Na Assembleia Geral da ONU, Guterres alerta contra ″nova Guerra Fria″ | Notícias internacionais e análises | DW | 22.09.2020

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Mundo

Na Assembleia Geral da ONU, Guterres alerta contra "nova Guerra Fria"

Secretário-geral das Nações Unidas pede que mundo evite duelo entre EUA e China para focar na luta contra covid-19. Trump culpa Pequim por pandemia e por destruição ambiental. Xi Jinping faz apelo por multilateralismo.

Xi Jinping e Donald Trump

Xi e Trump trocaram farpas em seus discursos na ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu nesta terça-feira (22/09) ao mundo que evite uma "nova Guerra Fria" entre os Estados Unidos e a China e ponha fim conflitos para que seja possível se concentrar na pandemia de covid-19.

"Devemos fazer de tudo para evitar uma nova Guerra Fria", disse Guterres em discurso de abertura de uma Assembleia Geral da ONU realizada quase que inteiramente de forma virtual, marcando os 75 anos da organização.

"Estamos avançando em uma direção muito perigosa. Nosso mundo não pode permitir um futuro em que as duas maiores economias dividam o globo em uma grande fratura – cada uma com suas próprias regras comerciais e financeiras e capacidades de internet e de inteligência artificial", disse ele, sem citar diretamente os Estados Unidos e a China.

António Guterres

"Estamos avançando em uma direção muito perigosa", afirmou Guterres, sem citar nominalmente EUA e China

As tensões aumentaram nos últimos meses entre Washington e Pequim, com o presidente americano, Donald Trump, culpando Pequim pela pandemia de covid-19, que custou mais de 960 mil vidas em todo o mundo e lançou uma sombra sobre sua candidatura à reeleição.

Guterres fez campanha pelo fim de todos os conflitos violentos num momento em que o mundo deve se concentrar em conter a disseminação do coronavírus. Ele apontou alguns sucessos parciais, incluindo cessar-fogos declarados na Colômbia e em Camarões.

Guterres também criticou abertamente movimentos de direita em meio à pandemia do coronavírus. "O populismo e o nacionalismo fracassaram. Essas abordagens para conter o vírus muitas vezes tornaram as coisas claramente piores."

A disputa EUA-China foi destaque nos discursos dos líderes das duas potências nesta terça.

"Vírus da China"

Trump iniciou sua fala com uma crítica feroz à China, chamando o coronavírus de "vírus da China", ele disse que o país "liberou essa praga" no mundo.

"Nos primeiros dias do vírus, a China bloqueou as viagens domésticas enquanto permitia que voos saíssem da China e infectassem o mundo", disse Trump. Ele acusou Pequim e a Organização Mundial da Saúde (OMS) de espalhar informações falsas sobre como o vírus se disseminou. Trump afirmou que a OMS é "virtualmente controlada pela China".

O presidente dos EUA também atacou Pequim por causa de seu histórico ambiental, acusando a China de pesca excessiva, despejar plástico nos oceanos e emitir mais mercúrio tóxico do que qualquer país. "Aqueles que atacam o histórico ambiental excepcional dos Estados Unidos, enquanto ignoram a poluição galopante da China, não estão interessados no meio ambiente. Eles só querem punir a América, e eu não vou tolerar isso", disse Trump.

"O mundo nunca mais voltará ao isolamento"

Em discurso pré-gravado que foi exibido pouco depois do de Trump, Xi disse que Pequim "não tem intenção de travar uma guerra fria ou quente com nenhum país".

"Continuaremos a reduzir as diferenças e resolver disputas com outros por meio do diálogo e da negociação. Não buscaremos desenvolver apenas a nós mesmos ou nos envolver em um jogo de soma zero", disse Xi.

O líder chinês também falou a favor do multilateralismo – no qual vários países perseguem um objetivo comum – e da preservação do sistema internacional com a ONU em seu núcleo. 

"Enterrar a cabeça na areia como um avestruz diante da globalização econômica ou tentar combatê-la com a lança de Dom Quixote vai contra a tendência da história", disse. "O mundo nunca mais voltará ao isolamento, e ninguém pode cortar os laços entre os países."

A Assembleia Geral da ONU vai até o próximo sábado, 26 de setembro. No total, mais de 100 líderes mundiais e diplomatas discursarão no evento, em grande parte virtual devido à pandemia. Bolsonaro foi o primeiro líder nacional a discursar.

O tema da assembleia deste ano é: "O futuro que queremos, as Nações Unidas de que precisamos: reafirmar o nosso compromisso coletivo com o multilateralismo – confrontar a covid-19 através de uma ação multilateral eficaz".

MD/afp/dpa/ap/rtr

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