsonaro. O ministro da Justiça, Sergio Moro, encaminhou sua renúncia e reclamou de uma grave intromissão política no trabalho da Polícia Federal. No meio da crise do coronavírus, o Brasil desliza para uma crise de governo. Depois do ministro da Saúde, é a vez de Moro, sair. Isso tem o efeito de uma bomba para o Brasil. E ele não escondeu os motivos: Bolsonaro tentou, por todos os meios, influenciar as investigações da Polícia Federal.

Der Spiegel: "O vírus do ódio" (02/05) – sobre as acusações de Sergio Moro contra Bolsonaro

No mundo de Jair Bolsonaro só há lugar para dois tipos de pessoas: há os cidadãos de bem, entre os quais estão essencialmente o próprio Bolsonaro, sua família e os seus apoiadores. E há os comunistas. De herói do povo a traidor da pátria – no mundo bolsonarista, por vezes apenas algumas horas separaram as duas coisas. Uma palavra errada pode ser suficiente, um "like" errado, um alerta sobre os limites da Constituição. É como uma seita. Só existe dentro ou fora. A declaração do agora ex-ministro Sergio Moro é explosiva para Bolsonaro, pois mostra a compreensão duvidosa de democracia por parte de um homem que se equipara cada vez mais descaradamente às instituições do Estado.

Berliner Zeitung: "A fúria do coronavírus atinge o Brasil" (19/05) – sobre a postura de Bolsonaro na pandemia

Jair Bolsonaro, o presidente, é responsável pelo que está acontecendo. Contra todos os conselhos dos médicos, ele continua frequentemente se misturando às pessoas, causando aglomerações e zombando dos meios de comunicação que reportam criticamente sobre a propagação do vírus. "Meu nome é Messias, mas não posso fazer milagres", disse ele recentemente com um encolher de ombros.

Frankfurter Rundschau: "O show dos horrores de Jair Bolsonaro" (27/05) – sobre o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril

Se horrorizar é algo comum agora no Brasil, dado o número vertiginoso de infecções por coronavírus. Mas como se isso não bastasse, a população do maior país da América Latina ainda é apresentada ao modo como seu presidente de extrema direita Jair Bolsonaro se comporta quando não está diante de câmeras de TV. Isso pode ser visto – e, acima de tudo, ouvido – em um vídeo de uma reunião de gabinete no final de abril. Até então, 3 mil brasileiros haviam morrido. De lá para cá, já são mais de 23.500. O vídeo deixa claro como Bolsonaro e seus ministros não se importam, de forma alguma, com a pandemia.

Die Zeit: "Agora a região amazônica está sendo saqueada" (30/05) – sobre a política ambiental do governo

Bolsonaro quer reviver um projeto antigo da ditadura militar: explorar a Floresta Amazônica o mais rápido possível por meio de infraestrutura e convidar para lá empresas madeireiras e pecuárias, agricultores de soja e mineradores. São pessoas que apoiam politicamente Bolsonaro. Agora, na crise de coronavírus, as consequências dessa negligência em relação aos povos indígenas são particularmente visíveis. ONGs, igrejas e promotores já alertaram para o risco de um "novo genocídio" na floresta tropical.

Die Zeit: "O presidente loucamente bem-sucedido" (09/06) – sobre a continuidade do governo em meio a crises

Por que os brasileiros não derrubam seu presidente? Há semanas, circulam pelo mundo fotos de valas comuns no país sul-americano. Mas Jair Bolsonaro, de 65 anos, aparece ostensivamente na multidão sem máscara e apela para que as pessoas trabalhem e vão às compras. Uma "gripezinha", diz ele, que demitiu dois ministros da Saúde que não compartilhavam sua visão otimista. Enquanto isso, o presidente e sua família também se tornaram foco de um número crescente de escândalos. Os casos envolvem corrupção, a proximidade dos filhos de Bolsonaro com organizações criminosas do Rio de Janeiro, a propagação de mentiras na internet e outros crimes. Para cada nova acusação que surge, as pessoas se perguntam o que ainda mantém esse homem no poder. Cerca de 30% dos brasileiros apoiam sem hesitação o presidente, não importa o que ele esteja dizendo ou fazendo.

ntv.de: "Aumenta disputa por números de covid-19 no Brasil" (16/06) – sobre o governo tentar esconder número da pandemia

Quando o número de mortos subiu no início do mês, o presidente simplesmente ignorou as cifras. A morte, de acordo com suas palavras tranquilizadoras, é "o destino de todo mundo". No dia seguinte, em vídeo, Bolsonaro exortou seus seguidores a entrar em hospitais e filmar a ocupação de leitos; uma convocação para coletar evidências que supostamente comprovariam números exagerados. Na sexta-feira, Bolsonaro mandou que o número de infectados e mortos fosse removido do site do Ministério da Saúde.

Tagesschau.de: "Balanço aterrador dos 18 meses de gestão Bolsonaro" (01/07) – sobre o caso Flávio-Queiroz

Jair Bolsonaro governa há um ano e meio – um tempo de escândalos e fracassos. O Brasil é atualmente um dos epicentros do coronavírus. Os filhos de Bolsonaro estão no foco da Justiça. Sua política ambiental também o isola internacionalmente. No momento, a prisão de Fabrício Queiroz está no centro da atenção. Um amigo íntimo da família. O filho Flávio Bolsonaro empregava o ex-policial como motorista. Ele teria sido o elo de ligação com milícias de direita. O homem para o serviço sujo dos Bolsonaro, envolvido em todo tipo de negócio obscuro.

Tagesschau.de: "Sem motivos para se alegrar com a desgraça alheia" (08/07) – sobre Bolsonaro com covid-19

Minimizar a pandemia é, há semanas, a principal ocupação de Bolsonaro. Isso quando ele não está impedindo investigações direcionadas contra seus filhos. Bolsonaro nunca levou o coronavírus a sério, minimizou-o como gripezinha e visitou de propósito estabelecimentos comerciais, tirou selfies com fãs e até mesmo foi abraçado por eles. Agora ele também foi pego pelo vírus. Mas não há nenhum motivo para se alegrar com a desgraça alheia - e não só por nobreza de caráter, mas porque é muito provável que Bolsonaro ainda possa tirar proveito dessa infecção. Se ele não for parar numa UTI, como Boris Johnson, a infecção vai ser água no moinho de Jair Bolsonaro. Ele vai sentir confirmada sua posição de que a doença, na maior parte dos casos, evolui como uma "gripezinha".

Die Zeit: "Bolsonaro está perdendo os amigos ricos" (15/07) – sobre o derretimento da imagem do país

Após um ano e meio sob Bolsonaro, o Brasil perdeu sua imagem de potência econômica em ascensão. Hoje o país não representa mais recordes de produção na agricultura, indústria e mineração, como fazia há quase dez anos. Do Brasil, chega uma notícia catastrófica atrás da outra: a escandalosa destruição ambiental na Amazônia, um dos piores surtos de coronavírus do mundo, assassinatos brutais de líderes indígenas, guerras sangrentas de gangues e graves abusos policiais nas favelas, corrupção. Acrescenta-se a isso a proximidade do clã Bolsonaro com grupos criminosos no Rio de Janeiro.

Handelsblatt: "Bolsonaro instrumentaliza a pandemia" (03/08) – sobre brigas de Bolsonaro com governadores

O país é um Estado sem liderança em meio à severa pandemia. Nem ministro da saúde existe mais no gabinete de Bolsonaro. O presidente, por outro lado, faz propaganda da cloroquina, droga contra a malária – e deixa os governadores e prefeitos sozinhos com sua gestão diária da crise. Por trás disso está o cálculo político: Bolsonaro quer culpá-los pela crise econômica.

Die Tagezeitung: "Na onda do coronavírus" (20/08) – sobre Bolsonaro sabotar medidas de distanciamento

Com mais de 110 mil mortos e 3 milhões de contaminados, o Brasil afunda no caos do coronavírus. O responsável por isso é, acima de tudo, o presidente Jair Bolsonaro. Ele chama o vírus de "uma gripezinha", zomba dos enfermos e esbraveja contra medidas de isolamento impostas pelos governos estaduais. Ele se mistura às massas sem máscara, aperta mãos e, despreocupado, come cachorro-quente na rua. Com suas estratégias de minimização e provocações na crise, ele supera até mesmo o seu grande ídolo, Donald Trump.

Die Welt: "O sinistro retorno de Jair Bolsonaro" (21/08) – sobre imagem do país no exterior

Atualmente a imagem do Brasil no exterior é desoladora. O país é visto como hotspot do coronavírus, o desmatamento tropical desperta críticas internacionais. No entanto, cresce a aprovação do presidente. Sob o populista de direita Jair Bolsonaro, o caos político toma conta do Brasil. O país é um epicentro da pandemia de covid-19, e além disso dizima a passo rápido a Floresta Amazônica. Essa é a imagem que a opinião pública tem, no momento, do maior país latino-americano.

Der Spiegel: "A Amazônia há tempos não queimava assim" (31/08) – sobre queimadas na Amazônia

O governo brasileiro disse que iria trabalhar para proteger a floresta tropical. Mas aparentemente foi apenas da boca para fora. Dados de satélite mostram que o número de incêndios na Amazônia continua a aumentar.

Süddeutsche Zeitung: "A popularidade em parcelas de Bolsonaro" (11/10) – sobre aumento da aprovação do governo com o auxílio emergencial

Apesar das 150 mil mortes por coronavírus, incêndios florestais e da desvalorização da moeda, o presidente do Brasil está mais popular do que nunca desde que tomou posse. Uma razão é seu novo amor pelos pobres. Estes são tempos sombrios para o Brasil. Haveria razões suficientes para não estar satisfeito com o presidente Jair Bolsonaro. Mas as pesquisas o mostram com 40% de aprovação. Esta popularidade, porém, é financiada "em parcelas". Desde abril, o governo tem pago a milhões de brasileiros uma ajuda de emergência mensal, antes de 600, agora de 300 reais. Não é muito, mas o suficiente para obter uma ampla aprovação.

Süddeutsche Zeitung: "No pântano da corrupção" (06/11) – sobre a denúncia contra Flávio Bolsonaro

Quando os funcionários não fazem seu trabalho, geralmente isso é um problema para o chefe, ou pelo menos é algo que causa irritação. No caso de Flávio Bolsonaro, entretanto, o oposto pode ser o caso: o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro teria colocado vários funcionários em sua folha de pagamento financiada pelo Estado. Mas eles nunca teriam trabalhado e teriam que abrir mão de grande parte de seus salários – para doar a ninguém menos que seu chefe, o filho do presidente. O fato de o próprio filho do presidente estar envolvido em tais práticas corruptas tem causado sensação no país. Em vez de drenar esse pântano, no entanto, o próprio presidente agora parece afundar nele.

Die Welt: "Após a derrota de Trump, Bolsonaro não tem um plano B" (13/11) – sobre o isolamento do Brasil

Com a próxima mudança de governo nos EUA, os ventos para o Brasil vão mudando significativamente. Agora, não são apenas os europeus que atacam o Brasil por sua política amazônica. Também haverá ventos contrários de Washington.

Der Spiegel: "Bolsonaro teme a imagem de perdedor" (17/11) – sobre derrotas nas eleições municipais e perda do aliado Trump

Quando milhares de municípios brasileiros elegeram novos prefeitos no último domingo, os candidatos apoiados por Bolsonaro quase não se destacaram. Em cidades importantes como São Paulo ou Belo Horizonte, eles sequer chegaram ao segundo turno. Entretanto, o golpe mais duro para Bolsonaro é a derrota de seu ídolo Donald Trump nos EUA. Sua política externa foi baseada no modelo de Washington. Enquanto Trump dominava a política internacional, isso pouco era notado. Agora ele está repentinamente sozinho internacionalmente.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Bolsonaro e o racismo importado" (25/11) – sobre a reação do governo à morte de um homem negro num supermercado gaúcho

Enquanto Jair Bolsonaro ainda não se manifestava sobre a ocorrência [o homicídio de João Alberto Silveira Freitas], o vice Hamilton Mourão disse na sexta-feira que para ele o racismo não existia no Brasil. Mais tarde o presidente bateu na mesma tecla, em sua fala na cúpula virtual do G20: o brasileiro foi sempre um povo miscigenado, quem incita ao debate sobre o racismo só quer dividir o país e espalhar o ódio para ganhar poder, afirmou. Essas palavras despertaram consternação tanto entre os participantes da cúpula. É preciso uma boa dose de desligamento da realidade para descartar o racismo no país como um jogo político ou mesmo uma conspiração.

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "O presidente dos antivacinas" (17/12) – sobre o Brasil ficar para trás na vacinação

[O Brasil] tem experiência com campanhas de vacinação e possui grande capacidade de produção própria. Mas a aquisição e produção de vacinas contra o coronavírus e a organização de uma campanha de vacinação se tornaram parte de uma guerra política. O governo é desinteressado e desorganizado. Ao mesmo tempo, cresce o número de opositores da vacinação no país, com o presidente Jair Bolsonaro na liderança. Embora as primeiras campanhas de vacinação já tenham começado em outros países, o Brasil parece estar perdendo a largada.