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Pessoas descansam em uma praça de Bad Neuenahr cheia de detritos resultantes das enchentes. Chuvas extremas transformaram riachos em rios caudalosos que destruíram casas, rodovias e pontes na Alemanha.
Chuvas extremas geraram enchentes repentinas que destruíram casas, rodovias e pontes na AlemanhaFoto: Bram Janssen/AP/picture alliance

Aquecimento global agravou enchentes na Alemanha, diz estudo

24 de agosto de 2021

Cientistas concluem que aumento das temperaturas resulta em chuvas extremas, mais frequentes e mais intensas. Pesquisa ressalta necessidade de ações urgentes para frear emissões, assim como para lidar com catástrofes.

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Enchentes como as que devastaram regiões da Alemanha e da Bélgica no mês passado podem ocorrer com frequência até nove vezes maior em razão do aquecimento global, afirma um estudo publicado nesta segunda-feira (23/08).

Ao menos 190 pessoas morreram na Alemanha e outras 38 na Bélgica entre os dias 14 e 15 de julho, quando chuvas extremas transformaram riachos em rios caudalosos que destruíram casas, rodovias e pontes, além de gerar prejuízos de bilhões de euros.

O estudo do grupo World Weather Attribution utilizou registros históricos e simulações computadorizadas para avaliar de que forma as temperaturas afetaram a incidência de chuvas, do século 19 até os dias atuais.

Apesar de o estudo ainda não ter sido avaliado por outras instituições científicas, os autores utilizaram métodos amplamente aceitos para conduzir análises rápidas de eventos climáticos específicos como secas, ondas de calor e enchentes.

A conclusão é que em uma grande faixa da Europa Ocidental – que vai da Holanda à Suíça – a quantidade de precipitação em um único dia aumentou de 3% para 19%, ao mesmo tempo em que a temperatura subiu 1,2º C, em razão da interferência humana no clima.

Vilarejo alemão se reconstrói após inundações

Segundo o estudo, as regiões dos vales dos rios Ahr e Erft, na Alemanha, tiveram 93 milímetros de chuva em um único dia. Na Bélgica, a região do rio Mosa recebeu uma quantidade recorde de 106 milímetros em um período de dois dias.

Os pesquisadores calculam que enchentes são entre 1,2 e 9 vezes mais prováveis de ocorrerem do que na era pré-industrial, proporção que deve aumentar conforme a alta das temperaturas. As chuvas ocorridas na Alemanha e na região do Benelux são atualmente entre 3% e 19% mais fortes.

Urgência por ações mais decisivas

Especialistas acreditam que, para cada grau centígrado de aquecimento do planeta, o ar consegue absorver 7% mais água. Quando essa água é liberada, as chuvas se precipitam de forma mais intensa.

"As mudanças climáticas aumentam a probabilidade [da ocorrência de enchentes], mas também sua a intensidade", observou o coautor do estudo Frank Kreienkamp, do Serviço Meteorológico Alemão (DWD).

"Essas enchentes nos mostram que mesmo os países mais desenvolvidos não estão a salvo dos impactos graves de climas extremos", disse Friederike Otto, diretora do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford.

Os autores afirmam que os danos e as perdas de vida ressaltam a necessidade de ações mais decisivas para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, assim como maior preparação para lidar com as catástrofes. O estudo foi realizado por quase 40 pesquisadores de seis países europeus e dos Estados Unidos.

rc (AFP, AP)