″Nem toda opinião merece o mesmo respeito″ | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 14.10.2018
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Alemanha

"Nem toda opinião merece o mesmo respeito"

Teóricos da cultura Aleida e Jan Assmann recebem Prêmio da Paz na Alemanha. Em discurso, frisam que a democracia se faz com argumentos, não com conflitos, e condenam vozes que ameaçam as bases da diversidade de opiniões.

Jan Assmann, egiptólogo, e Aleida Assmann, especialista em cultura da lembrança, recebem o prêmio na Feira do Livro de Frankfurt

Egiptólogo e especialista em cultura da lembrança receberam o prêmio na Feira do Livro de Frankfurt

Os escritores e teóricos da cultura Aleida e Jan Assmann receberam neste domingo (14/10), na Feira do Livro de Frankfurt, o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão. Em discurso, eles clamaram por solidariedade em todo o mundo a favor da democracia e em resposta à ascensão do nacionalismo.

Aleida Assmann, uma acadêmica literária de 71 anos, foi honrada com o prêmio por seus estudos em torno da cultura da lembrança – a interação de um indivíduo ou sociedade com seu passado e história –, enquanto seu marido, de 80 anos, um egiptólogo, foi homenageado por ter iniciado debates internacionais sobre conflitos culturais e religiosos nos tempos atuais.

O prêmio vem em meio à ascensão da extrema direita na Alemanha, com a crescente popularidade do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e com um aumento do sentimento anti-imigração após a chegada de mais de um milhão de refugiados ao país. Protestos tanto contra o refúgio a migrantes como contra a xenofobia têm sido registrados.

Diante de uma plateia de mil pessoas reunidas na igreja Paulskirche, em Frankfurt, o casal vencedor do prêmio enfatizou a importância da diversidade de opiniões dentro de uma sociedade democrática, afirmando que discussões e debates fortalecem a democracia – mas frisou haver limites.

Para os Assmann, "nem toda voz contrária merece respeito". "Aqueles que ameaçam as bases da diversidade de opiniões perdem o respeito", afirmaram, frisando a importância de "convicções inquestionáveis e consensos básicos", como a Constituição, os direitos humanos, a divisão de Poderes e a independência da Justiça e da imprensa.

Os premiados argumentaram ainda que atos violentos – como os supostamente cometidos contra imigrantes durante os protestos convocados por extremistas de direita em Chemnitz, no leste da Alemanha – tendem a paralisar a democracia. "A democracia depende de argumentos, e não de conflitos", disseram.

Eles também defenderam a memória histórica como um elemento crucial na formação da identidade de uma sociedade – e como forma de não repetir os erros cometidos no passado.

"A nação não é um santo graal para nos salvar da profanação, e sim uma união de pessoas que também se lembram de episódios vergonhosos de sua história e assumem a responsabilidade pelos terríveis crimes cometidos em seu nome", disse Aleida Assmann.

A pesquisadora ressaltou que "vergonhosa é apenas a história, e não a memória libertadora que surge dela". "Portanto, a identidade não se forma negando, ignorando ou esquecendo [a história], mas requer uma memória que permita a prestação de contas e a responsabilidade."

O Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão é uma das mais importantes distinções literárias do país, premiando escritores, filósofos e cientistas desde 1950.

O comitê que concedeu a honraria aos Assmann descreveu o trabalho do casal como "de grande significado para os debates contemporâneos e, em particular, para a coexistência pacífica no mundo". Os vencedores adiantaram que pretendem doar o prêmio de 25 mil euros a três iniciativas que trabalham para a integração de migrantes.

Em 2017, quem levou o Prêmio da Paz foi a escritora canadense Margaret Atwood, autora de O conto da aia (1985), livro que inspirou a premiada série de televisão The handmaid's tale.

Entre outras personalidades distinguidas estão Albert Schweitzer (1951), Hermann Hesse (1955), Astrid Lindgren (1978), Siegfried Lenz (1988), Mario Vargas Llosa (1996), Martin Walser (1998), Jürgen Habermas (2001), Orhan Pamuk (2005) e David Grossman (2010).

EK/afp/dpa/efe/epd

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