O último julgamento de Carlos, o Chacal | Notícias internacionais e análises | DW | 05.03.2018
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Mundo

O último julgamento de Carlos, o Chacal

Terrorista venezuelano retorna ao banco dos réus na França em seu último grande processo, que julga recurso contra sua terceira condenação à prisão perpétua, por um atentado cometido em 1974.

Carlos, o Chacal

Carlos, o Chacal, em 2004: "sou um revolucionário profissional"

O terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos, o Chacal, retornou ao banco dos réus na França nesta segunda-feira (05/03) para ser julgado em seu último grande processo, o de apelação pela sua terceira condenação à prisão perpétua, por um atentado cometido em 1974.

Sorrindo, Carlos levantou o punho direito ao se dirigir a seu lugar no tribunal, antes de enviar um beijo em direção à imprensa. "Eu sou um revolucionário profissional, a revolução é a minha profissão", afirmou, dizendo ter "nacionalidades venezuelana e palestina", e ser residente em "todos os lugares".

Aos 68 anos, o terrorista recorre da sentença, determinada há quase um ano por um tribunal parisiense.

Apesar da ausência de provas materiais, os juízes consideraram que todos os elementos indicavam que Carlos estava por trás da morte de duas pessoas, em 15 de setembro de 1974, após uma pessoa lançar uma granada na galeria comercial Drugstore Publicis, em pleno centro de Paris. O atentado também deixou 34 feridos.

Os juízes basearam seu veredicto no fato de que Carlos estava à frente do braço europeu da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), que pressionava pela libertação de um ativista japonês de um grupo terrorista ligado à FPLP.

O próprio Ramírez havia reivindicado a autoria do atentado em um jornal árabe e um dos membros de seu grupo na época, o terrorista alemão arrependido Hans Joachim Klein, afirmou várias vezes que Carlos era o autor do ataque.

O Chacal aproveitou a tribuna pública durante o julgamento para acusar o Estado francês de manipular os fatos mediante "agentes intoxicados com cocaína" que tinham "sabotado" o processo com "manipulações grosseiras".

"Não sou inocente, mas este processo é um absurdo, sob todos os pontos de vista", disse na época'.

Carlos não negou seu passado de "guerrilheiro" e assumiu responsabilidade por 1.500 mortes, 80 delas com suas próprias mãos, mas negou qualquer envolvimento no caso pelo qual estava sendo julgado.

Ramírez Sánchez, que já foi o mais procurado fugitivo da polícia, está preso na França desde agosto de 1994, depois de ter sido capturado no Sudão, em uma operação do serviço secreto francês.

Carlos, o Chacal, ficou famoso internacionalmente nos anos 70 e 80 por uma série de ataques terroristas. Em uma de suas operações mais dramáticas, ele liderou um comando que atacou um encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em Viena em 1975. Ele fez mais de 60 reféns, incluindo 11 ministros da Opep, e três pessoas foram mortas.

A primeira pena de prisão perpétua para Carlos foi ditada em 1997, quando ele foi condenado pelo assassinato dois agentes secretos franceses em Paris em 27 de junho de 1975.

Em junho de 2013, a Justiça confirmou outra condenação de prisão perpétua a Carlos, por quatro atentados cometidos na França em 1982 e 1983. Os ataques resultaram na morte de 11 pessoas. Outras 200 ficaram feridas.

Nascido em Caracas em 1949, Ramírez era um advogado marxista. Estudou em Moscou e se mudou para o Líbano, onde ingressou na Frente Popular para a Libertação da Palestina. Na Europa, manteve ligações com o grupo terrorista alemão Fração do Exército Vermelho (RAF, na sigla em alemão). Ganhou a alcunha de Carlos, o Chacal após uma cópia do livro O dia do chacal, de Frederick Forsyth, ser encontrada por policiais em um quarto de hotel em que ele se hospedou.

A primeira condenação à prisão perpétua foi recebida em 1997, pelo assassinato de dois agentes secretos franceses e de um informante, em 27 de junho de 1975.

A segunda condenação foi confirmada em apelação em junho de 2013 por quatro atentados cometidos na França em 1982 e 1983, nos quais morreram 11 pessoas e cerca de 200 ficaram feridas.

MD/efe/ap/afp

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