Mulher yazidi encontra algoz do ″Estado Islâmico″ na Alemanha | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 19.08.2018
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Alemanha

Mulher yazidi encontra algoz do "Estado Islâmico" na Alemanha

O passado parece perseguir uma jovem iraquiana da minoria yazidi numa pequena cidade alemã: ao tentar reconstruir sua vida no estrangeiro, ela se depara com torturador jihadista que a manteve por 10 meses como escrava.

Ashwaq Haji Hamid: há muitas mulheres com histórias parecidas com a dela

Ashwaq Haji Hamid: há muitas mulheres com histórias parecidas com a dela

Uma mulher da etnia yazidi fugiu da Alemanha com a família após encontrar, nas ruas de Schwäbisch Gmünd, uma cidade do estado alemão de Baden-Württemberg, o combatente do "Estado Islâmico" (EI) que a escravizou na cidade iraquiana de Mossul.

Ashwaq Haji Hamid chegou ao estado do sudoeste alemão com sua família em 2015, por meio de um programa destinado a ajudar mulheres yazidis vítimas de violência pelo EI. Em 2014, o EI cometeu o que a ONU concluiu ser um genocídio de yazidis no norte do Iraque. O grupo terrorista também sequestrou inúmeras mulheres e crianças e as vendeu como escravas, entre elas Hamid.

Mas enquanto tentava deixar seu passado para trás, ela se deparou com o torturador que a manteve como escrava por dez meses. "Eu fugi do Iraque para não ver aquele rosto feio e esquecer tudo o que ele me lembra, mas fiquei chocada ao vê-lo na Alemanha", disse ao InfoMigrants, um novo site de notícias sobre migração gerido pela DW, France Médias Monde e a agência italiana de noticias Ansa.

"A primeira vez foi em 2016", disse ela. "Ele estava me perseguindo. Era a mesma pessoa, mas na segunda vez, chegou perto de mim e me disse que sabia tudo sobre mim."

Investigação em andamento

Hamid disse que queria começar uma nova vida na Alemanha depois de enfrentar as atrocidades cometidas pelo EI. Ela notificou a polícia sobre o caso, mas acrescentou que era impossível se sentir segura sabendo que seu sequestrador ainda estava por aí.

Depois de relatar o segundo incidente em fevereiro de 2018 ao centro de refugiados e à polícia local, ela disse que só lhe foi oferecido um número para ligar em caso de emergência. Foi quando a jovem yazidi decidiu ir embora. "Se eu não o tivesse visto, teria ficado na Alemanha. Eu queria completar meus estudos e obter um diploma que me daria uma vida decente."

Autoridades confirmaram nesta sexta-feira (17/08) que uma jovem de 19 anos apresentou uma queixa correspondente à história de Hamid. No entanto a polícia de Baden-Württemberg afirma ter iniciado uma investigação em março.

A polícia local realizou uma reconstrução facial do suposto sequestrador, mas disse que as informações dadas por Hamid não eram suficientemente precisas e que não conseguiram encontrar em nenhum registro o nome do suspeito fornecido por ela.

Promotores públicos assumiram o caso em junho, mas então Hamid estava no Iraque com sua família. A investigação não pôde ir adiante, porque "a testemunha está atualmente indisponível", informou a polícia de Baden-Württemberg através do Twitter, na última quarta-feira.

A Promotoria Pública informou ao jornal Die Welt que os procedimentos preliminares do caso estão pendentes desde julho.

Mulheres com histórias parecidas

Em 2014, mais de 5 mil membros da etnia yazidi foram mortos e mais de 10 mil sequestrados pelo EI, segundo dados da ONU. Cinco dos irmãos de Hamid e uma de suas irmãs continuam desaparecidos.

Enquanto as autoridades da ONU reconstroem casas nas terras ancestrais dos yazidi no norte do Iraque, alguns sentem que a ameaça do EI ainda persiste. O pai de Hamid afirmou que sua família ainda corre risco no Iraque, especialmente depois que a filha decidiu contar sua história. Ele acrescentou que esperava chegar a um país onde ele e seus familiares pudessem finalmente se sentir seguros.

Atualmente, Hamid mora com a mãe e o pai num acampamento no Curdistão iraquiano. Mas ela instou as autoridades alemãs a garantirem que seu destino não aflija outros yazidis que buscam refúgio no país.

"Eu não quero nada do governo alemão, exceto que aquele homem seja punido, para que eles percebam que há muitas outras mulheres na Alemanha que têm histórias parecidas com a minha e para que as protejam do EI na Alemanha", disse Hamid.

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