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Em uma sala com aliados, líder trabalhista Jonas Gahr Store (dir.) comemora resultados preliminares das eleições na Noruega
Líder trabalhista Jonas Gahr Store (dir.) comemora resultados preliminares das eleiçõesFoto: Javad Parsa/NTB/AP/picture alliance
PolíticaNoruega

Noruega tem vitória da centro-esquerda em "eleição do clima"

14 de setembro de 2021

Após campanha dominada por mudanças climáticas e pelo futuro da indústria do petróleo no país, oposição coloca fim a oito anos de governo de centro-direita.

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A oposição de centro-esquerda saiu vencedora das eleições parlamentares na Noruega nesta segunda-feira (13/09), após uma campanha dominada pelas mudanças climáticas e pelo destino do setor petrolífero no país, que é o maior produtor da matéria-prima na Europa Ocidental.

A atual primeira-ministra conservadora, Erna Solberg, à frente da coalizão de centro-direita que governa o país desde 2013, reconheceu a derrota.

"Esperamos e trabalhamos tão duro e agora finalmente podemos dizer: conseguimos!", afirmou o líder do Partido Trabalhista, Jonas Gahr Store, que encabeça a oposição e deverá ser o novo premiê.

"A Noruega emitiu um sinal claro: a eleição mostra que a população norueguesa quer uma sociedade mais justa", disse o milionário de 61 anos, que focou no combate à desigualdade durante a campanha.

Projeções apontam que a oposição de centro-esquerda deve conquistar a maioria dos 169 assentos no parlamento norueguês.

Com o resultado, os cinco países nórdicos – Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Islândia –, considerados um bastião da social-democracia, serão em breve governados por governos de esquerda.

Segundo análise do jornal The New York Times, embora partidos menores com abordagens mais agressivas em relação a combustíveis fósseis tenham obtido resultados piores do que o esperado, o resultado do pleito norueguês evidencia que a questão climática pode estar levando a uma guinada à esquerda em países europeus, entre eles a Alemanha, que realiza eleições gerais no próximo dia 26.

Mudanças climáticas e petróleo

O relatório histórico publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em agosto e um verão na Europa marcado por temperaturas escaldantes, incêndios florestais e graves enchentes colocaram a questão no topo da agenda na campanha eleitoral norueguesa e forçaram o país a refletir sobre o petróleo que o fez enriquecer imensamente.

O setor petrolífero reponde por 14% do Produto Interno Bruto (PIB) da Noruega e por 40% das exportações do país, sendo responsável por 160 mil postos de trabalho diretos.

O país, que não faz parte da União Europeia, tem o maior fundo soberano do mundo graças, em grande parte, aos lucros gerados pelo setor de combustíveis fósseis no país desde a década de 1960.

"Plano A"

O Partido Trabalhista recebeu cerca de 26% dos votos e agora deve buscar uma coalizão com seus aliados preferidos, o Partido do Centro e o Partido da Esquerda Socialista. Juntos, os três podem alcançar uma maioria absoluta de 89 cadeiras, segundo resultados preliminares após a contagem de mais de 95% dos votos.

Assim, ficariam descartadas as preocupações de ter que depender do apoio de dois outros partidos de oposição, o Partido Verde e o comunista Partido Vermelho.

No entanto, o trio, que já governou junto nas coalizões lideradas pelo ex-primeiro-ministro Jens Stoltenberg (2005-2013), frequentemente tem posições divergentes, particularmente quanto ao ritmo para o abandono da indústria petrolífera. E os centristas afirmaram que não formariam uma coalizão com a esquerda socialista.

Store, que foi ministro da Saúde e das Relações Exteriores sob Stoltenberg, afirmou que uma coalizão formada pelo trio é o "plano A", mas que convida todos os partidos em busca de uma mudança no governo a conversar.

Os verdes haviam afirmado que somente apoiariam um governo de centro-esquerda se ele prometesse um fim imediato à exploração de petróleo na Noruega, um ultimato que Store rejeitou. Assim como os conservadores, o líder trabalhista defende um abandono gradual da economia petrolífera.

lf/ek (AFP, DPA, Reuters)