O alemão não flerta | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 13.05.2016
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Alemanha

O alemão não flerta

Quando ouve que flertar é uma habilidade que os franceses e italianos dominam, o alemão quer entender o assunto a fundo. Só que o que acontece quando um alemão flerta não é particularmente sutil.

O alemão é uma pessoa meticulosa. Quando ouve que flertar é uma habilidade que os franceses e italianos dominam muito bem, ele quer saber o que está por trás disso e investiga o assunto a fundo. E recorre ao dicionário para saber a origem da palavra "flerte", que, aliás, não é tão clara. "Flirt" é uma palavra inglesa, mas talvez eles a tenham adotado do francês. Presume-se que o termo venha de "conter fleurette", ou seja, falar de florzinhas, fazer a corte, paquerar, dar em cima. Mas alguém consegue imaginar um alemão falando de florzinhas?

Vamos consultar outra enciclopédia: o flerte é uma aproximação entre pessoas por motivação erótica. Ah. Agora o alemão consegue entender. Só que o que acontece quando um alemão flerta não é particularmente sutil. "Quando não posso chamar o meu amor, faço-lhe um sinal", diz uma canção popular. E ela continua: "Sim, um sinal com os olhinhos e uma pisoteada no pé – há alguém no cômodo que precisa ser minha". Aqui temos os dois exemplos, a aproximação erótica com o piscar de olhos, e também o pontapé. Ou seja, lesão corporal.

"A canção dos nibelungos"

Isso tem tradição. Carregamos nos ossos a antiga história da bela, mas invencível, Brünhild, seu admirador Gunther e o matador de dragões Siegfried do poema épico medieval "A canção dos nibelungos". Gunther quer passar a noite de núpcias com Brünhild, mas ela está zangada com ele e o amarra e o pendura num prego. Siegfried, amigo de Gunther, ajuda o noivo.

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Usando uma capa que o deixa invisível, ele entra no quarto de Gunther e luta com Brünhild até ela se render. Siegfried escapa sigilosamente do quarto, deixando Gunther consumar o matrimônio, para usar termos jurídicos. Junto com a virgindade, Brünhild perde também seus poderes mágicos.

É isso que o alemão entende por "flertar": vencer a resistência da mulher. Para isso, ele tem de conquistá-la. É uma questão de força e poder, caso contrário, corre o perigo de ser pregado como Gunther. Todo o resto do teatro que se diz ser necessário para seduzir, como o piscar do olho e o romantismo água com açúcar, não combina com o homem alemão.

E além do mais, por que o homem? Por que o homem tem de cortejar a mulher e não o contrário? Quando ainda havia cortes, as damas sabiam muito bem fazer sutis insinuações com olhares, gestos e a posição de seu leque. Elas sabiam perfeitamente como atrair e desafiar, seduzir e zombar. E se finalmente as mulheres alemãs pudessem se livrar de uma vez por todas da eterna Brünhild que carregam em seus genes, o flerte teria excelentes perspectivas na Alemanha.

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