Na terra de Carles Puigdemont, o orgulho de ser catalão | Notícias internacionais e análises | DW | 15.10.2017
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Europa

Na terra de Carles Puigdemont, o orgulho de ser catalão

Em Amer, 97% dos eleitores votaram "sim" no referendo da independência. Uma visita à essa vila ajuda a entender melhor os motivos dos que defendem a separação da Espanha.

Carles Puigdemont (centro) é o presidente da Catalunha.

Carles Puigdemont (centro) durante participação de manifestação pró-referendo em Amer, em novembro de 2016

"Às vezes ele ajudava aqui quando era jovem", diz a mulher na padaria. Desde 1928, a Pastisseria Puigdemont fabrica croissants, pães e doces na pequena vila de Amer, localizada a apenas 120 quilômetros a nordeste de Barcelona. A padaria ainda é uma propriedade familiar, e também a mulher que está atrás do balcão de madeira tem um parente mundialmente conhecido: Carles Puigdemont, o polêmico presidente do governo regional da Catalunha, nasceu aqui, em 1962. Mas elas não querem continuar falando sobre "Puigdi", como alguns o chamam, e deixam isso bem claro.

A vila de Amer tem cerca de 2.300 habitantes e fica numa região rural rodeada por dois morros cobertos por carvalhos, castanheiras e pinheiros. A 30 metros da padaria da família Puigdemont está localizada a praça central. No centro, o chão é de paralelepípedos, as ruas têm casas medievais lindamente restauradas e, em cada janela, está pendurada uma bandeira da Catalunha. Em Amer, 97% dos eleitores votaram "sim" no referendo sobre a independência da região espanhola.

A vila de Amer

A vila de Amer tem 2.300 moradores e é rodeada por morros

"Já estamos fartos dessa ditadura"

"Nós estamos muito orgulhosos dele", confessa Anna, de 39 anos, professora de biologia. "Ele defende os nossos interesses. Nós queremos finalmente nossa independência." Logo depois, ela se retira. Foto e sobrenome? "Melhor não. Eles já colocaram tanta vezes coisas nas nossas bocas", reclama Anna, referindo-se ao governo em Madri.

Jaume também não quer dizer o sobrenome. "Já estamos fartos dessa ditadura", diz ele, enquanto filma com seu celular o pequeno mar de bandeiras na praça principal. "Esta é a minha bandeira", afirma. Juntamente com três amigos, ele fez uma viagem de moto para Amer. "Puigdemont é muito corajoso", opina, sentado numa cadeira de uma pequena cafeteria na praça.

Logo ao lado está localizada a prefeitura. Salvador Clara é o vice-prefeito, e o nome Puigdemont faz seus olhos brilharem. Parece que um filme se desenrola diante de seus olhos claros quando ele fala sobre sua relação com o colega de escola Carles. Quando vivenciaram a transição da ditadura de Francisco Franco para a democracia, os dois, na época com 14 anos, perceberam que nada havia mudado no tratamento dispensado por Madri aos catalães. "Eles nos proibiram de falar catalão até 1985", diz o homem de 55 anos, com a voz agitada.

Salvador Clara

"Eles nos proibiram de falar catalão até 1985", diz o colega de escola Salvador Clara

"Nós, catalães, somos pessoas pacíficas"​​​​​​​

Seu colega de escola sempre defendeu a independência. "Na escola, eu era membro do partido esquerdista. Já Carles participava de um grupo que tinha como único objetivo a separação da Espanha." Após o ensino médio, cada um seguiu seu caminho. Salvador foi cursar a universidade em Barcelona, e, Puigdemont, na capital provincial Girona, a 25 quilômetros de distância.

Lá, Carles estudou filosofia e trabalhou como jornalista num jornal catalão, onde, depois, trabalhou como editor-chefe. Posteriormente fundou a agência de notícias oficial da Catalunha. Ele tem pouca experiência na política, tendo sido prefeito de Girona de 2011 a 2016. Após sua eleição como chefe do governo catalão, ele disse, durante a posse: "Estes não são tempos para covardes!"

"Ele é leal a seus amigos, inteligente, um grande orador e um homem do século 21", responde Clara à pergunta por que Puigdemont irá ajudar os catalães a obter a independência. Ele está convencido de que o presidente catalão conseguirá atingir seu objetivo.

Para Clara, Puigdemont acalmou a situação ao declarar que a independência está suspensa. No entanto, ele considera que "a coisa explodirá mais cedo ou mais tarde". Ele diz a frase apontando para uma obra de arte feita por um artista polonês residente em Amer e exposta na entrada da prefeitura: uma pintura de uma grande pomba da paz com impressões digitais de moradores da vila em seu corpo. "Nós, catalães, somos pessoas pacíficas", comenta.

A padaria Puigdemont existe desde 1928

A padaria Puigdemont existe desde 1928, e o atual chefe de governo às vezes dava uma mão por lá

"Eu espero que haja diálogo"​​​​​​​

Ele diz, ainda, que a agressão vem de Madri. "Nós choramos quando vimos como eles bateram nos eleitores." Antes de se despedir, Salvador mostra fotos em seu telefone celular em que é possível ver seu "amigo Carles" durante os tempos de universidade e, há alguns meses, em sua visita ao Parlamento em Barcelona. Seus olhos brilham novamente. Desta vez, não é um filme do passado, é o orgulho do presente. "Ele é o presidente que faz o sonho coletivo de muitas gerações se tornar realidade."

Nuri Soler

"Ele merece mais respeito", diz Nuri Soler, que vive na capital provincial Girona

Numa rua lateral da praça principal, uma mulher está sentada numa escada de pedras e brinca com o filho de 9 meses. Nuri Soler veio de Girona para participar de uma confraternização em família. Em Girona, Puigdemont mora atualmente com sua mulher e duas filhas. Lá, também, uma grande maioria votou pela independência.

"Claro que estamos orgulhosos de um homem de nossa região resolver os problemas com as próprias mãos", diz Soler. Nenhum outro presidente fez tantos avanços como Puigdemont. "Ele merece mais respeito", opina a mulher de 35 anos. Após o que aconteceu no referendo de 1º de outubro, ela tem medo daquilo o que o governo em Madri poderá fazer se a independência for realmente proclamada. "Eu espero que haja diálogo", diz Soler, olhando para o filho.

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