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Pessoas em um evento do MST. Uma delas segura uma bandeira do movimento
MST tinha a simpatia do governo LulaFoto: Getty Images/AFP/H. Andrey

O Brasil na imprensa alemã (08/06)

8 de junho de 2022

Mídia alemã destaca o best-seller brasileiro "Torto Arado" e a luta do MST, o desaparecimento de jornalista britânico na Amazônia, as denúncias de escravidão contra a Volkswagen e as chuvas torrenciais no Nordeste.

https://www.dw.com/pt-br/o-brasil-na-imprensa-alem%C3%A3-08-06/a-62064327

Mercur.de - Trabalho escravo no Brasil: a luta do Movimento Sem Terra (06/06)

Um passado mal resolvido de escravidão, pobreza, impotência e luta constante pela sobrevivência. Esses são os temas centrais do romance Torto Arado, do escritor brasileiro Itamar Vieira Júnior. O romance foi publicado no Brasil em 2019 e, desde então, se tornou um best-seller.

Conta a história de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, que crescem no interior da Bahia. Em uma relação de servidão, sua família cultiva um pequeno pedaço de terra e todos os anos têm que ceder grande parte do que é produzido aos proprietários. As crianças quase nunca vão à escola, o acesso ao sistema de saúde é difícil e lutam constantemente contra a aridez e a seca. O romance também retoma um paradoxo da sociedade brasileira: os agricultores que cultivam alimentos muitas vezes passam fome.

Devido a um acidente, uma das duas irmãs do romance perde a língua quando criança e, em consequência, a capacidade de falar e ser ouvida. Ela simboliza os pequenos agricultores brasileiros pobres que dificilmente têm a chance de fazer suas preocupações serem ouvidas.

Embora o romance conte uma história fictícia, se passa em um contexto histórico e social que ainda é uma realidade em muitas partes do Brasil. A escravidão foi oficialmente abolida no país latino-americano antes de 1888, mas muitos brasileiros ainda vivem em condições não muito diferentes da escravidão. 

Enquanto os protagonistas de Torto Arado ainda aceitam essas condições de vida no início do livro, ao longo de suas vidas questionam cada vez mais se essa forma de trabalho é justa. 

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) luta pela reforma agrária no Brasil desde a década de 1980. Destina-se a permitir que os pequenos agricultores, em particular, vivam em um pedaço de terra e o cultivem. 

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A ativista Eliane Balbinotti conta que nasceu no movimento dos sem-terra e é particularmente comprometida com as mulheres dentro do movimento. 

"No Brasil, muita terra está concentrada em pouquíssimas pessoas", diz ela. 

Isso também pode ser expresso em números, cerca de 10% da população brasileira possui cerca de 80% do território país. 

"Mas os grandes latifundiários não garantem que a comida acabe no prato dos brasileiros", diz Eliane Balbinotti. "Eles produzem principalmente soja e milho para exportação. E 70% dos alimentos consumidos no Brasil vêm da agricultura familiar".

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Desde a década de 1980, o movimento tem tido muito sucesso, com cerca de 400 mil famílias tendo o direito de cultivar um pedaço de terra e viver dele. O governo do presidente Lula da Silva era particularmente simpático ao movimento.

O atual presidente Jair Bolsonaro é conhecido por apoiar grandes proprietários de terras no Brasil. Balbinotti acredita que suas políticas também estão promovendo cada vez mais a venda de terras brasileiras para investidores estrangeiros.

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Itamar Vieira Júnior é hoje o escritor vivo mais vendido no Brasil. O romance Torto Arado também será publicado em alemão e estará disponível nas livrarias a partir de 31 de agosto, sob o título A Voz da Minha Irmã.

taz – Rastros se perdem na floresta tropical (08/06)

A notícia se espalhou rapidamente na segunda-feira: o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira estão desaparecidos na floresta amazônica. Os dois viajavam no remoto Vale do Javari, perto da fronteira com o Peru, para fazer pesquisas para um livro sobre conflitos em territórios indígenas.

Phillips, 57 anos, é correspondente freelancer do jornal britânico The Guardian e faz reportagens no Brasil há mais de 15 anos.

O que preocupa é que na região percorrida pelos homens há conflitos regulares entre indígenas, garimpeiros e madeireiros. Além disso, Pereira, funcionário licenciado da Funai, teria recebido várias ameaças de morte.

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As críticas quanto às ações das autoridades são grandes. Embora sete soldados da Marinha tenham sido enviados para a região, nenhum helicóptero ou avião foi deslocado. Enquanto isso, indígenas começaram suas próprias operações de busca com barcos.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontado como o favorito nas eleições presidenciais de outubro, pediu às autoridades que façam "de tudo" para encontrar os desaparecidos. 

A região de Javari é uma enorme área de selva do tamanho da Áustria, onde vivem mais de 20 grupos indígenas. A maioria recuou para as profundezas da selva em isolamento voluntário. Os conflitos de terra na região aumentaram nos últimos anos. Isso também tem a ver com a eleição do extremista de direita Jair Bolsonaro, que criticou indígenas e ambientalistas e convocou seus conterrâneos a se apropriarem ilegalmente de terras.

Merkur.de - Volkswagen deve enfrentar denúncias de trabalho escravo no Brasil (04/06)

Em 1973, a Volkswagen comprou 140 mil hectares de terra no extremo sul da Amazônia. A "Fazenda Volkswagen" foi construída em parte desta área - uma fazenda de criação de gado, que provavelmente foi operada pela montadora por motivos de economia de impostos. Trabalho escravo e violações de direitos humanos teriam ocorrido no local, de acordo com pesquisas das redes NDR e SWR e do jornal Süddeutsche. Em 14 de junho, começa a audiência da Volkswagen do Brasil na Justiça do Trabalho, em Brasília.

Na fazenda de gado Rio Cristalino, propriedade da subsidiária VW no Brasil , os trabalhadores temporários teriam sido mantidos como escravos entre 1974 e 1986. O Ministério Público brasileiro abriu um processo preliminar contra a Volkswagen do Brasil. A acusação: tráfico de pessoas, violações de direitos humanos e trabalho escravo.

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"Os trabalhadores tinham que trabalhar sete dias por semana, mais de dez horas por dia, sem nenhum pagamento”, disse o promotor Rafael Garcia, resumindo as acusações.

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Entre 1964 e 1985, a ditadura militar governou o Brasil. A "Fazenda Volkswagen" era apoiada pelo regime da época, que queria promover o desenvolvimento da região amazônica. 

Não é a primeira vez que o Grupo VW é responsabilizado por sua colaboração com a ditadura militar brasileira. Em 2017, pesquisas da NRD, da SWR e de Süddeutsche mostraram que a montadora estava ativamente envolvida na repressão política e perseguição de opositores da ditadura militar nas instalações de uma fábrica perto de São Paulo. Em 2020, a VW pagou 36 milhões de reais de indenização a familiares de funcionários que foram torturados e mortos.

Stern – Aumenta número de mortos por chuvas no Brasil (02/06)

O número de mortos em deslizamentos de terra após fortes chuvas no nordeste do Brasil subiu para pelo menos 120. Os serviços de emergência ainda procuram pessoas desaparecidas na área do Recife

"Nosso trabalho continua, não sairemos daqui até encontrarmos a última vítima”, disse o líder da operação de resgate, major Vieira de Melo.

Segundo o governo do estado de Pernambuco, mais de 200 milímetros de chuva por metro quadrado caíram na região metropolitana do Recife em 24 horas.

No Brasil, ocorreram inúmeras mortes por deslizamentos e inundações em vários estados nos últimos meses. No final de fevereiro, mais de 200 pessoas morreram em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.

le (ots)