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"Sangue Azul" do pernambucano Lírio Ferreira é o filme de abertura da PanoramaFoto: Rodrigo Valenca

O Brasil na Berlinale de 2015

Marco Sanchez
4 de fevereiro de 2015

Nenhum longa brasileiro concorre ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mas, como em anos anteriores, país mantém papel de destaque, com filmes em mostras como a Panorama, a segunda mais importante do evento.

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Nenhum longa-metragem brasileiro está entre os 19 filmes selecionados para a mostra Competitiva, a principal da 65º Berlinale, que começa nesta quinta-feira (05/02) em Berlim.

Filmes de diretores consagrados como Werner Herzorg, Andreas Dresen, Peter Greenaway, Terrence Malick e Jafar Panahi disputam o Urso de Ouro com nomes menos experientes, como o inglês Andrew Haigh, o romeno Radu Jude, a italiana Laura Bispuri e o vietnamita Phan Dang Di.

Mas, apesar da ausência na principal mostra do festival, o Brasil emplaca filmes em importantes seções da Berlinale. Só na Panorama, o país tem quatro e fica atrás apenas de Estados Unidos e da Alemanha.

"O Brasil está sempre presente na Panorama, seria um ano estranho se não selecionássemos nenhum filme brasileiro", diz o diretor da mostra, Wieland Speck, à DW Brasil. "Nossos olhos estão abertos para a América Latina. Esperamos que os filmes selecionados encontrem seu espaço no mercado Europeu, o que é muito difícil de acontecer."

"Panorama Brasileiro"

Estrelado por Daniel de Oliveira, Sangue Azul, do pernambucano Lírio Ferreira, foi escolhido para abrir a Panorama.

"A Competitiva começa com o filme de Isabel Coixet [Nobody wants the night], que mostra duas mulheres em uma expedição ao Polo Norte. Achei interessante selecionar algo mais ensolarado", brinca Speck. "Mas também é uma maneira de chamar atenção para a forte presença brasileira".

Berlinale 2014 Wieland Speck
Speck quer trazer os filme brasileiros mais perto dos distribuidores europeusFoto: DW

Dois outros filmes de destaque em festivais nas Américas chegam à Europa através da Berlinale. Premiado no Festival do Rio, Ausência traz o cineasta Chico Teixeira de volta a Berlim, depois de apresentar seu filme de estreia, A casa de Alice, em 2007.

Regina Casé e Camila Márdila dividiram o prêmio de melhor atriz em Sundance por Que horas ela volta?, de Anna Muylaert. O longa, segundo Speck, pode ser visto como "um típico filme latino-americano, sobre ricos e seus empregados, mas também sobre emancipação, que reflete uma nova fase do Brasil".

Vencedor do Urso de Ouro em 1998 por Central do Brasil, Walter Salles volta a Berlim com Jia Zhang-Ke, um homem de Fenyang, documentário sobre o cineasta e artistas chinês.

Filmfestival Cannes 2012 Walter Salles
Walter Salles volta a Berlim com documentário sobre o cineasta chinês Jia Zhang-KeFoto: On the Road/Filmfestival Cannes

"É muito interessante ver a visão de um brasileiro sobre um artista que também vem de um país subcontinental que teve grandes e rápidas mudanças políticas e culturais", explica. "Na Panorama, tentamos fazer um cruzamento entre o cinema de autor e o comercial. Eu, como cineasta, sempre quero atingir o público e ajo da mesma maneira com os filmes que seleciono. Eu quero que os filmes tenham uma vida depois do festival."

Possível Urso de Ouro

Mas o Brasil ainda tem chances de levar um prêmio importante para casa. O filme-ensaio Mar de Fogo, sobre o clássico Limite (1931), de Mario Peixoto, foi um dos selecionados para concorrer ao Urso de Ouro de melhor curta-metragem.

O Brasil também participa da experimental mostra Forum, com os longas Brasil S/A, de Marcelo Pedroso, e Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Rebelon.

Berlinale 2015 Viventes KEIN SOCIAL MEDIA + EINSCHRÄNKUNG
Cena da vídeo-instalação "Viventes" de Frederico BenevidesFoto: Frederico Benvenides

Os artistas Frederico Benevides e Arthur Tuoto apresentam vídeo-instalações na Akademie der Künste, como parte da Forum Expanded, que também exibe Fuga dos meus olhos, novo curta-metragem de Felipe Bragança.

Dedicada ao cinema de temática indígena, a segunda edição da mostra Native tem seu foco na América Latina, com filmes de países como Equador, Argentina, México e Brasil.

"O cinema mostra como o Brasil tem dificuldade em lidar com sua realidade. O cenário de apenas ricos fazendo filmes sobre pobres mudou. Tentei não alimentar isso, mas não pude ignorar as boas produções dessa safra. Hoje, vejo que esse cenário melhorou", conclui Speck.