Milhares prestam homenagem a manifestante morto em Belarus | Notícias internacionais e análises | DW | 15.08.2020

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Europa

Milhares prestam homenagem a manifestante morto em Belarus

Onda de protestos antigoverno entra em seu sétimo dia, com quase 7 mil detidos e ao menos dois mortos em meio a forte repressão policial. Lukashenko diz que Putin ofereceu ajuda para garantir a segurança no país.

Mulher coloca buquê em um amontoado de flores em Minsk

Local onde manifestante foi morto em Minsk virou um mar de flores

Milhares de pessoas se reuniram neste sábado (15/08) no local onde um manifestante foi morto em confronto com a polícia durante protestos antigoverno em Minsk, capital de Belarus.

A onda de manifestações, que eclodiu no país europeu após a contestada eleição presidencial do fim de semana passado, tem sido duramente reprimida pelas forças de segurança bielorrussas e já resultou na prisão de quase 7 mil pessoas. Muitos foram alvo de violência por parte da polícia, alguns durante os atos e outros após serem detidos.

Neste sábado, apoiadores da oposição ergueram bandeiras e cartazes e entoaram palavras de ordem pedindo a renúncia do presidente Alexander Lukashenko, há 26 anos no poder. Alguns tiraram suas camisas e exibiram hematomas que disseram terem sido causados por espancamento da polícia. Outros ergueram fotos de pessoas exibindo marcas de violência.

Os presentes ainda deixaram flores e velas no local onde um manifestante de 34 anos morreu no início desta semana. Autoridades alegam que o homem carregava um artefato explosivo que ele planejava atirar contra os policiais, mas que acabou detonando em suas próprias mãos.

Muitos manifestantes não acreditam nessa versão. Uma testemunha afirmou ao portal de notícias tut.by que o homem de fato havia abordado a polícia, mas que não houve qualquer explosão. Alguns também dizem que o pai da vítima não foi autorizado a ver o corpo.

Além dessa, uma segunda morte foi registrada em ligação com os protestos em Belarus. Ela ocorreu na cidade de Gomel, onde um rapaz de 25 anos com problemas cardíacos morreu após ser levado sob custódia pela polícia. A mãe disse que o filho estava a caminho de encontrar sua namorada quando se deparou com os agentes de segurança.

Mulher mostra foto de rapaz com hematomas em ato em Minsk neste sábado

Manifestante mostra foto de rapaz com marcas de violência, alegadamente provocadas pela polícia durante os atos

Após a homenagem ao manifestante morto, milhares de pessoas deram continuidade ao protesto em frente à sede da televisão estatal do país, acusando a emissora de apoiar Lukashenko e passar uma imagem distorcida dos atos antigoverno. A polícia de choque foi enviada ao local e bloqueou a entrada do prédio.

Este foi o sétimo dia consecutivo de intensos protestos pelo país contra o resultado do pleito de domingo passado, 9 de agosto, que oficialmente terminou com a reeleição do autoritário presidente Lukashenko, segundo apontou a comissão eleitoral do país, controlada por seu governo. Opositores alegam que os números foram manipulados.

Apesar da dura repressão, as manifestações têm crescido e se tornaram o maior movimento antigoverno desde que Lukashenko assumiu o poder, em 1994.

Lukashenko rejeita mediação estrangeira

Conhecido como o "último ditador da Europa", o presidente, por sua vez, rejeitou neste sábado qualquer mediação estrangeira para resolver o agravamento da crise em seu país.

"Não precisamos de governos estrangeiros, nem de intermediários", afirmou Lukashenko, segundo a agência de notícias estatal Belta, durante uma reunião no Ministério da Defesa. "Não vamos entregar o país a ninguém. Temos um governo que foi estabelecido de acordo com a Constituição."

Lukashenko em reunião no Ministério da Defesa, em Minsk, neste sábado

Lukashenko em reunião no Ministério da Defesa, em Minsk, neste sábado

Mais cedo, ele conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Lukashenko informou que o líder russo, seu aliado, ofereceu a ajuda de Moscou para garantir a segurança em Belarus.

Em comunicado, o governo russo afirmou que Lukashenko e Putin, no telefonema, expressaram confiança de que os distúrbios que afetam Belarus serão resolvidos em breve. "Esses problemas não devem ser explorados por forças destrutivas que buscam prejudicar a cooperação mutuamente benéfica entre os dois países", diz a nota do Kremlin.

Em entrevista à DW, a analista do Instituto Bielorruso de Estudos Estratégicos Kate Shmatsina sugere que, com o telefonema a Putin, "Lukashenko está dizendo que a instabilidade que se revela agora em Belarus pode ter efeito indireto também na Rússia".

"Isso vem junto com o entendimento de Lukashenko de que ele não é capaz de administrar a situação internamente. De qualquer forma, ele depende da Rússia – em termos de economia e política externa. No momento, Putin é seu único aliado."

A ex-república soviética Belarus manteve-se estreitamente alinhada com seu maior vizinho, a Rússia, formando uma união nominal com Moscou na década de 1990, depois de sua independência após a dissolução do bloco soviético.

Nesta sexta-feira, a União Europeia (UE) deu luz verde à imposição de sanções contra autoridades bielorrussas responsáveis pela violência nos protestos. O bloco condenou a repressão policial contra manifestantes, que descreveu como "desproporcional e inaceitável", e afirmou que a eleição do domingo passado não foi "nem livre nem justa".

Segundo a agência de notícias RIA, o Ministério das Relações Exteriores de Belarus disse neste sábado que está comprometido com o diálogo com a UE em todas as circunstâncias.

A violência policial contra participantes dos protestos também tem sido rechaçada por organizações de direitos humanos. A ONG Anistia Internacional condenou o que chamou de "campanha de tortura generalizada e outros maus-tratos por parte das autoridades bielorrussas que pretendem esmagar os protestos pacíficos por qualquer meio".

EK/ap/dpa/afp/dw

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