Multidão sai às ruas no maior ato antigoverno em Belarus | Notícias internacionais e análises | DW | 16.08.2020

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Europa

Multidão sai às ruas no maior ato antigoverno em Belarus

Dezenas de milhares se reúnem na capital bielorrussa uma semana após contestada eleição. Protesto é considerado o maior da história do país europeu. Já no primeiro ato pró-governo, Lukashenko diz que não deixará o poder.

Protesto em Minsk, Belarus

Jornalistas presentes estimam a participação de cerca de 200 mil pessoas no ato antigoverno em Minsk

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas da capital bielorrussa neste domingo (16/08) para o maior ato antigoverno desde que eclodiram os protestos em massa em Belarus, há exatamente uma semana. A manifestação em Minsk é considerada a maior da história do país europeu.

A onda de protestos teve início após a eleição presidencial do domingo passado, que oficialmente garantiu um sexto mandato consecutivo para o autoritário presidente Alexander Lukashenko, há 26 anos no poder. O resultado – divulgado pela comissão eleitoral do país, controlada pelo governo – é contestado pela oposição, que diz que a eleição foi fraudada.

Apesar de uma dura repressão policial, que já deixou centenas de feridos, ao menos dois mortos e quase 7 mil detidos, as manifestações têm crescido e se tornaram o maior movimento antigoverno desde que Lukashenko assumiu o poder, em 1994. A violência de policiais contra manifestantes aumentou ainda mais o impulso para que os bielorrussos saíssem às ruas.

Nos protestos antigoverno, manifestantes carregam bandeira vermelha e branca, símbolo da independência do país

Nos protestos antigoverno, manifestantes carregam bandeira vermelha e branca, símbolo da independência do país

Depois que Lukashenko convocou seu próprio ato pró-governo na Praça da Independência em Minsk, manifestantes opositores se reuniram em um memorial da Segunda Guerra Mundial em outra parte da cidade, entoando gritos de "Fora!" e "Renuncie!".

Participantes da chamada "Marcha pela liberdade" carregavam flores, balões e bandeiras nas cores vermelha e branca – símbolo da independência do país – , além de cartazes com dizeres como "Somos contra a violência" e "Lukashenko deve responder pela tortura e pelos mortos".

Falando a uma pequena parte da multidão por meio de um alto-falante, Maria Kolesnikova, uma das três líderes mulheres da oposição, fez um apelo aos oficiais da lei e diplomatas de Belarus: "Esta é a última chance de vocês lutarem contra o seu medo. Todos nós estávamos com medo também. Juntem-se a nós e nós os apoiaremos", declarou a oposicionista.

Um jornalista da agência de notícias Reuters estimou a presença de cerca de 200 mil pessoas no protesto da capital bielorrussa. Grandes atos foram registrados também em outras cidades do país europeu, segundo informou a imprensa local.

Pessoas em protesto antigoverno em Minsk

Protestos que contestam o resultado da eleição ocorrem há oitos dias consecutivos

Ato pró-Lukashenko

Outras milhares de pessoas saíram às ruas de Minsk também neste domingo, no primeiro ato em apoio ao presidente bielorrusso desde a eleição. Imagens transmitidas por emissoras locais mostraram manifestantes pró-governo lotando a Praça da Independência, com alguns gritando "Por Lukashenko" e outros vestindo camisetas que diziam "Nós concordamos".

A imprensa local relatou que alguns funcionários do governo foram pressionados a participar do protesto, enquanto fotos de ônibus cheios de manifestantes chegando à capital foram compartilhadas nas redes sociais.

Observadores independentes estimam a presença de 10 mil pessoas no ato, enquanto a agência de notícias estatal Belta reportou 50 mil manifestantes.

Pessoas erguem bandeiras bielorrussas em protesto pró-governo em Minsk

Diferente dos protestos antigoverno, os apoiadores do presidente carregam a bandeira nacional do país, vermelha e verde

Em discurso durante a manifestação, Lukashenko rejeitou as acusações de fraude nas eleições e reiterou que não deixará o poder. "Construímos um país lindo, com suas dificuldades e imperfeições. A quem eles querem entregar? Se alguém quiser entregar o país, nem morto eu permitirei", declarou o presidente, segundo informações da Belta.

Ele também rejeitou pedidos de novas eleições. "Lituânia, Letônia, Polônia e, infelizmente, nossa amada Ucrânia ordenam que realizemos novas eleições. Se deixarmos que eles nos guiem pelo nariz, seremos retidos. Então pereceremos como nação", alertou.

Várias evidências sugerindo fraudes eleitorais foram compartilhadas nas redes sociais, incluindo relatos que denunciam cédulas de voto pré-preenchidas. A comissão eleitoral apontou vitória de Lukashenko por 80,1% dos votos, enquanto muitos opositores duvidam desse resultado, dado o número de pessoas insatisfeitas com o governo, como se observa agora nas ruas.

Aos seus seguidores, o presidente pediu ajuda neste domingo: "Queridos amigos, chamei vocês aqui não para me defenderem, mas para defenderem seu país e sua independência." Segundo ele, pela primeira vez em um quarto de século, "o país, as famílias, as crianças e as mulheres" precisam de proteção. "Pela primeira vez na minha vida, estou de joelhos diante de vocês", completou.

Lukashenko discursa no primeiro ato pró-governo desde a eleição de 9 de agosto

Lukashenko discursa no primeiro ato pró-governo desde a eleição de 9 de agosto

Ajuda russa

Em meio à revolta popular em Belarus, também neste domingo o presidente da Rússia, Vladimir Putin, manifestou sua intenção de "fornecer a assistência necessária" em termos de segurança ao país vizinho. A oferta de ajuda foi feita por Putin ao próprio presidente bielorrusso na segunda conversa telefônica entre os dois em 24 horas, informou o Kremlin em comunicado.

"A Rússia confirmou sua prontidão em fornecer a assistência necessária para resolver os problemas com base nos princípios do tratado da União de Estados e também, se necessário, através da Organização do Tratado de Segurança Coletiva", diz a nota.

No telefonema deste domingo, os dois líderes voltaram a debater a situação política em Belarus após as eleições presidenciais do último dia 9, "incluindo a pressão exercida sobre o país a partir do exterior", diz o texto, sem especificar a qual país ou entidade estaria se referindo.

Em seu discurso durante o ato pró-governo, Lukashenko expressou preocupação com exercícios militares da Otan nas vizinhas Polônia e Lituânia, lançando acusações de que a aliança militar estaria enviando tanques e aviões para a fronteira oeste de Belarus – o que a Otan negou.

EK/afp/efe/rtr/ap/dpa/ots

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